quarta-feira, março 28, 2007

DE SAUDADE



De Vinicius de Morais:
CHEGA DE SAUDADE

Vai, minha tristeza
E diz a ela
Que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer

Chega de saudade,
A realidade é que sem ela
Não há paz, não há beleza
É só tristeza, e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim
Não sai

Mas se ela voltar
Se ela voltar, que coisa linda
Que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei
Na sua boca…

Dentro dos meus braços
Os abraços hão-de ser
Milhões de abraços apertado assim
Colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos
Sem ter fim
Que é p’ra acabar com esse negócio
De viver longe de mim
Que é p’ra acabar com esse negócio
De você viver assim
Vamos deixar desse negócio
De você viver sem mim

sexta-feira, março 16, 2007

PÁGINAS INVENTADAS


No meu peito há um vazio feito de nada,

Porque a nada reduzi minhas lembranças,

Naquela longa e fria madrugada.

.

Alegrias, tristezas e também os desenganos

Matizaram os meus dias e os anos

Que vivi em busca dos meus sonhos,

Esses sonhos que sonhei, tantas vezes acordada.

.

Mas nas páginas do livro que é a Vida,

Tudo se pode escrever... mesmo sendo fantasia!

Esquecer, reinventar a fé perdida,

São promessas que a mim faço

Sempre que volto a página do meu livro de poesia.

.
Baby

quinta-feira, março 08, 2007

MULHER



De Sophia de Mello Breyner Andresen, Retrato de Mulher


Algo de cereal e de campestre
Algo de simples em sua claridade
Algo sorri em sua austeridade


terça-feira, fevereiro 27, 2007

O BAILE


Adormeço

E lembro aquela noite

Em que saí para dançar...

.

Deslizava pelo salão

Levada pelos braços do meu par

Como uma folha esvoaçando com a brisa,

Leve, leve e solta como quem não pisa

O chão,onde os pés costumam assentar.

.

Depois, foi o tango desejado...

O tango, que é tal qual a minha vida.

Intenso, sensual e tão marcado,

Uma paixão jamais interrompida!

.

E sem amarras

E sem querer parar,

Dancei, dancei, dancei...

E como sempre,

Quando danço

Esqueço quem eu sou,

De onde venho

E para onde vou!


Baby

terça-feira, fevereiro 20, 2007

ENSAIO NO FEMININO


Porque achei interessante, apeteceu-me partilhar convosco um breve trecho dum romance de Faíza Hayat, intitulado "O Evangelho segundo a serpente", e quem sabe, nós, as mulheres, tiremos dele uma pequenina lição...
.
A minha mãe era um ser livre. Uma ave à solta num alto céu de verão. Costumava dizer que os homens são como as chuvas, imprescindíveis à vida, revigorantes, mas quando chegam, e em se demorando um pouco mais, logo sentimos saudades dos dias de sol.
"Reparem", dizia, " a palavra solidão está cheia de sol!"
Gostava de citar Marguerite Duras: "Não se encontra a solidão. Somos nós que a construímos." Citava Pablo Picasso: "Nada pode ser feito sem a solidão. Eu mesmo criei para mim uma solidão da qual ninguém suspeita." Citava Tchekov: "Se tens medo da solidão então não te cases." Citava Fernando Pessoa, aliás, Bernardo Soares: "As mal casadas são todas as mulheres casadas e algumas solteiras."
Estou hoje um pouco melancólica, bem sei. Mas reparem, repara tu também, Filipa, onde quer que estejas, que assim como há sol na palavra solidão, há mel na palavra melancolia.Tanto mel. Os homens, minha querida mãe, ao menos aqueles que tenho conhecido, não cultivam a memória. Ao contrário, exercitam o esquecimento. Há vantagens nisto, sabes? Os homens sempre me pareceram muito menos rancorosos do que as mulheres. O rancor exige uma boa memória. Um homem que nunca sabe onde guardou a chave de casa, os óculos ou o telemóvel, e são quase todos, deve ter também alguma dificuldade em guardar rancores. Acho que é por isso que, de uma forma geral, os homens envelhecem menos rapidamente do que nós. O rancor provoca rugas. Tira brilho ao cabelo. Torna as unhas quebradiças. A longo prazo, mata. Se bem que a longo prazo tudo mata.
Devíamos periodicamente recorrer a uma espécie de cerimónia do olvido, como quem vai à sauna, para limpar a alma das lembranças más. O amor e o rancor são difíceis de conciliar. Guardar um e outro no coração, e esperar que resulte, é como encerrar muma mesma jaula um leão e um cordeiro, e esperar que o cordeiro submeta o leão. O pior é que depois que tudo termina os homens partem felizes e desmemoriados, e nós ficamos sozinhas com o lume amargo do nosso rancor.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

CAMINHANDO




Caminhando no verso e no reverso
que busco entre penumbras e tristezas?
Se de todas as mais duras incertezas ´
até a mim confundo e me disperso?
.
Se cheguei até aqui, foi por te amar!
Para quê então todos os meus passos
se na hora de chegar para te abraçar
não puder ter-te nos meus braços?
.
És a parte de mim que falta e dói.
De ti distante, a outra parte sou eu.
Sou cada sorriso que de mim se foi,
sou a parte de mim que perdeu.
.
Mas nesta vã e pressentida incerteza,
o poema diz que o meu longe é aqui.
Mesmo tendo contra mim a natureza
eu sei que o meu longe está em ti...
.
De Albino Santos
Poema O MEU CAMINHO

sexta-feira, janeiro 26, 2007

PALAVRAS SÃO COMO BEIJOS


Palavras...
São como beijos
Que afloram a minha alma.
São seiva que me alimenta,
São promessa que me acalma.

São pedaços de quem ama,
Feitas de sonhos perfeitos
Sonhadas em qualquer cama,
Por entre lençóis desfeitos.

Enlaçadas uma a uma,
Falam comigo em segredo,
São como ondas de espuma,
Onde mergulho, sem medo.

Outras há, feitas de lume
Que acendem uma fogueira.
Ardem no peito da gente,
Que grita, sem um queixume.

Palavras...
Às vezes, durmo com elas,
Atadas com nós e laços...
Acordam ainda mais belas,
Presas a mim, como abraços.
Baby

sexta-feira, janeiro 19, 2007

ENTRE AMIGOS

Hoje tinha que vir falar de Amigos, amigos que já tinha e os que aqui ganhei, amigos que são o meu suporte, a minha alegria, a minha fé no amanhã!
Para isso, não encontrei nada melhor que as palavras que aqui vos deixo:

AMIGO

Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca a boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!

Alexandre O'Neill

segunda-feira, janeiro 08, 2007

MULHER GUERREIRA


Não se molda às circunstâncias

E se lhe privam o prazer,
Vira guerreira
Não aceita imposições

Vai em busca, indo à luta
Para não se deixar morrer!

Menina guerreira

Quer viver plenamente,
buscando, amando,
desejando, sonhando,
e sentindo o prazer de viver.

Moiro do Barlavento

domingo, dezembro 31, 2006

PASSAGEM DE ANO


A vida é uma constante passagem, de ano, de mês, de dia, hora, minuto e segundo.
Neste Ano de 2007, a que todos vamos erguer a nossa taça, saibamos viver cada momento com sabedoria, com espírito de solidariedade, com vontade de crescer, de fazer amigos e amar os que já temos.
A todos os que neste Ano de 2006 vieram até mim, com palavras de carinho e apreço, eu brindo e digo: OBRIGADA! Foram companhia, deram-me alento, ajudaram-me a crescer e a viver momentos imperdíveis.
E é com muita amizade que a todos eu desejo FELICIDADES.

Baby

quarta-feira, dezembro 20, 2006

É TEMPO DE NATAL


Tempo de amor e reconciliação,
De alegria e esperança no olhar!
No peito transborda a emoção
E a vontade de a todos abraçar.

Que este doce encanto que a todos envolve, fique nos vossos corações por toda esta época festiva e vos proporcione uma entrada feliz no Novo Ano.

domingo, dezembro 03, 2006

DEVANEIO


Neste dia melancólico
Em que o sol se esconde em ti,
Parto em busca dos teus olhos,
Uns olhos que nunca vi.

No dia em que os encontrar,
No meio da multidão,
Saberei que é o teu olhar,
Sem qualquer hesitação.

E se neles me perder,
(Oh que doce perdição...)
Será emfim pr'a viver
Um tempo de exaltação!

E depois, ao fim do dia
Ficaremos de mão dada,
Contemplando essa luz
Que dentro de ti se escondia...

Baby

quinta-feira, novembro 30, 2006

Não Sei se é Amor que Tens


Homenageando Fernando Pessoa, cuja morte ocorreu num dia 30 de Novembro, venho partilhar convosco um belo poema de um dos seus heterónimos.


Não sei se é amor que tens , ou amor que finges,
O que me dás. Dás-mo. Tanto me basta.
Já que o não sou por tempo,
Seja eu jovem por erro.
Pouco os deuses nos dão, e o pouco é falso.
Porém, se o dão, falso que seja, a dádiva
É verdadeira. Aceito,
Cerro olhos: é bastante.
Que mais quero?

Ricardo Reis

quinta-feira, novembro 23, 2006

ANSEIOS



Com a alma de Florbela Espanca e através das suas palavras, eu solto os meus anseios...

Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta a vastidão imensa!
Eu queria ser a pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!
Eu queria ser o Sol, a luz intensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore, tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!
Mas o mar também chora de tristeza...
As árvores, também, como quem reza,
Abrem aos céus os braços, como um crente!
E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as pedras... essas... pisa-as toda a gente!
De Florbela Espanca, "Desejos vãos"

terça-feira, novembro 14, 2006

A VIDA É FEITA DE CICLOS


As rosas que não trocámos
Jazem mortas pelos caminhos,
Por esses que em vão cruzámos
E onde hoje estamos sózinhos.
Quando um ciclo se encerra,
Fecho a porta, devagar.
Rosas nascerão da terra,
Amanhã...
Pra me alegrar.

Baby

domingo, novembro 05, 2006

HÁ UMA ROSA NA MANHÃ AGRESTE



Respiro.
E sei,
Assim,
Que já vieste!
Há uma rosa na manhã agreste...

De Pedro Homem de Melo

domingo, outubro 29, 2006

PALAVRAS FEITAS DE SONHOS


Fazes soltar as palavras
Que no meu peito germinam,
Feitas pássaros
Elas voam
Perdidas no infinito...
De noite, fazem-se luas
Que tudo à volta iluminam,
Rasgando a terra, num grito.

Baby

terça-feira, outubro 24, 2006

HÁ INFINITOS POR DETRÁS DE CADA BEIJO


Com este belo poema, convido cada um de vós a percorrer os infinitos que se
escondem por detrás de cada beijo...
De Frog
Clandestinas Madrugadas



Quando
A noite geme
Baixinho
E vagueamos
Clandestinas madrugadas

Quando
Te encolhes
No meu peito
Silencias nos meus braços
E te fazes tão imensa

Quando
O desejo nos enlaça
E as mãos se libertam
Ansiosas

Quando
O fogo nos consome
Num ímpeto de prazer
E de calor
Há momentos de sonho
E aventura
Há rios de amor
E de ternura
Há palavras rubras
De desejo
Há infinitos por detrás
De cada beijo
Há um corpo ardente
Que se abraça
Há lábios de fogo
E de loucura
Sedentos de beber
Na mesma taça.

terça-feira, outubro 17, 2006

O SONHO COMANDA A VIDA


Eu não deixei de sonhar
Depois da tua partida,
Sei que um dia vais voltar
E dar côr à minha vida.

Baby

terça-feira, setembro 26, 2006

HOJE


Hoje não vou.
Não vou nessa corrida desenfreada,
Atrás da vida desencontrada
Que do lado de lá
Me acena…
E me incita à caminhada.

Não vou.
Fico aqui,
Sentada,
Olhando o caminho,
Desanimada.
Cansei-me do pó da estrada,
Dos desencantos vividos,
Dos amigos que não são,
Da alegria roubada.

Fico aqui.
Quieta…
Sufocada pela solidão que mata,
Perdida já na saudade
Daquela vida…
Vida com hora marcada.

Baby

Foto recolhida em "Olhares.com"

Autor: Graça

Rosas

Rosas
Especialmente para ti, amigo visitante

Arquivo do blogue