domingo, agosto 31, 2008

CINCO SENTIDOS


Há dias em que não sei
Para que quero eu as mãos,
Se com elas não te sinto,
Quando em silêncio, no escuro,
Eu desenho o teu perfil.
.
E os meus olhos alagados?
Se com eles eu não vejo
A côr da tua paixão
Mesmo quando te procuro
com os outros,
Os olhos do coração.
.
E também perdi o cheiro,
O cheiro que o amor tem,
Subtil e doce
Que eu lembro,
Intenso e acre, também.
.
Não ouço o canto dos pássaros,
Nem o vento
que me açoita com desdém
E me rouba as palavras sussurradas
Que a saudade constroi nas madrugadas.
.
E o gosto que a vida tem?
Não lhe encontro nenhum gosto,
Perdi o gosto,
Também.
Imagem tirada da net.

segunda-feira, agosto 25, 2008

quarta-feira, agosto 13, 2008

ESCREVER

Escrever
É soltar os pássaros
Feitos prisioneiros no infinito do meu eu,
É dar-lhes asas
Bordadas de mil letras
Ora brilhantes,
Ora escuras como breu.
É construir palavras
Unidas pela mão,
Que partem em silencio
E me expõem,
Nua e indefesa
Perante a multidão.
É mostrar
A quem me quiser ler
Os sonhos incompletos e rasgados
Sonhados nas noites sem te ter,
Os risos desgarrados
Chorados sem querer
Quando sofrida tento reverter
As dores que me incendeiam,
Pintando no meu rosto
Um simulacro de prazer.
Escrever
É gerar um filho nas horas de lazer,
É soltá-lo no mundo
Feito livro p'ra se ler
Livro onde se esconde a luz branca do luar,
Mas também a noite escura
E as cores do alvorecer.
Onde há sonhos por sonhar
E tantas horas de amargura.
Onde há dias por viver
Na espera dum só dia
Com mil pássaros a voar.

quarta-feira, agosto 06, 2008

É A MANHÃ CHEIA...



É a manhã cheia de tempestade

no coração do verão.

.

Como lenços brancos de adeus viajam as nuvens

que o vento sacode com viageiras mãos.

.

Inumerável coração do vento

pulsando sobre o nosso silêncio apaixonado.

.

Zumbindo entre as árvores, orquestral e divino,

como uma língua cheia de guerras e de cantos.

.

Vento que leva em rápido roubo a ramaria

e desvia as flechas latentes dos pássaros.

.

Vento que a derruba em onda sem espuma

e substância sem peso, e fogos inclinados.

.

Despedaça-se e submerge o seu volume de beijos

combatido na porta do vento de verão.

Do livro Vinte Poemas de Amor

e

Uma Canção Desesperada

de PABLO NERUDA

segunda-feira, julho 28, 2008

REGISTO

Dentro de ti eu fiquei
enquanto tu me quiseste
e eu me senti amada
.
Nos teus olhos eu morei
na tua boca busquei
a rima para os meus versos
.
Dos teus braços fiz meu leito
e no meu sono imperfeito
muitos sonhos eu sonhei
.
As palavras que eram beijos
e em silêncio se davam,
quentes, rubras de desejo
.
Hoje são feitas de nada...
Um vazio me dilacera
por não me sentir amada.

terça-feira, julho 22, 2008

ESPERA


De António Lobo Antunes: Vodka e Valium 10.
Quem me espera não me espera
Quem me ama já esqueceu
Quem me toca dilacera
Esta estranha Primavera
Que o mês de Maio me deu
.
Eu já nem sei o que tenho
Se febre, se mal ruim
Se este sentimento estranho
De não ser de onde venho
Comigo longe de mim.
.
E assim fico sentado
Com as algas a boiar
De queixo na mão pousado
Ó meu barquinho parado
Sem porto para ancorar.
.
Quem me espera não me espera
Quem me ama já esqueceu
Quem me toca dilacera
Esta estranha Primavera
Que o mês de Maio me deu.

domingo, julho 06, 2008

COMO AS ÁGUAS DUM RIO


E a vida desliza,
tão macia e lenta
tão cheia de luz,
tão cheia de graça
como as águas tranquilas
dum rio que caminha em direcção ao mar...
...
Esse mar que o espera
para o abraçar.
...
E o vento que sopra
quando o dia amanhece
vem roubar meus sonhos
e os leva p'ra longe,
percorrendo vales,
subindo montanhas
e então acontece
que eles se dispersam em mil asas brancas
que voam planando
e por fim mergulham
no meio do mar...
...
Esse mar que os espera
para os abraçar...

domingo, junho 22, 2008

FOI O AMOR QUE VOLTOU


O tempo que passa
não passa,
perdura.
Foi o amor que voltou
resplandecente de luz
nas manhãs claras,
ardendo por dentro
nas tardes soalheiras
vestido de luas
nas noites de prata,
espalhando lembranças de ti e de mim...

E o tempo parado,
espera sem pressa
que a porta se abra,
que o fogo se ateie,
nos queime de novo
nesse templo sagrado
onde habita o Amor.

domingo, junho 08, 2008

DEIXA FICAR

Deixa ficar comigo a madrugada,
para que a luz do Sol me não constranja.
Numa taça de sombra estilhaçada,
deita sumo de lua e de laranja.

Arranja uma pianola, um disco, um posto,
onde eu ouça o estertor de uma gaivota...
Crepite, em derredor, o mar de Agosto...
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!

Depois, podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os lençóis o lume do teu peito...

Podes partir. De nada mais preciso
para a minha ilusão do Paraíso.

David Mourão-Ferreira

David Mourão Ferreira * Parque dos Poetas * Oeiras (Maio 2008)

terça-feira, maio 27, 2008

AINDA E SEMPRE AS "PALAVRAS"


São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio
Outras,
orvalho apenas
.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade

terça-feira, maio 13, 2008

COMO PÁSSAROS NO INFINITO


Como vês, meu amor, as palavras não estão gastas,
estão apenas esquecidas
e se um vento as estremece,
elas erguem-se uma a uma
e crescem, crescem
como hastes floridas.
. .
E então o Sol aquece,
a natureza de rosa se matiza,
os campos desabrochan em cachos coloridos,
tornando tudo tão intenso e belo
que sinto ter valido a pena ter nascido.
.
Cada palavra renascida
É como seiva quente
que alimenta a minha vida
e me transforma num pássaro
que voa no infinito para sempre.

sábado, maio 03, 2008

POR ONDE ANDAM AS PALAVRAS?


Quando o desânimo nos agarra, tudo nos parece cinzento e apagado e apetece dizer como o fez Eugénio de Andrade no seu poema

ADEUS.

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio,
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
Gastámos as mãos à força de as apertarmos,
Gastámos o relógio e as paredes das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tinhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava, mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes
e eu acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco,mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inutil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.
Eugénio de Andrade

terça-feira, abril 22, 2008

NÃO ME IMPORTO

MIMO

Da minha amiga Benó, chegou-me este desafio, que não pude deixar de aceitar!
Estou, pois, disposta a partilhar convosco algumas "coisitas" que não me importo de fazer.

E as regras são:
* Colocar o link da pessoa que nos mimou
* Colocar as regras no blog
* Partilhar 6 coisas que não nos importamos de fazer
* Mimar 6 pessoas para fazer o mesmo
*Avisar essas pessoas, deixando um comentário nos seus blogs.

E para que o jogo continue, eu eu vou mimar:
Eliane

tulipa
fernanda & poemas
gerlane
literatura
C.Valente

Aqui vos confidencio...
Não me importo de ser uma romântica assumida e de sonhar acordada até ser velhinha.
Não me importo de contemplar todos os dias "a minha baía", com os barcos reluzindo ao sol da tarde e pintando as águas quietas com franjas de luz dourada.
Não me importo de passar horas pintando as minhas porcelanas, enquanto a música me preenche todos os vazios.
Não me importo de ver chover um dia inteiro, ainda que não possa sentir o cheiro da terra molhada, que guardo da minha infância.
Não me importo de gastar o tempo que for preciso em busca de uma imagem ou de uma música,
para enfeitar as palavras que partilho convosco, aqui, no BARLAVENTO.
Não me importo de correr contra o vento, se ele soprar na direcção errada.

E agora que que cumpri o desafio, muito em segredo eu digo... importo-me um tantinho de responder a estes desafios....

sexta-feira, abril 11, 2008

NÃO DISSE NADA, AMOR



Quantas vezes queremos dizer e não dizemos,
Quantas vezes dizemos o que não queremos...

Não disse nada, amor, não disse nada:
foi o rio que falou com a minha voz
a dizer que era noite e é madrugada
a dizer que eras tu e somos nós.
.
A dizer os mil rostos e Lisboa
ao longo do teu rosto se te beijo.
À luz de um pombo chamo Madragoa
e Bairro Alto ao mar se te desejo.
.
Não disse nada, amor. Juro, calei-me:
foi uma voz que ao longe se perdeu.
Cuidei que era Lisboa e enganei-me
pensei que éramos dois e sou só eu.
António Lobo Antunes,
Letrinhas de Cantigas

terça-feira, abril 01, 2008

ENVERGONHADA

Estou envergonhada, sim, pela minha ausência aqui, no BARLAVENTO, e aí, nos vossos blogues, agradecendo a vossa presença e comentando os vossos posts!

Os meus afazeres e consequente cansaço são tantos...que me tiram completamente a vontade e a inspiração para fazer seja o que for. Voltei para casa cedo demais e meti-me numa "camisa de onze varas", porque o que limpava e arrumava num dia, "eles" sujavam no outro dia, nestas obras intermináveis. O método é ir fazendo, não é fazer! Foi desesperante, cansativo, arrependi-me vezes sem conta de ter iniciado esta empreitada, mas era tarde para voltar atrás, tinha mesmo que seguir em frente.

Agora, penso eu, o pior está passado, embora não esteja tudo pronto, há sempre algo que veio trocado, há sempre alguém que fica dias sem aparecer, enfim, pequenos nadas que se agigantam e desgastam a nossa paciência.

Por tudo isto, espero me perdoem e não me votem ao esquecimento...como há pouco li num comentário da amiga Kalinka.

Vou voltar, inteira, só espero que a minha paz de espírito regresse, inteira, também...

Uma boa semana para todos!

quinta-feira, março 20, 2008

PÁSCOA FELIZ


Que o coelhinho vos deixe uma cesta cheia de amor,
carinho,
felicidade e alegria .
Eu deixo a todos a flor da Amizade.

quarta-feira, março 12, 2008

REGRESSO A CASA



Voltei ao meu lugar,
Ao meu chão, ao meu lar.
É aqui que o meu pisar
Me liga à terra
E me faz sentir no ar.
.

Ainda há muito para fazer, até que tudo fique no seu lugar e brilhando qual espelho que possa reflectir a felicidade por estar de regresso à minha casa que eu amo.
Mas aos poucos, eu vou visitar-vos a todos e agradecer a presença e o carinho que nunca deixei de sentir, mesmo estando ausente.
Estou feliz!


sábado, fevereiro 23, 2008

P O E S I A


Aumentámos a vida com palavras
Água a correr num fundo tão vazio.
As vidas são histórias aumentadas.
Há que ser rio.
.
Passámos tanta vez naquela estrada
Talvez a curva onde se ilude o mundo.
O amor é ser-se dono e não ter nada.
Mas pede tudo.
.
Natália Correia
O livro dos amantes VI

domingo, fevereiro 10, 2008

QUANTO DURA A VIDA





A vida dura

Enquanto o homem sonha

A vontade perdura

E a alma se enamora

Os ventos?

Sao o sopro que marca o rumo de uma vida....

Se e do Norte,

Sopra forte

E pode incitar a caminhada

Sem nunca olhar pra tras

E sem pensar em nada.

Se e do mar que sopra

E fresco e humido

Retempera

E deixa-nos na pele um gosto a maresia

Se vem do Sul

E calido e sereno

Como um abraco de ternura

Se e de Leste

E pesado e quente,

Perturba e entontece....

Mas na barca dos ventos

Navega a nossa vida,

Ha que ser bom marinheiro

E ter sempre a vela erguida...

terça-feira, fevereiro 05, 2008

A JANELA

Estive fechada,
As escuras,
Sem ter voz para falar
Nem vos poder escutar.
No peito
Um vazio crescia
Feito de palavras mudas
Tao pesadas que doiam
E me faziam chorar...
Ate que um raio de sol
Entrou por uma fresta escondida
E o agarrei, pressurosa,
Enrolei-o a minha volta,
E de luz fiquei vestida!
Rompi o escuro e corri
Ate achar esta janela...

segunda-feira, janeiro 14, 2008

INTERREGNO




Comunico a todos com quem tenho tido o prazer de privar, que vou estar ausente por algum tempo, por motivos de força maior, mas que voltarei, cheia de ânimo e saudade a este espaço tão prazeiroso, logo que possível.


Deixo um abraço e um até breve.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

RECOMEÇAR

São como as asas dum pássaro,
Os sonhos que ela sonhou.
Voam alto sem ter medo
São sonhos de quem amou.

No seu leito 'inda desfeito
A marca leve dum corpo
Esconde um choro imperfeito
Dum tempo que já está morto.

Ficou pra trás, esquecido,
Nunca mais vai querer lembrar
Esse tempo sem sentido
Que a mágoa lhe fez passar.

Jura cumprir a promessa
Feita hoje, ao acordar,
Não mais chorar suas perdas,
E a vida recomeçar!

sexta-feira, dezembro 28, 2007

ANO NOVO

Eis que se aproxima a hora em que de novo uma porta se abrirá para que entremos, cheios de sonhos, num Novo Ano, que à partida pressupomos cheio de coisas novas, fascinantes!
Entremos, então, com um sorriso aberto, um brilho no olhar e uma rosa vermelha entre os dentes, vermelha como a paixão com que sonhamos realizar cada novo projecto, viver cada novo dia, amar cada novo amor, usufruir cada novo instante...entremos com o coração cheio de esperança, com a vontade firme de sermos felizes, de limpar as lágrimas, de esquecer o menos bom, de viver o presente em plenitude, porque o passado ficou para trás e o futuro será só amanhã!
A todos vós, a quem tenho como amigos, a todos os companheiros da blogosfera, eu ergo a minha taça e brindo à saúde, à paz, ao amor, ao pão, à amizade, ao trabalho, ao entendimento entre os homens,
à V I D A !
Bom Ano de 2008.

domingo, dezembro 16, 2007

SEMPRE NATAL


É Natal em todo o mundo, o mundo em que as pessoas acreditam que se pode amar sempre um pouquinho mais, porque nesta época os corações se enchem de Amor, transbordam de emoção e têm absoluta necessidade de dividir esse amor em pedacinhos e partilhá-lho com os que estão perto e com os que estão longe, com os amigos e porque não com os que o não são, porque o perdão também faz parte desta quadra festiva.
Este meu coração está feliz e deseja a todos vós que tanto estimo:



UM SANTO E FELIZ NATAL



Deixo-vos como presente, um belo poema de David Mourão Ferreira,



NATAL E NÃO DEZEMBRO

Entremos, apressados, friorentos,

Numa gruta, no bojo de um navio,

Num presépio, num prédio, num presídio,

No prédio que amanhã for demolido...

Entremos, inseguros, mas entremos.

Entremos, e depressa, em qualquer sítio,

Porque esta noite chama-se Dezembro,

Porque sofremos, porque temos frio.



Entremos, dois a dois: somos duzentos,

Duzentos mil, doze milhões de nada.

Procuremos o rasto de uma casa,

A cave, a gruta, o sulco de uma nave...

Entremos, despojados, mas entremos.

Das mãos dadas talvez o fogo nasça,

Talvez seja Natal e não Dezembro,

Talvez universal a consoada.



sábado, dezembro 08, 2007

NOVO DESAFIO


Pedindo desculpa à Isabel Filipe por só agora responder ao desafio que ela me fez, (nem sempre conseguimos gerir o tempo à medida dos nossos desejos...), aqui estou disposta a levantar um pouco mais o véu. Desde já peço desculpa se me repetir.



Consiste em listar 10 factos de que não tenhamos falado neste blog.



1) Quando me sinto triste ou meio deprimida, faz-me um bem enorme fazer umas comprinhas...


2) Detesto fazer a mala quando vou de férias, acabo sempre por levar coisas a mais.


3) Em contrapartida, adoro regressar a casa (é tão reconfortante) e desfazer a referida mala...


4) Aprecio uma boa leitura assim como boa música, nunca me sinto só na companhia delas.


5) Aprecio também uma companhia agradável para um jantar a dois ou até para uma uma
simples conversa...


6) Sou pontual e aborrecem-me as pessoas que o não são, pois considero isso uma falta de
de respeito.


7) Adoro animais, quer sejam domésticos ou selvagens, mas coloco o cão em primeio lugar,
como animal de companhia.


8) Gosto de conviver e muito mais de dançar,(este último gosto já todos conhecem, mas tinha
que dizer...)


9) Odeio pessoas cujo único tema de conversa é a fofoca.


10) E como já se sente o espírito de Natal, devo dizer que é uma época que adoro, pois aproxima
as pessoas e especialmente as famílias e nos deixa a todos de bem com a vida!

segunda-feira, novembro 26, 2007

DA MINHA JANELA


Da minha janela, eu vejo...


Vejo o mar,

Sempre belo e poderoso

Quer seja azul, preguiçoso,

Ou cinzento e alteroso...


Vejo a praia, que ele beija

e onde espalha a branca espuma

Que a areia tanto deseja,

Ciosa como nenhuma...


Vejo os barcos ancorados,

De proa brilhando ao sol.

Guardam no bojo, assombrados,

Histórias que o mar lhes contou,

E que acrescentam ao rol...


Vejo a calçada, tão bela,

Com palmeiras enfeitada,

Alisando as pedras, contente,

Pr'acolher toda essa gente

Que nela caminha, apressada,

Ou que nela pisa, somente...


E vi também,

Deslumbrada,

Uma lua desenhada

Na noite que escurecia.

De laranja estava pintada

E subia, preguiçosa,

Cheia de graça, encantada,

Até ficar prateada,

Imensa, desavergonhada,

Que nada deixa esconder...


Da minha janela, eu vejo...

Vejo o belo acontecer...
Foto de Luis Carreira, (tirada da net)

sábado, novembro 24, 2007

DIZ QUE ATÉ NÃO É UM MAU BLOG

Com tantos amigos e amigas não podia deixar de aceitar com muito prazer a distinção que me foi atribuida com este prémio. O meu obrigado ao C. Valente, espero que seja um incentivo para continuar...


Eis os parâmetros inerentes á condição:
1. Este prémio deve ser atribuído aos blogs que consideras serem bons, entende-se como bom os blogs que costumas visitar regularmente e onde deixas comentários.
2. Só e somente se recebeste o prémio “Diz que até não é um mau blog”, deves escrever um post:
- Indicando a pessoa que te deu o prémio com um link para o respectivo blog;
- A tag do prémio;
- As regras;
- E a indicação de outros 7 blogs para receberem o prémio.
3. Deves exibir orgulhosamente a tag do prémio no teu blog, de preferência com um link para o post em que falas dele.

E os meus nomeados são:

kalinka
vieira calado
mixtu
cusco
a.j.faria
vénus
o profeta

sábado, novembro 17, 2007

RENASCER


De Florbela Espanca

"Charneca em flor!"





Enche o meu peito, num encanto mago,
O frémito das coisas dolorosas...
Sob as urzes queimadas nascem rosas...
Nos meus olhos as lágrimas apago...


Anseio! Asas abertas! O que trago
Em mim? Eu oiço bocas silenciosas
Murmurar-me as palavras misteriosas
Que perturbam meu ser como um afago!


E, nesta febre ansiosa que me invade,
Dispo a minha mortalha, o meu bruel,
E já não sou, Amor, Soror Saudade...


Olhos a arder em êxtases de amor,
Boca a saber a sol, a fruto, a mel:
Sou a charneca rude a abrir em flor!

terça-feira, novembro 13, 2007

UM LIVRO, UMA PÁGINA, UMA FRASE


"Tinha a certeza de que não iria precisar dele até ao fim dos seus dias."


"GABRIEL GARCIA MÁRQUEZ"


(O AMOR NOS TEMPOS DE CÓLERA)


Esta foi a minha resposta ao gentil convite de Vénus de "Storm of Emotions".


Lanço agora o desafio aos amigos(as):


Isabel Filipe de "Art & Design de Isabel F."
Vieira Clado de "poesia de vieira calado"
A.J. Faria de "palavra entre palavras"
C.Valente de "c.valente"
Mixtu de "mixtu"
As dicas estão aqui:

quarta-feira, novembro 07, 2007

CITAÇÃO


Experiência

não é o que acontece

com o ser humano;

é o que o ser humano faz

com o que lhe acontece.



Aldous Huxley

terça-feira, outubro 30, 2007

EVASÃO


Batendo as asas que não tenho

Fujo deste nada onde me agarras

E parto para lá do infinito,

Onde se partem todas as amarras

E os sonhos jamais são interrompidos.


Inventarei cada dia um novo verso,

Feito de palavras sem sentido

Que mostrem o verso e o reverso

Dum amor que pra sempre está perdido.


E à noite,

Quando a luz branca do luar

As minhas sombras vier iluminar,

Eu gritarei baixinho

Pra ninguém escutar

Que morro de saudade de te amar.

terça-feira, outubro 23, 2007

OUTONO


É Outono,
Na hora do entardecer.
O céu, feito de nuvens coloridas,
Tinge de púrpura as horas esquecidas
Que antecedem o anoitecer.


Caminho,
Pisando as folhas amarelas,
Castanhas e vermelhas
Que atapetam as veredas
E sonho transformar-me numa delas.


Pouco a pouco,
Sou levada pela brisa,
Solta...
Leve, tão leve
Que perco a substância
E deixo até de ser,
Ficando a existir só a paisagem,
Pintura, visão, miragem,
Pintada a pinceladas de prazer...


segunda-feira, outubro 15, 2007

ESTRELAS NO OLHAR


Ela caminha apressada
Pela calçada nua e molhada.

No olhar,
Uma estrela desenhada,
Que um dia tomou como sua
E jurou vir a alcançar.

Absorta,
Segue em frente,
Sem nunca desanimar.
Lá no alto,
A sua estrela
Na noite escura,
A brilhar.

Na calçada, de tão gasta,
Ela chega a tropeçar,
Mas não desiste.
Está segura
Daquela estrela alcançar.

Quando um dia , finalmente
A sua mão lhe tocar,
Toda ela será luz!
Nunca mais a noite escura,
Haverá sempre luar.


quarta-feira, outubro 10, 2007

VOANDO, SE ALCANÇA O CUME


Nenhum pássaro
voa alto demais,
se voa com as próprias asas.
William Blake

domingo, setembro 30, 2007

TODA A NOITE


Toda a noite ouvi a tua voz.

Cada vez mais perto dos ouvidos,

feita de recusas e promessas,

enigmas por dentro dos sentidos

como se fossem versos às avessas.


Toda a noite ouvi a tua voz.

Cada vez mais quente de loucura,

suspirando um desejo insatisfeito,

Inventando palavras na procura

de escrever um verso mais perfeito.


Toda a noite ouvi a tua voz.

Mas vesti-a de amor e fantasia,

dei-lhe cor, luz e movimento.

E quando de manhã nasceu o dia,

era um poema a ondular ao vento.


De Albino Santos

"A VOZ E O VERSO"

segunda-feira, setembro 17, 2007

PRIMEIRO AMOR


Percorrendo os caminhos da memória

Eu mergulho num mundo de emoções...

Revivo, passo a passo, aquela história

Que fez bater os nossos corações.

.

Não me esqueci nunca do teu rosto,

Nem do brilho que havia em teu olhar!

Do teu beijo, eu sinto ainda o gosto,

Sabia a frutos frescos e a mar...

.

Foi um tempo de amor e exaltação,

Em que o infinito era a nossa meta!

Quando partiste, eu fiquei sem chão

E com a vida p'ra sempre incompleta.

.

Os amores que de então p'ra cá vivi

Foram sempre um pálido reflexo

Desse outro, que contigo descobri

E permanece em mim, num doce amplexo...

Baby

17/09/2007

domingo, setembro 09, 2007

CANETA DE OURO (1 NOMEAÇÃO)


Esta nomeação foi uma gentileza de Vieira Calado
pelo meu poema "Palavras ao Vento"
Obrigada!
.
Indico os seguintes poemas e poetas:
1. Poema "O Brilho do teu Olhar" de Cacharel
2. Poema " Curva Esculpida" de Vênus
3. Poema "Fingidor" de Vieira Calado
4. Poema "Grito" de C. Valente
5. Poema " Lua Minguante " de Isabella Benicio
.
O prémio foi idealizado por


segunda-feira, setembro 03, 2007

PALAVRAS AO VENTO


Chegam de novo as palavras...
Esses pedaços de nós
Que oferecemos um ao outro
Sem precisarmos de voz.

São como seiva da gente,
Espessa e doce como mel.
Nunca mais volte o silêncio
Feito do amargo de fel.

Quero-as feitas de ternura,
Desenhadas com paixão
Que me levem à loucura,
Nos braços da emoção.

Depois lanço-as ao vento
Na hora da madrugada,
Partirão como um lamento,
Rubras, como a alvorada...


2007/09/03



quinta-feira, agosto 23, 2007

ESPERA


Vou esperar
De pé,
Não sentada,
Como quem espera
Desesperançada.


Vou esperar
Cheia de fé
E acreditar
Que no fim da minha estrada,
Há um lugar feito de paz
Onde vou erguer a minha casa.
Bem no cimo duma escarpa,
Onde possa olhar o mar.

Terá inúmeras janelas
E estarei em todas elas,
Quando à tarde te esperar.
As telhas, de vidro polido,
Deixarão passar o sol
Num jorro de luz incontido.
Nada ficará encoberto,
Nada ficará escondido.
O riso, sempre por perto.
O Amor, nunca esquecido.


E à noite, fora de portas,
Ouvindo o canto do mar,
Só nós dois, a horas mortas,
Banhados pelo luar.


Eu preciso te encontrar...
Baby, 23/08/2007

domingo, agosto 12, 2007

SÚPLICA


Hoje Miguel Torga faria 100 anos.

Quero recordá-lo e homenageá-lo, suplicando com a poesia que ele nos deixou.


Agora que o silêncio é um mar sem ondas
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.


Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.


domingo, julho 29, 2007

É URGENTE PERMANECER


E porque é urgente, eu volto para calçar as velhas botas que vestiram todos os meus passos, enquanto caminhei pela seara verde. Deixei-as ficar para que se não apagassem de vez os vestígios dessa minha passagem e elas permaneceram, ganharam raízes e cobriram-se de musgo, vivo, verde e viçoso...
E à laia de reabertura, ofereço a todos vós e a mim também, um belo poema de
Eugénio de Andrade:
É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
Ódio, solidão e crueldade
Alguns lamentos,
Muitas espadas.
É urgente inventar a alegria,
Multiplicar os beijos, as searas,
É urgente descobrir rosas e rios
E manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros
E a luz impera até doer.
É urgente o Amor,
É urgente permanecer.

segunda-feira, junho 04, 2007

PASSAGEM


Deixo esta papoila singela, como símbolo da minha passagem por esta imensa seara verde, que foi para mim a blogosfera e deixo também um abraço caloroso.

quinta-feira, maio 24, 2007

AMOR ANTIGO


Tinha que te vir dizer
Que hoje a vida regressou!
Andei morta, sem ter mãos,
Sem ter nada p’ra fazer.
O meu rosto era um borrão,
Meus olhos não queriam ver

Agora, através da vidraça,
Vejo que tudo mudou.
A brisa afaga quem passa,
Os barcos brilham na água,
E o Sol derrete, sem pena,
A tua e a minha mágoa.

A calçada, tão polida,
Está fervilhando de cor…
Tanta gente, quanta gente!
Mas uma pessoa só
Vai devagar, não tem pressa,
O porto está ali, a uma braça…

E o túnel escuro e fundo
Por onde caminhei perdida.,
Já pertence a outro mundo!
E eu já corro, destemida,
Confiante que à chegada
Estarás…p’ra me abraçar

De encontro ao peito,
Esse peito
De granito todo feito,
Mas tão quente no tocar!
Lá dentro, arde o meu fogo,
Esse fogo
Onde me quero queimar!

sábado, maio 12, 2007

RECADO


De António Lobo Antunes
Letrinhas de cantigas


Estou aqui como se te procurasse
A fingir que não sei aonde estás.
Queria tanto falar-te e se falasse
Dizer as coisas que não sou capaz.
.
Dizer, eu sei lá, que te perdi
Por não saber achar-te à minha beira
E na casa deserta então morri
Com a luz do teu sorriso à cabeceira.
.
Queria tanto falar-te e não consigo
Explicar o que se sofre, o que se sente
E perguntar como ao teu retrato digo
Se queres casar comigo novamente.

quarta-feira, abril 25, 2007

MERGULHAR NO MAR

Qualquer um pode dizer:
Perdi alguém
Ou mesmo sem dizer
Sentir desaparecer
O que perdeu
E mergulhar no mar
Que há dentro de si
Qualquer um pode dizer
Eu amo alguém
Ou mesmo sem dizer
Sentir nascer
(como um poema)
Um outro amor
E subir à montanha
Que há dentro de si
Mas ninguém pode calar
Dentro de si
O sentir
O perder
O poema
O amor
O nascer
Descer à montanha
Mergulhar no mar
E esquecer...
(Do poema Reflexão de Albino Santos)

sexta-feira, abril 13, 2007

Pensamento


Quem possui a faculdade de ver a beleza não envelhece.

Franz Kafka

quarta-feira, março 28, 2007

DE SAUDADE



De Vinicius de Morais:
CHEGA DE SAUDADE

Vai, minha tristeza
E diz a ela
Que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer

Chega de saudade,
A realidade é que sem ela
Não há paz, não há beleza
É só tristeza, e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim
Não sai

Mas se ela voltar
Se ela voltar, que coisa linda
Que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei
Na sua boca…

Dentro dos meus braços
Os abraços hão-de ser
Milhões de abraços apertado assim
Colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos
Sem ter fim
Que é p’ra acabar com esse negócio
De viver longe de mim
Que é p’ra acabar com esse negócio
De você viver assim
Vamos deixar desse negócio
De você viver sem mim

sexta-feira, março 16, 2007

PÁGINAS INVENTADAS


No meu peito há um vazio feito de nada,

Porque a nada reduzi minhas lembranças,

Naquela longa e fria madrugada.

.

Alegrias, tristezas e também os desenganos

Matizaram os meus dias e os anos

Que vivi em busca dos meus sonhos,

Esses sonhos que sonhei, tantas vezes acordada.

.

Mas nas páginas do livro que é a Vida,

Tudo se pode escrever... mesmo sendo fantasia!

Esquecer, reinventar a fé perdida,

São promessas que a mim faço

Sempre que volto a página do meu livro de poesia.

.
Baby

quinta-feira, março 08, 2007

MULHER



De Sophia de Mello Breyner Andresen, Retrato de Mulher


Algo de cereal e de campestre
Algo de simples em sua claridade
Algo sorri em sua austeridade


Rosas

Rosas
Especialmente para ti, amigo visitante

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