domingo, setembro 30, 2007

TODA A NOITE


Toda a noite ouvi a tua voz.

Cada vez mais perto dos ouvidos,

feita de recusas e promessas,

enigmas por dentro dos sentidos

como se fossem versos às avessas.


Toda a noite ouvi a tua voz.

Cada vez mais quente de loucura,

suspirando um desejo insatisfeito,

Inventando palavras na procura

de escrever um verso mais perfeito.


Toda a noite ouvi a tua voz.

Mas vesti-a de amor e fantasia,

dei-lhe cor, luz e movimento.

E quando de manhã nasceu o dia,

era um poema a ondular ao vento.


De Albino Santos

"A VOZ E O VERSO"

segunda-feira, setembro 17, 2007

PRIMEIRO AMOR


Percorrendo os caminhos da memória

Eu mergulho num mundo de emoções...

Revivo, passo a passo, aquela história

Que fez bater os nossos corações.

.

Não me esqueci nunca do teu rosto,

Nem do brilho que havia em teu olhar!

Do teu beijo, eu sinto ainda o gosto,

Sabia a frutos frescos e a mar...

.

Foi um tempo de amor e exaltação,

Em que o infinito era a nossa meta!

Quando partiste, eu fiquei sem chão

E com a vida p'ra sempre incompleta.

.

Os amores que de então p'ra cá vivi

Foram sempre um pálido reflexo

Desse outro, que contigo descobri

E permanece em mim, num doce amplexo...

Baby

17/09/2007

domingo, setembro 09, 2007

CANETA DE OURO (1 NOMEAÇÃO)


Esta nomeação foi uma gentileza de Vieira Calado
pelo meu poema "Palavras ao Vento"
Obrigada!
.
Indico os seguintes poemas e poetas:
1. Poema "O Brilho do teu Olhar" de Cacharel
2. Poema " Curva Esculpida" de Vênus
3. Poema "Fingidor" de Vieira Calado
4. Poema "Grito" de C. Valente
5. Poema " Lua Minguante " de Isabella Benicio
.
O prémio foi idealizado por


segunda-feira, setembro 03, 2007

PALAVRAS AO VENTO


Chegam de novo as palavras...
Esses pedaços de nós
Que oferecemos um ao outro
Sem precisarmos de voz.

São como seiva da gente,
Espessa e doce como mel.
Nunca mais volte o silêncio
Feito do amargo de fel.

Quero-as feitas de ternura,
Desenhadas com paixão
Que me levem à loucura,
Nos braços da emoção.

Depois lanço-as ao vento
Na hora da madrugada,
Partirão como um lamento,
Rubras, como a alvorada...


2007/09/03



quinta-feira, agosto 23, 2007

ESPERA


Vou esperar
De pé,
Não sentada,
Como quem espera
Desesperançada.


Vou esperar
Cheia de fé
E acreditar
Que no fim da minha estrada,
Há um lugar feito de paz
Onde vou erguer a minha casa.
Bem no cimo duma escarpa,
Onde possa olhar o mar.

Terá inúmeras janelas
E estarei em todas elas,
Quando à tarde te esperar.
As telhas, de vidro polido,
Deixarão passar o sol
Num jorro de luz incontido.
Nada ficará encoberto,
Nada ficará escondido.
O riso, sempre por perto.
O Amor, nunca esquecido.


E à noite, fora de portas,
Ouvindo o canto do mar,
Só nós dois, a horas mortas,
Banhados pelo luar.


Eu preciso te encontrar...
Baby, 23/08/2007

domingo, agosto 12, 2007

SÚPLICA


Hoje Miguel Torga faria 100 anos.

Quero recordá-lo e homenageá-lo, suplicando com a poesia que ele nos deixou.


Agora que o silêncio é um mar sem ondas
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.


Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.


domingo, julho 29, 2007

É URGENTE PERMANECER


E porque é urgente, eu volto para calçar as velhas botas que vestiram todos os meus passos, enquanto caminhei pela seara verde. Deixei-as ficar para que se não apagassem de vez os vestígios dessa minha passagem e elas permaneceram, ganharam raízes e cobriram-se de musgo, vivo, verde e viçoso...
E à laia de reabertura, ofereço a todos vós e a mim também, um belo poema de
Eugénio de Andrade:
É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
Ódio, solidão e crueldade
Alguns lamentos,
Muitas espadas.
É urgente inventar a alegria,
Multiplicar os beijos, as searas,
É urgente descobrir rosas e rios
E manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros
E a luz impera até doer.
É urgente o Amor,
É urgente permanecer.

segunda-feira, junho 04, 2007

PASSAGEM


Deixo esta papoila singela, como símbolo da minha passagem por esta imensa seara verde, que foi para mim a blogosfera e deixo também um abraço caloroso.

quinta-feira, maio 24, 2007

AMOR ANTIGO


Tinha que te vir dizer
Que hoje a vida regressou!
Andei morta, sem ter mãos,
Sem ter nada p’ra fazer.
O meu rosto era um borrão,
Meus olhos não queriam ver

Agora, através da vidraça,
Vejo que tudo mudou.
A brisa afaga quem passa,
Os barcos brilham na água,
E o Sol derrete, sem pena,
A tua e a minha mágoa.

A calçada, tão polida,
Está fervilhando de cor…
Tanta gente, quanta gente!
Mas uma pessoa só
Vai devagar, não tem pressa,
O porto está ali, a uma braça…

E o túnel escuro e fundo
Por onde caminhei perdida.,
Já pertence a outro mundo!
E eu já corro, destemida,
Confiante que à chegada
Estarás…p’ra me abraçar

De encontro ao peito,
Esse peito
De granito todo feito,
Mas tão quente no tocar!
Lá dentro, arde o meu fogo,
Esse fogo
Onde me quero queimar!

sábado, maio 12, 2007

RECADO


De António Lobo Antunes
Letrinhas de cantigas


Estou aqui como se te procurasse
A fingir que não sei aonde estás.
Queria tanto falar-te e se falasse
Dizer as coisas que não sou capaz.
.
Dizer, eu sei lá, que te perdi
Por não saber achar-te à minha beira
E na casa deserta então morri
Com a luz do teu sorriso à cabeceira.
.
Queria tanto falar-te e não consigo
Explicar o que se sofre, o que se sente
E perguntar como ao teu retrato digo
Se queres casar comigo novamente.

quarta-feira, abril 25, 2007

MERGULHAR NO MAR

Qualquer um pode dizer:
Perdi alguém
Ou mesmo sem dizer
Sentir desaparecer
O que perdeu
E mergulhar no mar
Que há dentro de si
Qualquer um pode dizer
Eu amo alguém
Ou mesmo sem dizer
Sentir nascer
(como um poema)
Um outro amor
E subir à montanha
Que há dentro de si
Mas ninguém pode calar
Dentro de si
O sentir
O perder
O poema
O amor
O nascer
Descer à montanha
Mergulhar no mar
E esquecer...
(Do poema Reflexão de Albino Santos)

sexta-feira, abril 13, 2007

Pensamento


Quem possui a faculdade de ver a beleza não envelhece.

Franz Kafka

quarta-feira, março 28, 2007

DE SAUDADE



De Vinicius de Morais:
CHEGA DE SAUDADE

Vai, minha tristeza
E diz a ela
Que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer

Chega de saudade,
A realidade é que sem ela
Não há paz, não há beleza
É só tristeza, e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim
Não sai

Mas se ela voltar
Se ela voltar, que coisa linda
Que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei
Na sua boca…

Dentro dos meus braços
Os abraços hão-de ser
Milhões de abraços apertado assim
Colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos
Sem ter fim
Que é p’ra acabar com esse negócio
De viver longe de mim
Que é p’ra acabar com esse negócio
De você viver assim
Vamos deixar desse negócio
De você viver sem mim

sexta-feira, março 16, 2007

PÁGINAS INVENTADAS


No meu peito há um vazio feito de nada,

Porque a nada reduzi minhas lembranças,

Naquela longa e fria madrugada.

.

Alegrias, tristezas e também os desenganos

Matizaram os meus dias e os anos

Que vivi em busca dos meus sonhos,

Esses sonhos que sonhei, tantas vezes acordada.

.

Mas nas páginas do livro que é a Vida,

Tudo se pode escrever... mesmo sendo fantasia!

Esquecer, reinventar a fé perdida,

São promessas que a mim faço

Sempre que volto a página do meu livro de poesia.

.
Baby

quinta-feira, março 08, 2007

MULHER



De Sophia de Mello Breyner Andresen, Retrato de Mulher


Algo de cereal e de campestre
Algo de simples em sua claridade
Algo sorri em sua austeridade


terça-feira, fevereiro 27, 2007

O BAILE


Adormeço

E lembro aquela noite

Em que saí para dançar...

.

Deslizava pelo salão

Levada pelos braços do meu par

Como uma folha esvoaçando com a brisa,

Leve, leve e solta como quem não pisa

O chão,onde os pés costumam assentar.

.

Depois, foi o tango desejado...

O tango, que é tal qual a minha vida.

Intenso, sensual e tão marcado,

Uma paixão jamais interrompida!

.

E sem amarras

E sem querer parar,

Dancei, dancei, dancei...

E como sempre,

Quando danço

Esqueço quem eu sou,

De onde venho

E para onde vou!


Baby

terça-feira, fevereiro 20, 2007

ENSAIO NO FEMININO


Porque achei interessante, apeteceu-me partilhar convosco um breve trecho dum romance de Faíza Hayat, intitulado "O Evangelho segundo a serpente", e quem sabe, nós, as mulheres, tiremos dele uma pequenina lição...
.
A minha mãe era um ser livre. Uma ave à solta num alto céu de verão. Costumava dizer que os homens são como as chuvas, imprescindíveis à vida, revigorantes, mas quando chegam, e em se demorando um pouco mais, logo sentimos saudades dos dias de sol.
"Reparem", dizia, " a palavra solidão está cheia de sol!"
Gostava de citar Marguerite Duras: "Não se encontra a solidão. Somos nós que a construímos." Citava Pablo Picasso: "Nada pode ser feito sem a solidão. Eu mesmo criei para mim uma solidão da qual ninguém suspeita." Citava Tchekov: "Se tens medo da solidão então não te cases." Citava Fernando Pessoa, aliás, Bernardo Soares: "As mal casadas são todas as mulheres casadas e algumas solteiras."
Estou hoje um pouco melancólica, bem sei. Mas reparem, repara tu também, Filipa, onde quer que estejas, que assim como há sol na palavra solidão, há mel na palavra melancolia.Tanto mel. Os homens, minha querida mãe, ao menos aqueles que tenho conhecido, não cultivam a memória. Ao contrário, exercitam o esquecimento. Há vantagens nisto, sabes? Os homens sempre me pareceram muito menos rancorosos do que as mulheres. O rancor exige uma boa memória. Um homem que nunca sabe onde guardou a chave de casa, os óculos ou o telemóvel, e são quase todos, deve ter também alguma dificuldade em guardar rancores. Acho que é por isso que, de uma forma geral, os homens envelhecem menos rapidamente do que nós. O rancor provoca rugas. Tira brilho ao cabelo. Torna as unhas quebradiças. A longo prazo, mata. Se bem que a longo prazo tudo mata.
Devíamos periodicamente recorrer a uma espécie de cerimónia do olvido, como quem vai à sauna, para limpar a alma das lembranças más. O amor e o rancor são difíceis de conciliar. Guardar um e outro no coração, e esperar que resulte, é como encerrar muma mesma jaula um leão e um cordeiro, e esperar que o cordeiro submeta o leão. O pior é que depois que tudo termina os homens partem felizes e desmemoriados, e nós ficamos sozinhas com o lume amargo do nosso rancor.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

CAMINHANDO




Caminhando no verso e no reverso
que busco entre penumbras e tristezas?
Se de todas as mais duras incertezas ´
até a mim confundo e me disperso?
.
Se cheguei até aqui, foi por te amar!
Para quê então todos os meus passos
se na hora de chegar para te abraçar
não puder ter-te nos meus braços?
.
És a parte de mim que falta e dói.
De ti distante, a outra parte sou eu.
Sou cada sorriso que de mim se foi,
sou a parte de mim que perdeu.
.
Mas nesta vã e pressentida incerteza,
o poema diz que o meu longe é aqui.
Mesmo tendo contra mim a natureza
eu sei que o meu longe está em ti...
.
De Albino Santos
Poema O MEU CAMINHO

sexta-feira, janeiro 26, 2007

PALAVRAS SÃO COMO BEIJOS


Palavras...
São como beijos
Que afloram a minha alma.
São seiva que me alimenta,
São promessa que me acalma.

São pedaços de quem ama,
Feitas de sonhos perfeitos
Sonhadas em qualquer cama,
Por entre lençóis desfeitos.

Enlaçadas uma a uma,
Falam comigo em segredo,
São como ondas de espuma,
Onde mergulho, sem medo.

Outras há, feitas de lume
Que acendem uma fogueira.
Ardem no peito da gente,
Que grita, sem um queixume.

Palavras...
Às vezes, durmo com elas,
Atadas com nós e laços...
Acordam ainda mais belas,
Presas a mim, como abraços.
Baby

sexta-feira, janeiro 19, 2007

ENTRE AMIGOS

Hoje tinha que vir falar de Amigos, amigos que já tinha e os que aqui ganhei, amigos que são o meu suporte, a minha alegria, a minha fé no amanhã!
Para isso, não encontrei nada melhor que as palavras que aqui vos deixo:

AMIGO

Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca a boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!

Alexandre O'Neill

segunda-feira, janeiro 08, 2007

MULHER GUERREIRA


Não se molda às circunstâncias

E se lhe privam o prazer,
Vira guerreira
Não aceita imposições

Vai em busca, indo à luta
Para não se deixar morrer!

Menina guerreira

Quer viver plenamente,
buscando, amando,
desejando, sonhando,
e sentindo o prazer de viver.

Moiro do Barlavento

domingo, dezembro 31, 2006

PASSAGEM DE ANO


A vida é uma constante passagem, de ano, de mês, de dia, hora, minuto e segundo.
Neste Ano de 2007, a que todos vamos erguer a nossa taça, saibamos viver cada momento com sabedoria, com espírito de solidariedade, com vontade de crescer, de fazer amigos e amar os que já temos.
A todos os que neste Ano de 2006 vieram até mim, com palavras de carinho e apreço, eu brindo e digo: OBRIGADA! Foram companhia, deram-me alento, ajudaram-me a crescer e a viver momentos imperdíveis.
E é com muita amizade que a todos eu desejo FELICIDADES.

Baby

quarta-feira, dezembro 20, 2006

É TEMPO DE NATAL


Tempo de amor e reconciliação,
De alegria e esperança no olhar!
No peito transborda a emoção
E a vontade de a todos abraçar.

Que este doce encanto que a todos envolve, fique nos vossos corações por toda esta época festiva e vos proporcione uma entrada feliz no Novo Ano.

domingo, dezembro 03, 2006

DEVANEIO


Neste dia melancólico
Em que o sol se esconde em ti,
Parto em busca dos teus olhos,
Uns olhos que nunca vi.

No dia em que os encontrar,
No meio da multidão,
Saberei que é o teu olhar,
Sem qualquer hesitação.

E se neles me perder,
(Oh que doce perdição...)
Será emfim pr'a viver
Um tempo de exaltação!

E depois, ao fim do dia
Ficaremos de mão dada,
Contemplando essa luz
Que dentro de ti se escondia...

Baby

quinta-feira, novembro 30, 2006

Não Sei se é Amor que Tens


Homenageando Fernando Pessoa, cuja morte ocorreu num dia 30 de Novembro, venho partilhar convosco um belo poema de um dos seus heterónimos.


Não sei se é amor que tens , ou amor que finges,
O que me dás. Dás-mo. Tanto me basta.
Já que o não sou por tempo,
Seja eu jovem por erro.
Pouco os deuses nos dão, e o pouco é falso.
Porém, se o dão, falso que seja, a dádiva
É verdadeira. Aceito,
Cerro olhos: é bastante.
Que mais quero?

Ricardo Reis

quinta-feira, novembro 23, 2006

ANSEIOS



Com a alma de Florbela Espanca e através das suas palavras, eu solto os meus anseios...

Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta a vastidão imensa!
Eu queria ser a pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!
Eu queria ser o Sol, a luz intensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore, tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!
Mas o mar também chora de tristeza...
As árvores, também, como quem reza,
Abrem aos céus os braços, como um crente!
E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as pedras... essas... pisa-as toda a gente!
De Florbela Espanca, "Desejos vãos"

terça-feira, novembro 14, 2006

A VIDA É FEITA DE CICLOS


As rosas que não trocámos
Jazem mortas pelos caminhos,
Por esses que em vão cruzámos
E onde hoje estamos sózinhos.
Quando um ciclo se encerra,
Fecho a porta, devagar.
Rosas nascerão da terra,
Amanhã...
Pra me alegrar.

Baby

domingo, novembro 05, 2006

HÁ UMA ROSA NA MANHÃ AGRESTE



Respiro.
E sei,
Assim,
Que já vieste!
Há uma rosa na manhã agreste...

De Pedro Homem de Melo

domingo, outubro 29, 2006

PALAVRAS FEITAS DE SONHOS


Fazes soltar as palavras
Que no meu peito germinam,
Feitas pássaros
Elas voam
Perdidas no infinito...
De noite, fazem-se luas
Que tudo à volta iluminam,
Rasgando a terra, num grito.

Baby

terça-feira, outubro 24, 2006

HÁ INFINITOS POR DETRÁS DE CADA BEIJO


Com este belo poema, convido cada um de vós a percorrer os infinitos que se
escondem por detrás de cada beijo...
De Frog
Clandestinas Madrugadas



Quando
A noite geme
Baixinho
E vagueamos
Clandestinas madrugadas

Quando
Te encolhes
No meu peito
Silencias nos meus braços
E te fazes tão imensa

Quando
O desejo nos enlaça
E as mãos se libertam
Ansiosas

Quando
O fogo nos consome
Num ímpeto de prazer
E de calor
Há momentos de sonho
E aventura
Há rios de amor
E de ternura
Há palavras rubras
De desejo
Há infinitos por detrás
De cada beijo
Há um corpo ardente
Que se abraça
Há lábios de fogo
E de loucura
Sedentos de beber
Na mesma taça.

terça-feira, outubro 17, 2006

O SONHO COMANDA A VIDA


Eu não deixei de sonhar
Depois da tua partida,
Sei que um dia vais voltar
E dar côr à minha vida.

Baby

terça-feira, setembro 26, 2006

HOJE


Hoje não vou.
Não vou nessa corrida desenfreada,
Atrás da vida desencontrada
Que do lado de lá
Me acena…
E me incita à caminhada.

Não vou.
Fico aqui,
Sentada,
Olhando o caminho,
Desanimada.
Cansei-me do pó da estrada,
Dos desencantos vividos,
Dos amigos que não são,
Da alegria roubada.

Fico aqui.
Quieta…
Sufocada pela solidão que mata,
Perdida já na saudade
Daquela vida…
Vida com hora marcada.

Baby

Foto recolhida em "Olhares.com"

Autor: Graça

quinta-feira, setembro 14, 2006

ETIQUETAS


Cristina, acedendo ao teu desafio, vou então tentar definir-me, com as 7 etiquetas pretendidas.

1. Gosto de viver a tempo inteiro, nunca me sobram tempos mortos, mas às vezes sinto falta deles para relaxar, pois sou uma pessoa nervosa e muito activa.

2. Sou impulsiva, apaixonada, às vezes possessiva, entrego-me demasiado às pessoas e às coisas e as consequências são previsíveis...

3. Adoro roupa, sapatos, quando vou às compras e gosto das coisas, compro, compro e isso faz-me feliz!

4. Gosto de sair, divertir-me, especialmente dançar, (tango...qualquer coisa), adoro cinema, um bom filme faz-me vibrar, gosto de ler e também de boa música, (tudo isto é muito subjectivo, como é óbvio...), mas a música funciona como uma catarse, deixa-me limpa de todas as dores.

5. Sou uma pessoa de hábitos, embora odeie a rotina. Incoerência?

6. Sou organizada, muito pontual. Gosto de segurança, (sou Touro), sentir que piso firme num chão que ajudei a construir.

7. Acho indispensável ter um Amigo(a) do peito, para partilhar a mágoa ou a alegria, quando sòzinha não consigo dominá-las...

Será que disse tudo? Nunca se consegue dizer tudo...

Baby

sábado, setembro 02, 2006

TANGO



Sem sol,
Sem chão
E sem cor,
Apenas a escuridão.
O meu tango,
Tão marcado,
Que dancei com tanto amor,
Está ali,
Despedaçado,
Sem maestro,
Sem música
E sem paixão.
O tango é a minha vida,
Eu não vivo sem dançar.
Quero bater,
Quero gritar,
Quero morder
E arranhar!
Quero dizer
E bem alto,
Que a vida é para viver
Não é para desperdiçar!
Quero dançar o tango,
Sempre, sempre,
Sem parar.
Baby

terça-feira, agosto 22, 2006

DIVAGAÇÕES

Não me encontro,
Nem tão pouco as palavras
Que antes fluíam
E da boca me fugiam
Num ritmo alucinante...

Feitas de letras tão vivas,
Eram prenhes de esperança,
Contavam histórias furtivas,
Num doce compasso de dança.

O sol está quente,
O mar, distante
E a areia ardente.

Calada,
Fechada a toda a gente
Que à minha volta se estende,
Olho p'ra longe
Buscando uma luz
Que não a do Sol,
Mas quente também,
Que me incendeie por dentro
E me preserve por fora,
Me solte as palavras
E num grito de guerra
As leve até ti,
Sem demora!

Baby

domingo, agosto 06, 2006

É BOM TER TEMPO...


É bom ter tempo para uma viagem.
Pode ser uma viagem curta, ou longa, tudo depende de tua disposição, tempo e dinheiro, mas o mais importante é ter tempo para apreciar a paisagem, as pessoas e os momentos e não ficar esperando apenas pela chegada ao local.

É bom ter tempo para uma boa leitura.
Lê um livro, mas procura tempo para ler e viajar com os personagens, onde a emoção puder te levar.

É bom ter tempo para o amor
Ama muito. Não te importes com as dores e as decepções do amor; mais infeliz é aquela que ainda não viveu um grande amor.

Moiro do Barlavento

terça-feira, agosto 01, 2006

F É R I A S

Estou quase de partida, mas voltarei depressa e cansada, decerto, mas foram as férias que escolhi.
A todos, um abraço e um até breve!
Baby

sábado, julho 15, 2006

CORAÇÃO AO RUBRO




















Rifa-se um coração
Que nunca aprende

Que não endurece
E mantém sempre viva
A esperança de ser feliz
Sendo simples e natural.

Um coração insensato
Que comanda o racional,
Sendo louco o suficiente
Para se apaixonar.

Rifa-se um coração
Que insiste em cometer
Sempre os mesmos erros.


Versos de Clarice Lispector
Foto de Jorge Palha (Olhares)

terça-feira, julho 04, 2006

INTERMITÊNCIAS DA VIDA


Dentro de ti vou ficar,
Enquanto tu me quiseres
E eu me sentir amada.


Breve foi minha passagem
Pelos prados verdes da vida.
Parto de novo em viagem,
Sem rumo, sem força,
Perdida.

Quero tão só vaguear
Bem alto, longe da dor.
Por fim encontrar um mar
Onde afogar este amor.

Nada é p'ra sempre na vida,
Nada, a não ser a morte.
Depois da mágoa esquecida,
Quem sabe eu volto
Com a força do vento norte?

Baby

sexta-feira, junho 23, 2006

SÃO JOÃO

Hoje acordei assim, a pensar nas marchas e na sardinha assada

QUADRAS DE SÃO JOÃO

Que bom esse ar de zangada
Porque, amor, uma fogueira
Quanto mais for arejada,
Mais depressa faz braseira!

Delicados pés pisaram
Rosmaninhos pelo chão
Muitos corações amaram
Na noite de São João

A festa vai começar
Com rosmanos e balão
Toda a gente vai dançar
Na noite de São João

São João para sonhar
Cá deste lado da Serra:
De dia, banhos no mar,
À noite, festas em terra

São João, p'ra ver as moças,
Fez uma fonte de prata.
As moças não vão à fonte,
São João todo se mata.

Meu querido São João,
És um Santo popular,
Traz teu arco e teu balão,
Vem com o povo dançar.

Alho porro e manjerico,
Em manhãs de orvalhadas,
Nasce o Sol e é bonito,
Vão-se as moças bem cansadas.

Quadras pilhadas na Net de autores não identificados

PROVÉRBIOS

Se o vento bailar, em noite de S. João, vai tardar o Verão.
Lavra por S. João, se queres ter pão.
Ande o Verão por onde andar, no S. João há-de chegar.
Chuva no S. João, talha o vinho e não dá pão.
Para o S. João, guarda a velha o melhor tição.
Sardinha de S. João, já pinga no pão.

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Partilhamos convosco QUADRAS e PROVÉRBIOS e esperamos fead-back

Uma excelente noite de São João

Mouro do Barlavento

sexta-feira, junho 09, 2006

TONTERIAS


  • Esta manhã fui à praia
    E levei o meu verdinho,
    Ele é lindo, luminoso,
    Tem enfeites de arco-íris,
    Resplandece, no caminho.

    Estendemo-nos na areia,
    Mesmo por baixo do Sol.
    Usámos, como peneira,
    E toda orlada de luz...
    Uma nuvem passageira.

    Às tantas, por brincadeira,
    O meu verdinho...
    Fingiu que era ele o Sol!
    Pintou a água de verde,
    Com cambiantes de luz,
    As areias, de esmeralda
    E as conchinhas,
    Bordou-as a ponto cruz!

    Entretanto o Sol rompeu
    E tomou o seu lugar.
    O ar em volta aqueceu,
    Tudo correu para o mar,
    Mas as nuvens em novelos
    Voltaram, para brincar.

    Então...
    Enquanto a luz do meu verdinho
    E a do Sol se revezavam,
    Eu cá, lia Saramago...
    E escutava
    Das ondas o marulhar
    Quando na areia se espraiavam...

    Baby

segunda-feira, junho 05, 2006

Como se escreve Amor?

minha querida, Amor escreve-se com as letras

e se não tiveres tempo para amar,

I N V E N T A

mas ama!!!
Mouro do Barlavento

quinta-feira, maio 25, 2006

NAS ASAS DO VENTO


Eu quero ser como o vento,
Não ter corpo e não sofrer,
Ser só alma e sentimento
E desejo de viver.

Ser vento norte
E partir à desfilada
Quando a ânsia me tomar.
Só parar a caminhada
Quando um dia te encontrar...

Então,
Ao tocar a tua pele,
Serei brisa perfumada,
tão suave,
Para nela me entranhar.
Voltarei a ganhar corpo
P'ra ter mãos
E te poder abraçar.

Dentro de ti vou ficar
Enquanto tu me quiseres
E eu me sentir amada.

Baby

quarta-feira, maio 17, 2006

REGRESSO


Estou de volta, andei meia perdida, imersa em pensamentos negativos, medos absurdos, mas mais uma vez o meu espírito guerreiro venceu a batalha, embora tivesse sido ajudada, quando pedi socorro...
É bom estar convosco de novo, quero dar a todos um forte abraço e dizer: PRESENTE!
Repararam que escrevi presente a verde? Porque verde é a esperança e a esperança não morre!

Um beijo amigo.
Baby

quinta-feira, maio 04, 2006

Salvé, 4 de Maio


Porque hoje é um dia muito especial
Aqui te trago estas flores
Lindas, perfumadas e alegres
Para juntar
Ao brilho do teu olhar
À ternura do teu sorriso
À força do teu abraço
Ao calor dos teus beijos.

Hoje sopram ventos de amor
Lembra-te que o tempo não espera por ninguém...

O tempo é AGORA!!!

sexta-feira, abril 28, 2006

PALAVRAS


Que fizeste das palavras?
Que contas darás tu dessas vogais
De um azul tão apaziguado?

E das consoantes, que lhes dirás,
Ardendo entre o fulgor das laranjas
E o sol dos cavalos?

Que lhes dirás,
Quando te perguntarem pelas minúsculas sementes
Que te confiaram?

Eugénio de Andrade


Sim, que lhes dirás?
Falarás da tua incapacidade de as soltar, do teu medo de não saber se elas terão o poder de comunicar, de se apresentar como pedaços de ti, de singrar como um rio de água viva que leve bem longe as sementes
que te confiaram, para que elas germinem e alimentem as bocas de todos os que amam as palavras.
Não tenhas medo, faz a tua sementeira, no teu jeito manso, ou no teu jeito apressado...

Baby

sexta-feira, abril 14, 2006

PÁSCOA FELIZ


Para todos os nossos amigos, aqui deixamos votos de uma Santa Páscoa, com muita alegria e muitos ovinhos doces...
Agradecemos a simpatia dos votos por vós formulados.
Beijinhos,

Baby e Mouro

terça-feira, abril 11, 2006

ESCREVER

Escrever é reiniciar a acrobacia da angústia, a mesma que se espalhou há anos no charco das mãos humanas, após a rampa da carne materna. Pensar o quê? Com que coração? Sobre o quê? Por certo, novamente sobre os reversos das dedadas de nuvens na terra onde enterramos os que não deixamos morrer: morrer é mudar de linha, iniciar um verso.
Luisa Monteiro

Que estas palavras vos façam pensar, com o vosso coração e da vossa mente nasça um verso!

Baby

quarta-feira, abril 05, 2006

AMOR versus AMIZADE















Perguntei a um sábio, qual a diferença que havia entre o Amor e a Amizade.
Ele me disse esta verdade:

O Amor é mais sensível,
a Amizade é mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande,
querida e fiel companheira.
Mas, quando o Amor é sincero
ele vem com grandes amigos, e,
quando a Amizade é concreta,
ela vem cheia de amor e carinho.

Quando se tem amigos... ambos os sentimentos coexistem dentro do coração.

Mouro do Barlavento

Texto que guardo há muito sem, no entanto, me lembrar da autoria.

Rosas

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