segunda-feira, novembro 26, 2007

DA MINHA JANELA


Da minha janela, eu vejo...


Vejo o mar,

Sempre belo e poderoso

Quer seja azul, preguiçoso,

Ou cinzento e alteroso...


Vejo a praia, que ele beija

e onde espalha a branca espuma

Que a areia tanto deseja,

Ciosa como nenhuma...


Vejo os barcos ancorados,

De proa brilhando ao sol.

Guardam no bojo, assombrados,

Histórias que o mar lhes contou,

E que acrescentam ao rol...


Vejo a calçada, tão bela,

Com palmeiras enfeitada,

Alisando as pedras, contente,

Pr'acolher toda essa gente

Que nela caminha, apressada,

Ou que nela pisa, somente...


E vi também,

Deslumbrada,

Uma lua desenhada

Na noite que escurecia.

De laranja estava pintada

E subia, preguiçosa,

Cheia de graça, encantada,

Até ficar prateada,

Imensa, desavergonhada,

Que nada deixa esconder...


Da minha janela, eu vejo...

Vejo o belo acontecer...
Foto de Luis Carreira, (tirada da net)

sábado, novembro 24, 2007

DIZ QUE ATÉ NÃO É UM MAU BLOG

Com tantos amigos e amigas não podia deixar de aceitar com muito prazer a distinção que me foi atribuida com este prémio. O meu obrigado ao C. Valente, espero que seja um incentivo para continuar...


Eis os parâmetros inerentes á condição:
1. Este prémio deve ser atribuído aos blogs que consideras serem bons, entende-se como bom os blogs que costumas visitar regularmente e onde deixas comentários.
2. Só e somente se recebeste o prémio “Diz que até não é um mau blog”, deves escrever um post:
- Indicando a pessoa que te deu o prémio com um link para o respectivo blog;
- A tag do prémio;
- As regras;
- E a indicação de outros 7 blogs para receberem o prémio.
3. Deves exibir orgulhosamente a tag do prémio no teu blog, de preferência com um link para o post em que falas dele.

E os meus nomeados são:

kalinka
vieira calado
mixtu
cusco
a.j.faria
vénus
o profeta

sábado, novembro 17, 2007

RENASCER


De Florbela Espanca

"Charneca em flor!"





Enche o meu peito, num encanto mago,
O frémito das coisas dolorosas...
Sob as urzes queimadas nascem rosas...
Nos meus olhos as lágrimas apago...


Anseio! Asas abertas! O que trago
Em mim? Eu oiço bocas silenciosas
Murmurar-me as palavras misteriosas
Que perturbam meu ser como um afago!


E, nesta febre ansiosa que me invade,
Dispo a minha mortalha, o meu bruel,
E já não sou, Amor, Soror Saudade...


Olhos a arder em êxtases de amor,
Boca a saber a sol, a fruto, a mel:
Sou a charneca rude a abrir em flor!

terça-feira, novembro 13, 2007

UM LIVRO, UMA PÁGINA, UMA FRASE


"Tinha a certeza de que não iria precisar dele até ao fim dos seus dias."


"GABRIEL GARCIA MÁRQUEZ"


(O AMOR NOS TEMPOS DE CÓLERA)


Esta foi a minha resposta ao gentil convite de Vénus de "Storm of Emotions".


Lanço agora o desafio aos amigos(as):


Isabel Filipe de "Art & Design de Isabel F."
Vieira Clado de "poesia de vieira calado"
A.J. Faria de "palavra entre palavras"
C.Valente de "c.valente"
Mixtu de "mixtu"
As dicas estão aqui:

quarta-feira, novembro 07, 2007

CITAÇÃO


Experiência

não é o que acontece

com o ser humano;

é o que o ser humano faz

com o que lhe acontece.



Aldous Huxley

terça-feira, outubro 30, 2007

EVASÃO


Batendo as asas que não tenho

Fujo deste nada onde me agarras

E parto para lá do infinito,

Onde se partem todas as amarras

E os sonhos jamais são interrompidos.


Inventarei cada dia um novo verso,

Feito de palavras sem sentido

Que mostrem o verso e o reverso

Dum amor que pra sempre está perdido.


E à noite,

Quando a luz branca do luar

As minhas sombras vier iluminar,

Eu gritarei baixinho

Pra ninguém escutar

Que morro de saudade de te amar.

terça-feira, outubro 23, 2007

OUTONO


É Outono,
Na hora do entardecer.
O céu, feito de nuvens coloridas,
Tinge de púrpura as horas esquecidas
Que antecedem o anoitecer.


Caminho,
Pisando as folhas amarelas,
Castanhas e vermelhas
Que atapetam as veredas
E sonho transformar-me numa delas.


Pouco a pouco,
Sou levada pela brisa,
Solta...
Leve, tão leve
Que perco a substância
E deixo até de ser,
Ficando a existir só a paisagem,
Pintura, visão, miragem,
Pintada a pinceladas de prazer...


segunda-feira, outubro 15, 2007

ESTRELAS NO OLHAR


Ela caminha apressada
Pela calçada nua e molhada.

No olhar,
Uma estrela desenhada,
Que um dia tomou como sua
E jurou vir a alcançar.

Absorta,
Segue em frente,
Sem nunca desanimar.
Lá no alto,
A sua estrela
Na noite escura,
A brilhar.

Na calçada, de tão gasta,
Ela chega a tropeçar,
Mas não desiste.
Está segura
Daquela estrela alcançar.

Quando um dia , finalmente
A sua mão lhe tocar,
Toda ela será luz!
Nunca mais a noite escura,
Haverá sempre luar.


quarta-feira, outubro 10, 2007

VOANDO, SE ALCANÇA O CUME


Nenhum pássaro
voa alto demais,
se voa com as próprias asas.
William Blake

domingo, setembro 30, 2007

TODA A NOITE


Toda a noite ouvi a tua voz.

Cada vez mais perto dos ouvidos,

feita de recusas e promessas,

enigmas por dentro dos sentidos

como se fossem versos às avessas.


Toda a noite ouvi a tua voz.

Cada vez mais quente de loucura,

suspirando um desejo insatisfeito,

Inventando palavras na procura

de escrever um verso mais perfeito.


Toda a noite ouvi a tua voz.

Mas vesti-a de amor e fantasia,

dei-lhe cor, luz e movimento.

E quando de manhã nasceu o dia,

era um poema a ondular ao vento.


De Albino Santos

"A VOZ E O VERSO"

segunda-feira, setembro 17, 2007

PRIMEIRO AMOR


Percorrendo os caminhos da memória

Eu mergulho num mundo de emoções...

Revivo, passo a passo, aquela história

Que fez bater os nossos corações.

.

Não me esqueci nunca do teu rosto,

Nem do brilho que havia em teu olhar!

Do teu beijo, eu sinto ainda o gosto,

Sabia a frutos frescos e a mar...

.

Foi um tempo de amor e exaltação,

Em que o infinito era a nossa meta!

Quando partiste, eu fiquei sem chão

E com a vida p'ra sempre incompleta.

.

Os amores que de então p'ra cá vivi

Foram sempre um pálido reflexo

Desse outro, que contigo descobri

E permanece em mim, num doce amplexo...

Baby

17/09/2007

domingo, setembro 09, 2007

CANETA DE OURO (1 NOMEAÇÃO)


Esta nomeação foi uma gentileza de Vieira Calado
pelo meu poema "Palavras ao Vento"
Obrigada!
.
Indico os seguintes poemas e poetas:
1. Poema "O Brilho do teu Olhar" de Cacharel
2. Poema " Curva Esculpida" de Vênus
3. Poema "Fingidor" de Vieira Calado
4. Poema "Grito" de C. Valente
5. Poema " Lua Minguante " de Isabella Benicio
.
O prémio foi idealizado por


segunda-feira, setembro 03, 2007

PALAVRAS AO VENTO


Chegam de novo as palavras...
Esses pedaços de nós
Que oferecemos um ao outro
Sem precisarmos de voz.

São como seiva da gente,
Espessa e doce como mel.
Nunca mais volte o silêncio
Feito do amargo de fel.

Quero-as feitas de ternura,
Desenhadas com paixão
Que me levem à loucura,
Nos braços da emoção.

Depois lanço-as ao vento
Na hora da madrugada,
Partirão como um lamento,
Rubras, como a alvorada...


2007/09/03



quinta-feira, agosto 23, 2007

ESPERA


Vou esperar
De pé,
Não sentada,
Como quem espera
Desesperançada.


Vou esperar
Cheia de fé
E acreditar
Que no fim da minha estrada,
Há um lugar feito de paz
Onde vou erguer a minha casa.
Bem no cimo duma escarpa,
Onde possa olhar o mar.

Terá inúmeras janelas
E estarei em todas elas,
Quando à tarde te esperar.
As telhas, de vidro polido,
Deixarão passar o sol
Num jorro de luz incontido.
Nada ficará encoberto,
Nada ficará escondido.
O riso, sempre por perto.
O Amor, nunca esquecido.


E à noite, fora de portas,
Ouvindo o canto do mar,
Só nós dois, a horas mortas,
Banhados pelo luar.


Eu preciso te encontrar...
Baby, 23/08/2007

domingo, agosto 12, 2007

SÚPLICA


Hoje Miguel Torga faria 100 anos.

Quero recordá-lo e homenageá-lo, suplicando com a poesia que ele nos deixou.


Agora que o silêncio é um mar sem ondas
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.


Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.


domingo, julho 29, 2007

É URGENTE PERMANECER


E porque é urgente, eu volto para calçar as velhas botas que vestiram todos os meus passos, enquanto caminhei pela seara verde. Deixei-as ficar para que se não apagassem de vez os vestígios dessa minha passagem e elas permaneceram, ganharam raízes e cobriram-se de musgo, vivo, verde e viçoso...
E à laia de reabertura, ofereço a todos vós e a mim também, um belo poema de
Eugénio de Andrade:
É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
Ódio, solidão e crueldade
Alguns lamentos,
Muitas espadas.
É urgente inventar a alegria,
Multiplicar os beijos, as searas,
É urgente descobrir rosas e rios
E manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros
E a luz impera até doer.
É urgente o Amor,
É urgente permanecer.

segunda-feira, junho 04, 2007

PASSAGEM


Deixo esta papoila singela, como símbolo da minha passagem por esta imensa seara verde, que foi para mim a blogosfera e deixo também um abraço caloroso.

quinta-feira, maio 24, 2007

AMOR ANTIGO


Tinha que te vir dizer
Que hoje a vida regressou!
Andei morta, sem ter mãos,
Sem ter nada p’ra fazer.
O meu rosto era um borrão,
Meus olhos não queriam ver

Agora, através da vidraça,
Vejo que tudo mudou.
A brisa afaga quem passa,
Os barcos brilham na água,
E o Sol derrete, sem pena,
A tua e a minha mágoa.

A calçada, tão polida,
Está fervilhando de cor…
Tanta gente, quanta gente!
Mas uma pessoa só
Vai devagar, não tem pressa,
O porto está ali, a uma braça…

E o túnel escuro e fundo
Por onde caminhei perdida.,
Já pertence a outro mundo!
E eu já corro, destemida,
Confiante que à chegada
Estarás…p’ra me abraçar

De encontro ao peito,
Esse peito
De granito todo feito,
Mas tão quente no tocar!
Lá dentro, arde o meu fogo,
Esse fogo
Onde me quero queimar!

sábado, maio 12, 2007

RECADO


De António Lobo Antunes
Letrinhas de cantigas


Estou aqui como se te procurasse
A fingir que não sei aonde estás.
Queria tanto falar-te e se falasse
Dizer as coisas que não sou capaz.
.
Dizer, eu sei lá, que te perdi
Por não saber achar-te à minha beira
E na casa deserta então morri
Com a luz do teu sorriso à cabeceira.
.
Queria tanto falar-te e não consigo
Explicar o que se sofre, o que se sente
E perguntar como ao teu retrato digo
Se queres casar comigo novamente.

quarta-feira, abril 25, 2007

MERGULHAR NO MAR

Qualquer um pode dizer:
Perdi alguém
Ou mesmo sem dizer
Sentir desaparecer
O que perdeu
E mergulhar no mar
Que há dentro de si
Qualquer um pode dizer
Eu amo alguém
Ou mesmo sem dizer
Sentir nascer
(como um poema)
Um outro amor
E subir à montanha
Que há dentro de si
Mas ninguém pode calar
Dentro de si
O sentir
O perder
O poema
O amor
O nascer
Descer à montanha
Mergulhar no mar
E esquecer...
(Do poema Reflexão de Albino Santos)

Rosas

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