quarta-feira, março 10, 2010
sexta-feira, fevereiro 26, 2010
RENOVAÇÃO
Hoje acordei assim
Leve linda e livre
Querendo enfrentar a vida
E meus sonhos renovar
.
E serei asa
E grão
E rio também
Serei o verde dos campos
E flor ainda em botão
Serei árvore
Serei sombra
E fruto sabendo a pão
Serei chama
E também vento
Serei a luz do luar
Serei chuva
E depois água
Serei barco
Serei vela
Serei guerra
Até encontrar a paz.
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quinta-feira, fevereiro 18, 2010
MULHER
pela alma
.
Faz uma trança de riso
Em vez de lágrima
.
Tece o amor que tem
até aos outros
.
Troca o espírito e a paz
pela coragem
.
Ela teima na esperança
e volta ainda
.
Retoma o fio de prumo
com que traça
.
A linha da vida
que assume
.
Dispondo do avesso
até à face
.
Ela põe e repõe
o seu destino
.
Vai mais longe
naquilo que disfarça
.
Ela ousa o coração
e reafirma
.
Bordando o arco-íris
do que é frágil
.
Maria Teresa Horta
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terça-feira, fevereiro 02, 2010
terça-feira, janeiro 19, 2010
CANÇÃO

Canção
Tu eras neve.
Branca neve acariciada.
Lágrima e jasmim
no limiar da madrugada.
Tu eras água.
Água do mar se te beijava.
Alta torre, alma, navio,
adeus que não começa nem acaba.
Eras o fruto
nos meus dedos a tremer.
Podíamos cantar
ou voar, podíamos morrer.
Mas do nome
que maio decorou,
nem a cor
nem o gosto me ficou.
Eugénio de Andrade
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quinta-feira, janeiro 07, 2010
LUAR
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domingo, dezembro 13, 2009
E JESUS PERGUNTOU

Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau
Do perú, das rabanadas.
.
-Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!
.
-Está bem, eu sei.
-E as garrafas de vinho?
.
-Já vão a caminho!
.
-Oh mãe, estou pra ver
Que prendas vou ter.
Que prendas terei?
.
-Não sei, não sei...
.
Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus -Menino
Murmura baixinho:
.
-Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
.
Senta-se a família à volta da mesa.
Não há sinal da cruz
Nem oração ou reza.
.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
Lá fora tão frio
Cá dentro tão quente!
.
Algures, esquecido
Ouve-se Jesus dorido:
-Então e Eu?
Toda a gente Me esqueceu?
.
Rasgam-se os embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papéis
Sem regras sem leis.
E Cristo-Menino
-A fazer beicinho:
Toda a gente Me esqueceu
Foi a festa do Meu Natal
E do princípio ao fim
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto!
.
Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto, no fechar da luz:
-Foi este o Natal de Jesus?
João Coelho dos Santos
in Lágrima do mar.
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domingo, dezembro 13, 2009
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sexta-feira, dezembro 04, 2009
CREPÚSCULO

Ninguém nos viu hoje à tarde de mãos dadas
enquanto a noite azul caía sobre o mundo.
.
Olhei da minha janela
a festa do poente nas encostas ao longe.
.
Às vezes como uma moeda
acendia-se um pedaço de sol nas minhas mãos.
.
Eu recordava-te com a alma apertada
por essa tristeza que tu me conheces.
.
Onde estavas então?
Entre que gente?
Dizendo que palavras?
Porque vem até mim todo o amor de repente
quando me sinto triste e te sinto tão longe?
.
Caiu o livro em que sempre pegamos ao crepúsculo,
e como um cão ferido rodou a minha capa aos pés.
.
Sempre, sempre te afastas pela tarde
para onde o crepúsculo corre apagando estátuas.
Pablo Neruda
in Vinte Poemas de Amor
e
Uma Canção Desesperada
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quarta-feira, novembro 25, 2009
PALAVRAS, PALAVRAS

Ao longo da muralha que habitamos
Há palavras de vida há palavras de morte
Há palavras imensas, que esperam por nós
E outras frágeis, que deixaram de esperar
Há palavras acesas como barcos
E há palavras homens, palavras que guardam
O seu segredo e a sua posição
.
Entre nós e as palavras, surdamente,
As mãos e as paredes de Elsenor
.
E há palavras e nocturnas palavras gemidos
Palavras que nos sobem ilegíveis À boca
Palavras diamantes palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever
Por não termos connosco cordas de violinos
Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
E os braços dos amantes escrevem muito alto
Muito além da azul onde oxidados morrem
Palavras maternais só sombra só soluço
Só espasmos só amor só solidão desfeita
.
Entre nós e as palavras, os emparedados
E entre nós e as palavras, o nosso dever falar.
Há palavras de vida há palavras de morte
Há palavras imensas, que esperam por nós
E outras frágeis, que deixaram de esperar
Há palavras acesas como barcos
E há palavras homens, palavras que guardam
O seu segredo e a sua posição
.
Entre nós e as palavras, surdamente,
As mãos e as paredes de Elsenor
.
E há palavras e nocturnas palavras gemidos
Palavras que nos sobem ilegíveis À boca
Palavras diamantes palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever
Por não termos connosco cordas de violinos
Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
E os braços dos amantes escrevem muito alto
Muito além da azul onde oxidados morrem
Palavras maternais só sombra só soluço
Só espasmos só amor só solidão desfeita
.
Entre nós e as palavras, os emparedados
E entre nós e as palavras, o nosso dever falar.
Mário Cesariny
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quarta-feira, novembro 18, 2009
DESALENTO

Eu faço versos como quem chora
De desalento...de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa...remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
.
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
.
-Eu faço versos como quem morre.
Manuel Bandeira
De desalento...de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa...remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
.
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
.
-Eu faço versos como quem morre.
Manuel Bandeira
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sexta-feira, novembro 06, 2009
SEM DESCOBRIRMOS A COR

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
Se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.
Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda.
Maria Teresa Horta
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sexta-feira, novembro 06, 2009
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segunda-feira, outubro 26, 2009
À FLOR DE UM VIDRO

O tempo passa à flor dum vidro
transparente de angústias, de alegrias,
desfeito em silêncios, em ausências.
.
Só nos sustenta a frescura lhana
das manhãs, a brisa apolínea dos estios,
porque buscamos a nudez, a despojada luz
o sonho rupestre persistente das origens.
transparente de angústias, de alegrias,
desfeito em silêncios, em ausências.
.
Só nos sustenta a frescura lhana
das manhãs, a brisa apolínea dos estios,
porque buscamos a nudez, a despojada luz
o sonho rupestre persistente das origens.
Vieira Calado
Imagem encontrada em: timblindim.wordpress.com
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segunda-feira, outubro 19, 2009
NADA SE PERDE VERDADEIRAMENTE
"...E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente.Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros.
Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram.
Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."
Miguel Sousa Tavares
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sábado, outubro 10, 2009
ENCONTRO COM A VIDA

Este é o tempo de desatar os nós
Soltar as pontas já rasgadas
No uso repetido de tantas despedidas.
É o tempo de esvaziar os olhos
Da imagem de outros olhos
E das coisas que eles viram para lá das permitidas
É tempo de emudecer as palavras
Para que não escute
Sequer o som da minha voz
De esvaziar a cabeça de memórias
Dos tempos feitos de demoras
E das conversas caladas entre nós
Deixar que a mente assim liberta
Possa enfim traçar o rumo de outra estória
Onde o novo se encontre com a vida.
Imagem tirada da net.
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sexta-feira, outubro 02, 2009
ERROS
Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar.
Clarice Lispector
Imagem tirada daqui http://nusingular.blogspot.com/2005_10_01_archive.html
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terça-feira, setembro 22, 2009
CAMINHOS

Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!
Fernando Pessoa
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!
Fernando Pessoa
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terça-feira, setembro 22, 2009
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domingo, setembro 13, 2009
SOL ARDENTE

Por onde
a dor da tua ausência,
a mudez dos silêncios
o eco surdo das palavras
desfeitas na garganta?
.
.
Hoje
a plenitude de um sol ardente
que me dourava a pele e os sonhos
uma brisa leve,
tão leve como seda pura
.
E a música que escorria lenta
e se transformava em ondas
abrindo atalhos no meu peito
tão perfeitos e profundos
que o mar, ali tão perto,
me fez água
.
E com ele murmurei OHMMMMM...
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quinta-feira, setembro 03, 2009
PALAVRAS INTERDITAS
As palavras que te envio são interditasAs palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.
Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.
E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.
Eugénio de Andrade
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solidão
terça-feira, agosto 25, 2009
PENSAMENTOS
Timidez
Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...
- mas só esse eu não farei.
Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...
- palavra que não direi.
Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,
- que amargamente inventei.
E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...
e um dia me acabarei.
Cecília Meireles
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terça-feira, agosto 25, 2009
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quarta-feira, agosto 12, 2009
FLORESTA DE PALAVRAS
Quando desembarquei da minha viagem sem destino certo, deparei com um lugar sem nome, onde o ar era de tal modo rarefeito que me sufocava lentamente e o céu tinha uma cor indefenidaque aos poucos se ia tornando cor de sangue, o mesmo sangue que do meu coração vazava, ferido pelas dores que dia após dia eu sofria, enquanto ia perdendo um ente muito querido.
Agora quero que o meu pensamento se liberte e voe alto, muito alto, se inunde de beleza e tranquilidade e depois mergulhe em voo picado numa floresta densa, feita de pavras.
"Entrei pelas palavras como quem entra numa floresta densa à procura de espécies raras;
escolhia umas, afastava outras, mas algumas que escolhia, logo deitava fora, tão anónimas e sem carácter se mostravam depois. Às escondidas ia-as pondo juntas umas às outras, ora cruzadas, ora paralelas, como quem faz um muro e prefere umas pedras às outras para as casar conforme o volume e o ângulo delas.
Pouco a pouco fui encontrando ao acasol (ao acaso?),como numa revelação misteriosa, palavras raras, preciosas, brilhantes ou sombrias, umas ricas, outras pobres, sonoras ou mudas, mas todas intimamente ligadas por qualquer laço comum, como se entre elas houvesse uma predestinação ou qualquer liame invisível que as prendesse. E logo que as juntava ficavam tão unidas umas às outras que já não parecia mais possível desligá-las, tão estranhamente fundidas que cada uma perdia aquilo que antes a distinguia, para todas encontrarem nessa transmutação uma nova expressão, feita de sons, a princípio vagos, sussurrantes como num búzio, mas logo depois tomando formas musicais, ainda que entrecortadas e incompletas como os instrumentos que os músicos afinam antes de a orquestra começar um concerto.
Às vezes, caprichosamente, uma ou outra palavra fugia, escondia-se no grande cemitério das palavras mortas; e era preciso procurá-la, adivinhá-la, encontrá-la e pô-la no seu lugar próprio, ainda vazio, que só a ela pertencia. Era preciso procurá-la amorosamente, como o garimpeiro nas águas do rio busca a pepita refulgente. E assim, na densa floresta das palavras, pude escolher essa matéria prima a que o sonho deu a transcendência da criação da própria vida."
in Pablo La Noche - Marcello Matias
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Maré Viva
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quarta-feira, agosto 12, 2009
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