quarta-feira, abril 29, 2009

VAGA-LUME


VAGA-LUME

Dói-me a pele
No lugar onde a saudade
Lembra o toque do teu beijo,
Dói-me a dor de te não ter,
Bem guardado
No casulo do meu peito,
Dói-me a lembrança
Que o tempo teima em manter,
Dum amor feito de lume
E de ternura vestido
Que se perdeu num queixume
Mas que teima em ocupar
O meu vazio desmedido,
Como a luz dum vaga-lume.

Fotografia de Sónia Cristina Carvalho (Olhares)

quinta-feira, abril 16, 2009

VERMELHO ALARANJADO


Naquele fim de tarde
Os ponteiros do relógio
Faziam tique tac
Arrastando as horas
E acordando as nuvens
Que se desfaziam apressadas
E se transformavam
Em poeira rutilante
Face ao brilho
Daquele azul
Que então se abria,
Cintilante.


E o meu céu,
Que de cinza me tingira
Durante longos dias
Vestira-se também
De um lindo tom azul
Salpicado de rosa
E de um leve tom alaranjado,
Que o ocaso prometia desvendar,
De forma caprichosa.


A tarde ia morrendo
E o meu coração renascia
Porque a angústia que o oprimia
Se diluía no vermelho-alaranjado
De um Sol
Que contrariado
Se escondia...


Fotografia de Baby

terça-feira, março 24, 2009

DESEJO


Queria tanto que a paz
fosse a cama em que me deito
que o amor que tu me dás
coubesse inteiro em meu peito.
.
Com esta quadra sentida, eu me despeço de todos os amigos, por um tempo. Será só uma pausa, como outras que já fiz, preciso parar, deitar fora o stress, mas vou voltar, tenho a certeza.
É natural que vos visite, me delicie com as vossas postagens e deixe o meu comentário, mas não vou assumir compromisso de fazer novos posts, até que a paz seja pelo menos a almofada em que a minha cabeça se deite...
Um abraço imenso, onde caibam todos.
Fotografia de João Bordalo Malta

domingo, março 15, 2009


Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar.

Clarice Lispector
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SELO
Em relação ao lindo selo oferecido pela Rebeca e Jota Cê, exibido na coluna da direita, deixo as regras do mesmo:
1) Exiba a imagem do selo que acabou de ganhar.
2) Faça o link do blog que o indicou.
3)Indique até 10 blogs da sua preferência.
.
Aqui ficam os meus:

sábado, março 07, 2009

SONHOS



SONHOS

É tempo de soltar os sonhos
Guardados com afeição
Nos escaninhos da alma
E naquele abrigo escondido
Escavado bem no fundo
Deste louco coração.

Haverá risos e lágrimas,
Momentos de adoração.
Um rio profundo, incontido,
A ponte construída à mão
Com pedras verdes de esperança
E sonhos em profusão.

Haverá rumor de beijos
Gestos feitos de paixão
Mãos escorrendo desejos
Ao buscar na escuridão
Teu corpo feito de lume,
Tua boca em ebulição.

Quando se soltar por fim
Aquele que ambos sonhámos
E onde morava a ternura,
As noites serão de prata
E os dias serão azuis,
Claros, de uma beleza pura.

Por cada sonho desfeito,
Outros asas ganharão

Serão levados pelo vento,
Mas um dia voltarão.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

PERFUME




Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos
e o teu perfume a transpirar na minha pele. E o corpo
doeu-me onde antes os teus dedos foram aves
de verão e a tua boca deixou um rasto de canções.

No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha
camisola; e eu despi-a para ti, a dar-te um coração
que era o resto da vida - como um peixe respira
na rede mais exausta. Nem mesmo à despedida

foram os gestos contundentes: tudo o que vem de ti
é um poema. Contudo, ao acordar, a solidão sulcara
um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo
um trilho abandonado na paisagem. Sentei-me na cama
.
e repeti devagar o teu nome, o nome dos meus sonhos,
mas as sílabas caíam no fim das palavras, a dor esgota
as forças, são frios os batentes nas portas da manhã.

Poema de Maria do Rosário Pedreira
Foto tirada da net

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

De Cecília Meireles
LUA ADVERSA


Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.


E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

QUASE NADA



O que ficou para trás
foram meus passos perdidos,
mais nada,
de quando caminhei descalça
na areia pelo mar lavada
E pelo vento batida.
Não há rastos de pegadas
Nem memória de ais sofridos,
Só um silêncio encomendado
Feito de bocas cerradas
Por palavras nunca ditas.
O que ficou para trás?
Pedaços de vida e de mim,
Quase nada…

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

UM MERGULHO NO SILÊNCIO

O SILÊNCIO

Pego num pedaço de silêncio. Parto-o ao meio,
e vejo saírem de dentro dele as palavras que
ficaram por dizer. Umas, meto-as num frasco
com o álcool da memória, para que se
transformem num licor de remorso; outras,
guardo-as na cabeça para as dizer, um dia,
a quem me perguntar o que significam.
Mas o silêncio de onde as palavras saíram
volta a espalhar-se sobre elas. Bebo o licor
do remorso; e tiro da cabeça as outras palavras
que lá ficaram, até o ruído desaparecer, e só
o silêncio ficar, inteiro, sem nada por dentro.

De Nuno Júdice
em A Matéria do Poema

quinta-feira, janeiro 29, 2009

INQUIETAÇÃO




De Clarice Lispector

Não entendo
Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender.
Entender é sempre limitado.
Mas não entender pode não ter fronteiras.
Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.
Não entender, do modo como falo, é um dom.
Não entender, mas não como um simples de espírito.
O bom é ser inteligente e não entender.
É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida.
É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice.
Só que de vez em quando vem a inquietação:
quero entender um pouco.
Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

UMA ILHA

Ilha

Deitada és uma ilha E raramente
surgem ilhas no mar tão alongadas
com tão prometedoras enseadas
um só bosque no meio florescente

promontórios a pique e de repente
na luz de duas gémeas madrugadas
o fulgor das colinas acordadas
o pasmo da planície adolescente

Deitada és uma ilha Que percorro
descobrindo-lhe as zonas mais sombrias
Mas nem sabes se grito por socorro

ou se te mostro só que me inebrias
Amiga amor amante amada eu morro
da vida que me dás todos os dias

David Mourão-Ferreira

terça-feira, janeiro 13, 2009

MEMÓRIA


Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, janeiro 07, 2009

RUNAWAY

Nada sobressai tanto, nem permanece tão firmemente fixo na memória, como algo em que tenhamos falhado.
Cícero

sexta-feira, dezembro 26, 2008

ANO NOVO, VIDA NOVA


E com esta taça de champanhe brindo ao Ano Novo que se aproxima, deixando a outra para quem quiser brindar comigo.
Brindo também a todos vós que me acompanharam durante o tempo que por aqui andei, me acarinharam e me fizeram feliz.
Foi um tempo bom, de muitas realizações, de muitas alegrias, um tempo que guardarei para sempre na memória, ou simbolicamente falando, no coração.

terça-feira, dezembro 16, 2008

TEMPO de NATAL


FALAVAM-ME DE AMOR

Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,

menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.

Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.

O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.



Natália Correia
O Dilúvio e a Pomba
Lisboa, Publicações D. Quixote, 1979

quinta-feira, dezembro 04, 2008

RECADO DE AMOR


Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.


De Eugénio de Andrade, "Lettera amorosa"

terça-feira, novembro 25, 2008

COMO UM RIO


Sou como um rio...
E tu a água que desliza no meu leito,
Esse leito que se afunda sempre mais
Com o peso do amor que há em teu peito.
Os dois somos um rio...
Mas não sabemos já
Quem é água e quem é leito,
Porque o rio que nós dois somos,
De rio não tem mais jeito,
Ficou tão grande e tão profundo
Que mais parece o mar...
E o mar é como o mundo,
Não há margens que o consigam segurar.

segunda-feira, novembro 17, 2008

UM OLHAR PELAS ILHAS DAS CARAÍBAS

Era aqui que eu queria estar, sobre um palco colorido, rodopiando ao som de uma valsa de Strauss! Sem stress, sem mil e um compromissos que me afastaram de todos vós durante longos dias.

Sei, no entanto, que me vão desculpar porque todos sabemos que nem sempre conseguimos que tudo corra à medida dos nossos desejos.

Com relativo atraso... aqui vos deixo algumas fotografias da minha viagem, cuja lembrança guardarei, não só pela beleza dos locais visitados e da excelência do navio, Adventure of the Seas, mas também e especialmente pelos companheiros de viagem que foram duma simpatia e camaradagem ímpares.

Só por isso, valeu a pena.

Para verem as fotos,

e o vídeo

sigam este link

segunda-feira, novembro 03, 2008

DE REGRESSO... DO MAR, DAS ILHAS, DO PARAÍSO


De regresso já há 5 dias...só hoje dou notícias! Os afazeres têm sido muitos para pôr tudo em ordem depois destas férias inesquecíveis, de vez em quando tenho que parar para descansar, como faz o gato Garfield...
Começo por vos oferecer este recanto de praia, na costa Norte de Puerto Rico, de águas tão cálidas que nos convidam a ficar para sempre.
Foi lá que estive no meu último passeio pela Ilha.
Aos poucos dar-vos-ei conta de muitos outros e de como me encantei com esta viagem.
Quero agradecer a todos a vossa presença neste espaço durante a minha ausência e os votos aqui deixados.
Fiquei sensibilizada com as vossas palavras e o carinho nelas contido.
É muito bom ter AMIGOS!
Regresso à casa que é minha,
À janela onde vos vejo,
À terra que me acarinha
Ao mar aonde eu velejo...

domingo, outubro 12, 2008

FÉRIAS

Vêem aquele barquinho branco?
É lá que vou passar os próximos 17 dias!
Depois vos conto...
.
Entretanto deliciem-se com a música caribenha
No fim da página há mais uma melodia do caribenho

Rosas

Rosas
Especialmente para ti, amigo visitante

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