domingo, outubro 12, 2008

FÉRIAS

Vêem aquele barquinho branco?
É lá que vou passar os próximos 17 dias!
Depois vos conto...
.
Entretanto deliciem-se com a música caribenha
No fim da página há mais uma melodia do caribenho

segunda-feira, outubro 06, 2008

SELO PRÉMIO DARDOS

Recebido de Luiz Caio / Brasil


Informações sobre o Prémio Dardos
“Com o Prêmio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.Quem recebe o “Prêmio Dardos” e o aceita deve seguir algumas regras:
1. - Exibir a distinta imagem;
2. - Linkar o blog pelo qual recebeu o prêmio;
3. - Escolher quinze (15) outros blogs a que entregar o Prêmio Dardos.”


Repasso por mérito e por amizade para:
.

quinta-feira, setembro 25, 2008

MOMENTO


Com a tua mão na minha
Caminharei sem medo
No vazio que existe em mim,
Habitá-lo-ei como se fosse uma andorinha
E terei de novo a fortaleza dum rochedo.

Com a tua mão na minha,
Serei enfim o teu olhar,
Guiar-te-ei pelos caminhos
Que tu já não queres ver,
Serei também a tua boca
Na ideia louca
De te fazer falar.

Os dois seremos tudo
E também seremos nada,
Apenas duas mãos
Arrancadas de um todo
Que tinha alma e corpo
E hoje não tem nada.
Apenas num momento...
A tua mão na minha.

quarta-feira, setembro 17, 2008

OUTONO


Um leve aroma de Outono

Faz lembrar que é já passado

O trepidante Verão.

As manhãs frescas e claras

Fazem esquecer as outras,

Tão cheias de agitação.

.

As tardes ainda quentes

São pintalgadas de cor,

Deixam ficar as sementes

Dum tempo feito de amor.

.

E quando a noite se mostra,

branca, feita de luar,

Fico inquieta à procura

De vislumbrar teu olhar.

.

No coração a vontade

De esvaziar a ternura,

Deixar a saudade entrar.


segunda-feira, setembro 15, 2008

SOLIDARIEDADE: JUSTIÇA para FLÁVIA

Por ti FLÁVIA
E por tua mãe ODELE
Que como uma guerreira
Luta há anos pelo direito à Justiça,
Eu estou presente
E junto-me a todos
Os que estão hoje aqui,
Em uníssono,
Expressando a sua solidariedade
E clamando por
JUSTIÇA PARA FLÁVIA!

terça-feira, setembro 09, 2008

DÁDIVA



Deixo-te um livro e uma canção
para saciar a alma…
.
Deixo-te os meus poemas
para que encontres neles o meu desejo...
.
Deixo-te um sorriso e um perfume
para me seduzires…
.
Deixo-te o brilho da lua nos teus olhos
para acenderes esta noite...
.
Deixo-te um beijo molhado
para emudecer o fogo...
.
Deixo-te a ternura das minhas mãos
para que te revelem...
.
Deixo-te uma taça do melhor vinho
para aplacares a sede…
.
Ao beberes pelos teus lábios
sentirás que são meus…
.
Deixei um beijo na taça
Vinho melhor, nem nos céus!...

Poema de

Albino Santos (Diálogo de Sombras)
"Sorriso" encontrado na net.

domingo, agosto 31, 2008

CINCO SENTIDOS


Há dias em que não sei
Para que quero eu as mãos,
Se com elas não te sinto,
Quando em silêncio, no escuro,
Eu desenho o teu perfil.
.
E os meus olhos alagados?
Se com eles eu não vejo
A côr da tua paixão
Mesmo quando te procuro
com os outros,
Os olhos do coração.
.
E também perdi o cheiro,
O cheiro que o amor tem,
Subtil e doce
Que eu lembro,
Intenso e acre, também.
.
Não ouço o canto dos pássaros,
Nem o vento
que me açoita com desdém
E me rouba as palavras sussurradas
Que a saudade constroi nas madrugadas.
.
E o gosto que a vida tem?
Não lhe encontro nenhum gosto,
Perdi o gosto,
Também.
Imagem tirada da net.

segunda-feira, agosto 25, 2008

quarta-feira, agosto 13, 2008

ESCREVER

Escrever
É soltar os pássaros
Feitos prisioneiros no infinito do meu eu,
É dar-lhes asas
Bordadas de mil letras
Ora brilhantes,
Ora escuras como breu.
É construir palavras
Unidas pela mão,
Que partem em silencio
E me expõem,
Nua e indefesa
Perante a multidão.
É mostrar
A quem me quiser ler
Os sonhos incompletos e rasgados
Sonhados nas noites sem te ter,
Os risos desgarrados
Chorados sem querer
Quando sofrida tento reverter
As dores que me incendeiam,
Pintando no meu rosto
Um simulacro de prazer.
Escrever
É gerar um filho nas horas de lazer,
É soltá-lo no mundo
Feito livro p'ra se ler
Livro onde se esconde a luz branca do luar,
Mas também a noite escura
E as cores do alvorecer.
Onde há sonhos por sonhar
E tantas horas de amargura.
Onde há dias por viver
Na espera dum só dia
Com mil pássaros a voar.

quarta-feira, agosto 06, 2008

É A MANHÃ CHEIA...



É a manhã cheia de tempestade

no coração do verão.

.

Como lenços brancos de adeus viajam as nuvens

que o vento sacode com viageiras mãos.

.

Inumerável coração do vento

pulsando sobre o nosso silêncio apaixonado.

.

Zumbindo entre as árvores, orquestral e divino,

como uma língua cheia de guerras e de cantos.

.

Vento que leva em rápido roubo a ramaria

e desvia as flechas latentes dos pássaros.

.

Vento que a derruba em onda sem espuma

e substância sem peso, e fogos inclinados.

.

Despedaça-se e submerge o seu volume de beijos

combatido na porta do vento de verão.

Do livro Vinte Poemas de Amor

e

Uma Canção Desesperada

de PABLO NERUDA

segunda-feira, julho 28, 2008

REGISTO

Dentro de ti eu fiquei
enquanto tu me quiseste
e eu me senti amada
.
Nos teus olhos eu morei
na tua boca busquei
a rima para os meus versos
.
Dos teus braços fiz meu leito
e no meu sono imperfeito
muitos sonhos eu sonhei
.
As palavras que eram beijos
e em silêncio se davam,
quentes, rubras de desejo
.
Hoje são feitas de nada...
Um vazio me dilacera
por não me sentir amada.

terça-feira, julho 22, 2008

ESPERA


De António Lobo Antunes: Vodka e Valium 10.
Quem me espera não me espera
Quem me ama já esqueceu
Quem me toca dilacera
Esta estranha Primavera
Que o mês de Maio me deu
.
Eu já nem sei o que tenho
Se febre, se mal ruim
Se este sentimento estranho
De não ser de onde venho
Comigo longe de mim.
.
E assim fico sentado
Com as algas a boiar
De queixo na mão pousado
Ó meu barquinho parado
Sem porto para ancorar.
.
Quem me espera não me espera
Quem me ama já esqueceu
Quem me toca dilacera
Esta estranha Primavera
Que o mês de Maio me deu.

domingo, julho 06, 2008

COMO AS ÁGUAS DUM RIO


E a vida desliza,
tão macia e lenta
tão cheia de luz,
tão cheia de graça
como as águas tranquilas
dum rio que caminha em direcção ao mar...
...
Esse mar que o espera
para o abraçar.
...
E o vento que sopra
quando o dia amanhece
vem roubar meus sonhos
e os leva p'ra longe,
percorrendo vales,
subindo montanhas
e então acontece
que eles se dispersam em mil asas brancas
que voam planando
e por fim mergulham
no meio do mar...
...
Esse mar que os espera
para os abraçar...

domingo, junho 22, 2008

FOI O AMOR QUE VOLTOU


O tempo que passa
não passa,
perdura.
Foi o amor que voltou
resplandecente de luz
nas manhãs claras,
ardendo por dentro
nas tardes soalheiras
vestido de luas
nas noites de prata,
espalhando lembranças de ti e de mim...

E o tempo parado,
espera sem pressa
que a porta se abra,
que o fogo se ateie,
nos queime de novo
nesse templo sagrado
onde habita o Amor.

domingo, junho 08, 2008

DEIXA FICAR

Deixa ficar comigo a madrugada,
para que a luz do Sol me não constranja.
Numa taça de sombra estilhaçada,
deita sumo de lua e de laranja.

Arranja uma pianola, um disco, um posto,
onde eu ouça o estertor de uma gaivota...
Crepite, em derredor, o mar de Agosto...
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!

Depois, podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os lençóis o lume do teu peito...

Podes partir. De nada mais preciso
para a minha ilusão do Paraíso.

David Mourão-Ferreira

David Mourão Ferreira * Parque dos Poetas * Oeiras (Maio 2008)

terça-feira, maio 27, 2008

AINDA E SEMPRE AS "PALAVRAS"


São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio
Outras,
orvalho apenas
.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade

terça-feira, maio 13, 2008

COMO PÁSSAROS NO INFINITO


Como vês, meu amor, as palavras não estão gastas,
estão apenas esquecidas
e se um vento as estremece,
elas erguem-se uma a uma
e crescem, crescem
como hastes floridas.
. .
E então o Sol aquece,
a natureza de rosa se matiza,
os campos desabrochan em cachos coloridos,
tornando tudo tão intenso e belo
que sinto ter valido a pena ter nascido.
.
Cada palavra renascida
É como seiva quente
que alimenta a minha vida
e me transforma num pássaro
que voa no infinito para sempre.

sábado, maio 03, 2008

POR ONDE ANDAM AS PALAVRAS?


Quando o desânimo nos agarra, tudo nos parece cinzento e apagado e apetece dizer como o fez Eugénio de Andrade no seu poema

ADEUS.

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio,
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
Gastámos as mãos à força de as apertarmos,
Gastámos o relógio e as paredes das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tinhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava, mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes
e eu acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco,mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inutil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.
Eugénio de Andrade

terça-feira, abril 22, 2008

NÃO ME IMPORTO

MIMO

Da minha amiga Benó, chegou-me este desafio, que não pude deixar de aceitar!
Estou, pois, disposta a partilhar convosco algumas "coisitas" que não me importo de fazer.

E as regras são:
* Colocar o link da pessoa que nos mimou
* Colocar as regras no blog
* Partilhar 6 coisas que não nos importamos de fazer
* Mimar 6 pessoas para fazer o mesmo
*Avisar essas pessoas, deixando um comentário nos seus blogs.

E para que o jogo continue, eu eu vou mimar:
Eliane

tulipa
fernanda & poemas
gerlane
literatura
C.Valente

Aqui vos confidencio...
Não me importo de ser uma romântica assumida e de sonhar acordada até ser velhinha.
Não me importo de contemplar todos os dias "a minha baía", com os barcos reluzindo ao sol da tarde e pintando as águas quietas com franjas de luz dourada.
Não me importo de passar horas pintando as minhas porcelanas, enquanto a música me preenche todos os vazios.
Não me importo de ver chover um dia inteiro, ainda que não possa sentir o cheiro da terra molhada, que guardo da minha infância.
Não me importo de gastar o tempo que for preciso em busca de uma imagem ou de uma música,
para enfeitar as palavras que partilho convosco, aqui, no BARLAVENTO.
Não me importo de correr contra o vento, se ele soprar na direcção errada.

E agora que que cumpri o desafio, muito em segredo eu digo... importo-me um tantinho de responder a estes desafios....

sexta-feira, abril 11, 2008

NÃO DISSE NADA, AMOR



Quantas vezes queremos dizer e não dizemos,
Quantas vezes dizemos o que não queremos...

Não disse nada, amor, não disse nada:
foi o rio que falou com a minha voz
a dizer que era noite e é madrugada
a dizer que eras tu e somos nós.
.
A dizer os mil rostos e Lisboa
ao longo do teu rosto se te beijo.
À luz de um pombo chamo Madragoa
e Bairro Alto ao mar se te desejo.
.
Não disse nada, amor. Juro, calei-me:
foi uma voz que ao longe se perdeu.
Cuidei que era Lisboa e enganei-me
pensei que éramos dois e sou só eu.
António Lobo Antunes,
Letrinhas de Cantigas

Rosas

Rosas
Especialmente para ti, amigo visitante

Arquivo do blogue