terça-feira, setembro 14, 2010
NA SOMBRA DOS TEUS DEDOS
Na sombra dos teus dedos
adormeço.
Bato à porta dos sonhos e
estremeço
no calor da tua boca,
sufoco no teu beijo e
desfaleço
fremente como um pássaro
que voa sem ter asas.
E perco-me.
Como um rio sem margens,
vagueio sem ter norte
mergulhada na lembrança
dum tempo esvaziado
onde a vertigem das horas
consumia os dias
e as noites se acendiam
até chegar a alvorada.
Foto encontrada na net
segunda-feira, setembro 06, 2010
NA HORA DO SILÊNCIO
quarta-feira, agosto 25, 2010
DESENCONTROS
Poema BREVE ENCONTRO
de
Sophia de Mello Breyner Andresen
segunda-feira, agosto 16, 2010
POEMA DA NOITE
segunda-feira, agosto 09, 2010
segunda-feira, julho 26, 2010
PORTA FECHADA
terça-feira, julho 20, 2010
O MUNDO É UMA MARAVILHA
Procura a maravilha.
Onde um beijo sabe
a barcos e bruma.
No brilho redondo
e jovem dos joelhos.
Na noite inclinada
de melancolia.
Procura.
Procura a maravilha.
Assim diz Eugénio de Andrade
Imagem encontrada na net
domingo, julho 04, 2010
O RUMOR DA ONDA
é como o nosso amor, somente embalo
sábado, junho 26, 2010
terça-feira, junho 15, 2010
CASULO
Para calar os gritos que não solto,
Para diluir as lágrimas que não choro
E que inundam a transparência líquida dos meus olhos.
Navego então na solidão do meu vazio
Surda aos sons abafados pelo nada,
Cega às cores que fluem, transitórias,
Fechada às lembranças que me assolam
No frio cortante de cada madrugada.
E fico assim, fechada num casulo,
Esperando ganhar asas
Quando um vento, por destino, aqui passar
E num gesto solidário me empurrar
Deixando-me a navegar de novo
No mar aberto dos sentidos.
Foto encontrada aqui http://www.h2art.com.br/portfolio/3d/casulo02.jpg
terça-feira, junho 08, 2010
DUNAS
domingo, maio 30, 2010
BARQUINHO DE PAPEL
CECÍLIA MEIRELES :
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
Imagem da Web
sábado, maio 22, 2010
SAUDADES QUE SABEM RIR
Existem saudades que sabem rir. São as minhas preferidas. Algumas, nascem sabendo. Outras aprendem, depois de transformar o choro.
Como borboletas, voam pelos jardins da memória, abraçam as lembranças mais viçosas, e saboreiam o néctar, sempre disponível, das alegrias perenes.'”
Ana Jácomo
Imagen da web_
segunda-feira, maio 17, 2010
A MINHA RUA
quarta-feira, maio 12, 2010
AMARGURA
Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face?
Cecilia Meireles
Imagem encontrada na net
terça-feira, maio 04, 2010
UM DIA ESPECIAL
terça-feira, abril 27, 2010
MEDO
Tu tens um medo:
Que morrerás por idades imensas.
quinta-feira, abril 15, 2010
INQUIETUDE
quinta-feira, abril 08, 2010
COISAS DO AMOR
domingo, março 28, 2010
VOLTAR
e sem uma só mágoa recalcada,
persefone-hades.blogspot.com
quarta-feira, março 10, 2010
sexta-feira, fevereiro 26, 2010
RENOVAÇÃO
quinta-feira, fevereiro 18, 2010
MULHER
terça-feira, fevereiro 02, 2010
terça-feira, janeiro 19, 2010
CANÇÃO

Canção
Tu eras neve.
Branca neve acariciada.
Lágrima e jasmim
no limiar da madrugada.
Tu eras água.
Água do mar se te beijava.
Alta torre, alma, navio,
adeus que não começa nem acaba.
Eras o fruto
nos meus dedos a tremer.
Podíamos cantar
ou voar, podíamos morrer.
Mas do nome
que maio decorou,
nem a cor
nem o gosto me ficou.
quinta-feira, janeiro 07, 2010
LUAR
domingo, dezembro 13, 2009
E JESUS PERGUNTOU

sexta-feira, dezembro 04, 2009
CREPÚSCULO

quarta-feira, novembro 25, 2009
PALAVRAS, PALAVRAS

Há palavras de vida há palavras de morte
Há palavras imensas, que esperam por nós
E outras frágeis, que deixaram de esperar
Há palavras acesas como barcos
E há palavras homens, palavras que guardam
O seu segredo e a sua posição
.
Entre nós e as palavras, surdamente,
As mãos e as paredes de Elsenor
.
E há palavras e nocturnas palavras gemidos
Palavras que nos sobem ilegíveis À boca
Palavras diamantes palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever
Por não termos connosco cordas de violinos
Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
E os braços dos amantes escrevem muito alto
Muito além da azul onde oxidados morrem
Palavras maternais só sombra só soluço
Só espasmos só amor só solidão desfeita
.
Entre nós e as palavras, os emparedados
E entre nós e as palavras, o nosso dever falar.
Mário Cesariny
quarta-feira, novembro 18, 2009
DESALENTO

De desalento...de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa...remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
.
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
.
-Eu faço versos como quem morre.
Manuel Bandeira
sexta-feira, novembro 06, 2009
SEM DESCOBRIRMOS A COR

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda.
Maria Teresa Horta
Foto encontrada na net
segunda-feira, outubro 26, 2009
À FLOR DE UM VIDRO

transparente de angústias, de alegrias,
desfeito em silêncios, em ausências.
.
Só nos sustenta a frescura lhana
das manhãs, a brisa apolínea dos estios,
porque buscamos a nudez, a despojada luz
o sonho rupestre persistente das origens.
Vieira Calado
Imagem encontrada em: timblindim.wordpress.com
segunda-feira, outubro 19, 2009
NADA SE PERDE VERDADEIRAMENTE
"...E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente.Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros.
sábado, outubro 10, 2009
ENCONTRO COM A VIDA

Este é o tempo de desatar os nós
Soltar as pontas já rasgadas
No uso repetido de tantas despedidas.
É o tempo de esvaziar os olhos
Da imagem de outros olhos
E das coisas que eles viram para lá das permitidas
É tempo de emudecer as palavras
Para que não escute
Sequer o som da minha voz
De esvaziar a cabeça de memórias
Dos tempos feitos de demoras
E das conversas caladas entre nós
Deixar que a mente assim liberta
Possa enfim traçar o rumo de outra estória
sexta-feira, outubro 02, 2009
ERROS
Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar.
Clarice Lispector
Imagem tirada daqui http://nusingular.blogspot.com/2005_10_01_archive.html
terça-feira, setembro 22, 2009
CAMINHOS

Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!
Fernando Pessoa
domingo, setembro 13, 2009
SOL ARDENTE

.
quinta-feira, setembro 03, 2009
PALAVRAS INTERDITAS
As palavras que te envio são interditasAs palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.
Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.
E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.
Eugénio de Andrade
Imagem da net
terça-feira, agosto 25, 2009
PENSAMENTOS
Foto tirada da net
quarta-feira, agosto 12, 2009
FLORESTA DE PALAVRAS
Quando desembarquei da minha viagem sem destino certo, deparei com um lugar sem nome, onde o ar era de tal modo rarefeito que me sufocava lentamente e o céu tinha uma cor indefenidaque aos poucos se ia tornando cor de sangue, o mesmo sangue que do meu coração vazava, ferido pelas dores que dia após dia eu sofria, enquanto ia perdendo um ente muito querido.
Agora quero que o meu pensamento se liberte e voe alto, muito alto, se inunde de beleza e tranquilidade e depois mergulhe em voo picado numa floresta densa, feita de pavras.
"Entrei pelas palavras como quem entra numa floresta densa à procura de espécies raras;
escolhia umas, afastava outras, mas algumas que escolhia, logo deitava fora, tão anónimas e sem carácter se mostravam depois. Às escondidas ia-as pondo juntas umas às outras, ora cruzadas, ora paralelas, como quem faz um muro e prefere umas pedras às outras para as casar conforme o volume e o ângulo delas.
Pouco a pouco fui encontrando ao acasol (ao acaso?),como numa revelação misteriosa, palavras raras, preciosas, brilhantes ou sombrias, umas ricas, outras pobres, sonoras ou mudas, mas todas intimamente ligadas por qualquer laço comum, como se entre elas houvesse uma predestinação ou qualquer liame invisível que as prendesse. E logo que as juntava ficavam tão unidas umas às outras que já não parecia mais possível desligá-las, tão estranhamente fundidas que cada uma perdia aquilo que antes a distinguia, para todas encontrarem nessa transmutação uma nova expressão, feita de sons, a princípio vagos, sussurrantes como num búzio, mas logo depois tomando formas musicais, ainda que entrecortadas e incompletas como os instrumentos que os músicos afinam antes de a orquestra começar um concerto.
Às vezes, caprichosamente, uma ou outra palavra fugia, escondia-se no grande cemitério das palavras mortas; e era preciso procurá-la, adivinhá-la, encontrá-la e pô-la no seu lugar próprio, ainda vazio, que só a ela pertencia. Era preciso procurá-la amorosamente, como o garimpeiro nas águas do rio busca a pepita refulgente. E assim, na densa floresta das palavras, pude escolher essa matéria prima a que o sonho deu a transcendência da criação da própria vida."
in Pablo La Noche - Marcello Matias
Imagem da net.
segunda-feira, julho 20, 2009
FÉRIAS

domingo, julho 12, 2009
PERGUNTA-ME

Pergunta-me
Se ainda és o meu fogo
Se acendes ainda
O minuto de cinza
Se despertas
A ave magoada
Que se queda
Na árvore do meu sangue
Pergunta-me
Se o vento não traz nada
Se o vento tudo arrasta
Se na quietude do lago
Repousaram a fúria
E o tropel de mil cavalos
Pergunta-me
Se te voltei a encontrar
De todas as vezes que me detive
Junto das pontes enevoadas
E se eras tu
Quem eu via
Na infinita dispersão do meu ser
Se eras tu
Que reunias pedaços do meu poema
Reconstruindo
A folha rasgada
Na minha mão descrente
Qualquer coisa
Pergunta-me qualquer coisa
Uma tolice
Um mistério indecifrável
Simplesmente
Para que eu saiba
Que queres ainda saber
Para que mesmo sem te responder
Saibas o que te quero dizer.
De Mia Couto-1955
sábado, julho 04, 2009
EM NOME DE
Em nome da tua ausênciaConstruí com loucura uma grande casa branca
E ao longo das paredes te chorei
Sophia de Mello Breyner Andresen
Imagem da net (óleo sobre tela)
quinta-feira, junho 25, 2009
VARINHA DE CONDÃO

sexta-feira, junho 19, 2009
SILÊNCIO
Eugénio de Andrade
Foto tirada da net
terça-feira, junho 09, 2009
DIA PURO
Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.
.
Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas
Sofia de Mello Breyner Andresen
Foto de Baby (Costa Vicentina)
terça-feira, junho 02, 2009
AUSÊNCIA

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond de Andrade
Fotografia tiradada da net
segunda-feira, maio 25, 2009
AS NOITES

encontramos de nós em poucos meses
David Mourão-Ferreira
domingo, maio 17, 2009
PLENA DE TUDO

...Que minha solidão me sirva de companhia
que eu tenha a coragem de me enfrentar
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Clarice Lispector
Fotografia tirada da net
domingo, maio 10, 2009
PONTO FINAL

Deparei com um ponto final
Pequenino mas real
Bem desenhado
E nada circunstancial.
Estava lá
Cortando ao meio o dia
Olhando-me nos olhos
Sem temor
E sem qualquer pudor.
Incrédula, encarei
Mas na minha mão
Um leve tremor fazia adivinhar
Que não era total a firmeza
Com que sustentava o seu olhar.
Já passei por muitos pontos,
Alguns até com vírgulas,
Pontos de interrogação,
Mas um ponto final?
É algo que intimida,
Porque a sua precisão
Pode significar o fim
De um simples dia de Verão,
De uma valsa,
De um amor
Ou do percurso harmonioso de uma vida.
Fotografia de Aline Casassa (tirada da net)
























