terça-feira, novembro 30, 2010
ESPERANÇA
Tantas formas revestes, e nenhuma
Me satisfaz!
Vens às vezes no amor, e quase te acredito.
Mas todo o amor é um grito
Desesperado
Que apenas ouve o eco...
Peco
Por absurdo humano:
Quero não sei que cálice profano
Cheio de um vinho herético e sagrado.
Miguel Torga, in 'Penas do Purgatório'
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terça-feira, novembro 30, 2010
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domingo, novembro 21, 2010
QUANDO OS PEIXES ERAM VERDES
Relendo e revivendo EUGÉNIO DE ANDRADE
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio,
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
Gastámos as mãos à força de as apertarmos,
Gastámos o relógio e as paredes das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tinhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava, mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes
e eu acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inutil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Poema ADEUS
de Eugénio de Andrade
Imagem encontrada na net
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio,
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
Gastámos as mãos à força de as apertarmos,
Gastámos o relógio e as paredes das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tinhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava, mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes
e eu acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inutil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Poema ADEUS
de Eugénio de Andrade
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sexta-feira, novembro 12, 2010
BRANCURA
Compreendo que não tenhas tremido quando a tua mão
deslizou pela página, deixando as linhas em branco. Nada do que
não escreveste está errado; nem o nada que leio, linha a linha, me
obriga a corrigir o que quer que seja. Nem riscos a vermelho,
nem notas à margem: o branco obriga ao branco e de uma ponta
à outra é este branco que eu tenho pela frente, sem nada para
ver além das próprias linhas azuis como linhas de horizonte
nesse mar que é a tua cabeça vazia. Mas obrigas-me a partir
para dentro dele, com o batiscafo das profundezas, em busca
do que se esconde sob o teu branco. Talvez fosse melhor olhar-te
nos olhos e descobrir no centro da íris esse espaço, a que uns
chamam o abismo de si, onde se decide o que há para fazer
quando o papel está vazio, e só a mão que escreve pode fazer
alguma coisa para transpor as linhas que se abrem, rectas
e azuis, pela frente do que não sabes. E entregas a decisão ao nada,
o que talvez seja a mais sábia das decisões para quem está perante
o que não escreveste, sem saber ao certo se o branco pode ser uma
resposta ao que te perguntaram, ou se és tu que transformaste
em nada tudo o que aprendeste. Desço, assim, ao fundo do mar, por entre
as linhas que deixaste em branco, para me esquecer de tudo o que sei.
De Nuno Júdice
EXAME EM BRANCO
in A matéria do poema
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marimauraraiodeluz.blogspot.com
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branco
quinta-feira, novembro 04, 2010
AMANHÃ
Amanhã
o amor virá ao meu encontro
exuberante de paixão
e de desejos incontidos.
Chegará com a aurora
envolto em sua rubra cor
e ao tocar-me o coração
o dia romperá, numa explosão,
mostrando todo o seu esplendor!
Gritarei teu nome
sobre a terra frágil
e lumes se acenderão
trespassando o espaço
que até então nos separara.
Tu virás com teus olhos mudos
e teus braços abertos
e me prenderás no teu abraço.
Mil aves enfeitarão os céus
resplandecendo sob a luz do sol
e as palavras brotarão em nós
como murmúrios renascidos
que subirão de tom
como asas que se abrem
para o seu primeiro voo,
impulsionadas por melodioso som.
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o amor virá ao meu encontro
exuberante de paixão
e de desejos incontidos.
Chegará com a aurora
envolto em sua rubra cor
e ao tocar-me o coração
o dia romperá, numa explosão,
mostrando todo o seu esplendor!
Gritarei teu nome
sobre a terra frágil
e lumes se acenderão
trespassando o espaço
que até então nos separara.
Tu virás com teus olhos mudos
e teus braços abertos
e me prenderás no teu abraço.
Mil aves enfeitarão os céus
resplandecendo sob a luz do sol
e as palavras brotarão em nós
como murmúrios renascidos
que subirão de tom
como asas que se abrem
para o seu primeiro voo,
impulsionadas por melodioso som.
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quarta-feira, outubro 27, 2010
ROSEIRAL
Foi para ti que criei as rosas.
Foi para ti que lhes dei perfume.
Para ti rasguei ribeiros
e dei às romãs a cor do lume.
Eugénio de Andrade
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terça-feira, outubro 12, 2010
À RÉDEA SOLTA
Nunca mais a busca angustiada de palavras
que dancem com a rima
num ritmo alucinado.
Seu mundo é à rédea solta
sem métrica nem significado.
Respirando poesia
e voando sem escolta,
são presa fácil do louco
que as arruma,
pouco a pouco
ao sabor do seu sentir.
O que sabem as pessoas
dos versos que os loucos fazem?
são uma mistura tamanha
de alegrias e ais sentidos
de momentos de ilusão
e amores incompreendidos
de beijos leves e doces
e guerras sem fim à vista.
De horas de desalento
e palavras de paixão
de uma doçura envolvente
mas que matam sem ter dó,
outros loucos que à partida,
esquecem completamente
que as palavras dum poema
são uma verdade fingida
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terça-feira, outubro 12, 2010
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loucura,
paixão,
poesia
domingo, outubro 03, 2010
PAIXÃO
Um olhar trocado
uma palavra não dita
um gesto sonhado
um sorriso esboçado
e quase escondido
e eis que no peito
um alvoroço se instala
e o coração dispara
e bate de um jeito
que o sangue enlouquece
e ondula nas veias
como seara batida
pelos ventos de leste
E são olhos que riem
sonhos que renascem
mãos que procuram
bocas que prometem
É a paixão que desponta
cá dentro da gente
e nos faz sentir
como se do mundo
fossemos o centro
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uma palavra não dita
um gesto sonhado
um sorriso esboçado
e quase escondido
e eis que no peito
um alvoroço se instala
e o coração dispara
e bate de um jeito
que o sangue enlouquece
e ondula nas veias
como seara batida
pelos ventos de leste
E são olhos que riem
sonhos que renascem
mãos que procuram
bocas que prometem
É a paixão que desponta
cá dentro da gente
e nos faz sentir
como se do mundo
fossemos o centro
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sábado, setembro 25, 2010
SOU UM SER
"Sou uma filha da natureza:
quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo,
de um mistério.
Sou uma só... Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo."
Clarice Lispector
Foto da web
quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo,
de um mistério.
Sou uma só... Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo."
Clarice Lispector
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segunda-feira, setembro 20, 2010
RIO DE PALAVRAS
Surdo, Subterrâneo Rio
Surdo, subterrâneo rio de palavras
me corre lento pelo corpo todo;
amor sem margens onde a lua rompe
e nimba de luar o próprio lodo.
Correr do tempo ou só rumor do frio
onde o amor se perde e a razão de amar
--- surdo, subterrâneo, impiedoso rio,
para onde vais, sem eu poder ficar?
Eugénio de Andrade
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segunda-feira, setembro 20, 2010
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lodo,
subterrâneo
terça-feira, setembro 14, 2010
NA SOMBRA DOS TEUS DEDOS
Na sombra dos teus dedos
adormeço.
Bato à porta dos sonhos e
estremeço
no calor da tua boca,
sufoco no teu beijo e
desfaleço
fremente como um pássaro
que voa sem ter asas.
E perco-me.
Como um rio sem margens,
vagueio sem ter norte
mergulhada na lembrança
dum tempo esvaziado
onde a vertigem das horas
consumia os dias
e as noites se acendiam
até chegar a alvorada.
Foto encontrada na net
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terça-feira, setembro 14, 2010
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segunda-feira, setembro 06, 2010
NA HORA DO SILÊNCIO
Esta casa tão vazia
Enche-se de penumbra e de tristeza
Quando o sol em agonia
Tinge tudo de beleza
Com as cores do entardecer.
É na hora do silêncio
Quando o ambiente se dilui
E a noite principia
Que a tua ausência se mostra, seminua,
Iluminando tudo à volta
Como se em vez de sombra
fosse lua.
Tento ignorá-la, mas em vão,
Insidiosa,
Envolve-me em seus braços de algodão
E embala-me no colo,
Terna e caridosa,
Cantando-me baixinho,
Até eu adormecer.
Imagem recolhida na net.
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quarta-feira, agosto 25, 2010
DESENCONTROS
Este é o amor das palavras demoradas
Moradas habitadas
Nelas mora
Em memória e demora
O nosso breve encontro com a vida
Poema BREVE ENCONTRO
de
Sophia de Mello Breyner Andresen
in O NOME DAS COISAS
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quarta-feira, agosto 25, 2010
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segunda-feira, agosto 16, 2010
POEMA DA NOITE
A noite avoluma-se
Mergulhada em sombras,
Povoada de medos
E de lembranças acesas,
De bocas exangues
Escorrendo palavras,
De olhos vazios
Querendo enxergar.
É na noite escura
Que o sono se perde
Nas curvas da insónia,
Que as horas se alongam
No chão das memórias,
Que os sonhos se inventam
E no peito se acolhem
Como uma semente que quer germinar.
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segunda-feira, agosto 16, 2010
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memórias. semente,
sombras
segunda-feira, agosto 09, 2010
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segunda-feira, julho 26, 2010
PORTA FECHADA
Num canto perdido em mim
Guardo os beijos que ensaiei
Nas noites quietas, sem fim
E as palavras que inventei
E te queria dizer
Numa manhã de esperança,
Cheirando ao pólen das flores.
Mas à tua porta fechada
Foram perdendo o esplendor,
O viço, a alma e a cor.
Morreram sem dizer nada
Os ecos do meu passado,
Porque a manhã perfumada
Não chegou a acontecer.
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segunda-feira, julho 26, 2010
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terça-feira, julho 20, 2010
O MUNDO É UMA MARAVILHA
Procura a maravilha.
Onde um beijo sabe
a barcos e bruma.
No brilho redondo
e jovem dos joelhos.
Na noite inclinada
de melancolia.
Procura.
Procura a maravilha.
Assim diz Eugénio de Andrade
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domingo, julho 04, 2010
O RUMOR DA ONDA
Soneto do amor difícil
A praia abandonada recomeça
logo que o mar se vai, a desejá-lo:
é como o nosso amor, somente embalo
é como o nosso amor, somente embalo
enquanto não é mais que uma promessa...
Mas se na praia a onda se espedaça,
há logo nostalgia duma flor
que ali devia estar para compor
a vaga em seu rumor de fim de raça.
Bruscos e doloridos, refulgimos
no silêncio de morte que nos tolhe,
como entre o mar e a praia um longo molhe
de súbito surgido à flor dos limos.
E deste amor difícil só nasceu
desencanto na curva do teu céu.
David Mourão-Ferreira
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sábado, junho 26, 2010
Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.
No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.
Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.
Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.
Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha
Eugénio de Andrade
Foto encontrada na web.
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terça-feira, junho 15, 2010
CASULO
Abro as portas ao silêncio
Para calar os gritos que não solto,
Para diluir as lágrimas que não choro
E que inundam a transparência líquida dos meus olhos.
Navego então na solidão do meu vazio
Surda aos sons abafados pelo nada,
Cega às cores que fluem, transitórias,
Fechada às lembranças que me assolam
No frio cortante de cada madrugada.
E fico assim, fechada num casulo,
Esperando ganhar asas
Quando um vento, por destino, aqui passar
E num gesto solidário me empurrar
Deixando-me a navegar de novo
No mar aberto dos sentidos.
Foto encontrada aqui http://www.h2art.com.br/portfolio/3d/casulo02.jpg
Para calar os gritos que não solto,
Para diluir as lágrimas que não choro
E que inundam a transparência líquida dos meus olhos.
Navego então na solidão do meu vazio
Surda aos sons abafados pelo nada,
Cega às cores que fluem, transitórias,
Fechada às lembranças que me assolam
No frio cortante de cada madrugada.
E fico assim, fechada num casulo,
Esperando ganhar asas
Quando um vento, por destino, aqui passar
E num gesto solidário me empurrar
Deixando-me a navegar de novo
No mar aberto dos sentidos.
Foto encontrada aqui http://www.h2art.com.br/portfolio/3d/casulo02.jpg
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terça-feira, junho 08, 2010
DUNAS
Dei-te os dias, as horas e os minutos
Destes anos de vida que passaram;
Nos meus versos ficaram
Imagens que são máscaras anónimas
Do teu rosto proibido;
A fome insatisfeita que senti
Era de ti,
Fome do instinto que não foi ouvido.
Agora retrocedo, leio os versos,
Conto as desilusões no rol do coração
Recordo o pesadelo dos desejos,
Olho o deserto humano, desolado,
E pergunto porquê, porque razão
Nas dunas do teu peito o vento passa
Sem tropeçar na graça
Do mais leve sinal da minha mão.
Miguel Torga
Imagem da web
___
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domingo, maio 30, 2010
BARQUINHO DE PAPEL
Nesta manhã de céu azul, fui à praia e o azul do céu fazia mais azul o azul do mar...então fiz um barquinho de papel igual aos que fazia quando era criança e resolvi carregá-lo com mil recordações que me pesavam na alma e sentindo-me mais leve, corri a lançá-lo à água, enquanto me vinha à lembrança o belíssimo poema de
CECÍLIA MEIRELES :
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
Imagem da Web
CECÍLIA MEIRELES :
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
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vento
sábado, maio 22, 2010
SAUDADES QUE SABEM RIR
Existem saudades que sabem rir. São as minhas preferidas. Algumas, nascem sabendo. Outras aprendem, depois de transformar o choro.
Como borboletas, voam pelos jardins da memória, abraçam as lembranças mais viçosas, e saboreiam o néctar, sempre disponível, das alegrias perenes.'”
Ana Jácomo
Imagen da web_
segunda-feira, maio 17, 2010
A MINHA RUA
Mudei o nome à minha rua
que antes de bulício se enfeitava
e hoje me aparece sempre nua,
despida de alegria,
indiferente às vozes de quem passa
e à luz que a acaricia,
quando a lua se mostra,
branca e fria.
Com o nome,
foi também o perfume que ela tinha
e a graça que exibia,
essa rua que é a minha,
quando o sol
por lá entrava.
Chamei-a de rua triste,
porque os passos que a alegravam
e a faziam tão festiva,
já não soam na calçada
e há um silêncio que persiste
nas pedras inexpressivas.
Foto encontrada aqui :http://poetik4ever.blogspot.com/2009_08_01_archive.html
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segunda-feira, maio 17, 2010
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quarta-feira, maio 12, 2010
AMARGURA
Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face?
Cecilia Meireles
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quarta-feira, maio 12, 2010
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terça-feira, maio 04, 2010
UM DIA ESPECIAL
Mais logo, quando acordar,
Quero ser um girassol
E rodar o dia inteiro
Sempre virada para o sol,
Quero brilhar contra o céu
E absorver toda a luz
Que o sol tiver p'ra me dar...
E quando a noite chegar
E eu me deitar na cama,
Serei tocha, serei chama
P'a meus sonhos enxergar...
Foto da web.
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terça-feira, maio 04, 2010
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terça-feira, abril 27, 2010
MEDO
Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
Cecilia Meireles
Photo Credit Bina Sveda (encontrada a net)
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quinta-feira, abril 15, 2010
INQUIETUDE
E me incendeia o olhar.
É a tua voz que ouço
Ou o meu coração a falar?
.
O meu relógio, calado,
Olha os ponteiros sem horas,
Porque o tempo está parado
E se derrama, alucinado,
No nada que à volta existe.
.
Uma inquietude me assola.
Um silêncio que persiste.
.
Imagem da net em http://taxicidade.wordpress.com/
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quinta-feira, abril 08, 2010
COISAS DO AMOR
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eterno,
instante
domingo, março 28, 2010
VOLTAR
limpa e renovada
sem feridas abertas
e sem uma só mágoa recalcada,
e sem uma só mágoa recalcada,
nem que para isso tivesse que ser rio
e ser levada até ao mar,
p'ra lá ficar a vaguear
até que o sal tudo sarasse
e eu deixasse de ter frio
de manhã, ao acordar.
.
Nessas águas estendi o rol da minha vida
e deixei que se afundassem
as memórias mais pesadas,
salvando apenas uma ou mais sentida
que embrulhei no azul daquele mar
e que vou levar comigo,
como lembrança estremecida,
para saber quem sou
e para onde vou,
de manhã, ao acordar.
.
E quando por fim amanheceu,
foi aquela cor azul
que inundou o meu olhar
e me trouxe de volta até aqui,
onde sempre foi e será o meu lugar.
Fografia encontrada na net em persefone-hades.blogspot.com
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domingo, março 28, 2010
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quarta-feira, março 10, 2010
sexta-feira, fevereiro 26, 2010
RENOVAÇÃO
Hoje acordei assim
Leve linda e livre
Querendo enfrentar a vida
E meus sonhos renovar
.
E serei asa
E grão
E rio também
Serei o verde dos campos
E flor ainda em botão
Serei árvore
Serei sombra
E fruto sabendo a pão
Serei chama
E também vento
Serei a luz do luar
Serei chuva
E depois água
Serei barco
Serei vela
Serei guerra
Até encontrar a paz.
Fotografia encontrada na net
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sexta-feira, fevereiro 26, 2010
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quinta-feira, fevereiro 18, 2010
MULHER
pela alma
.
Faz uma trança de riso
Em vez de lágrima
.
Tece o amor que tem
até aos outros
.
Troca o espírito e a paz
pela coragem
.
Ela teima na esperança
e volta ainda
.
Retoma o fio de prumo
com que traça
.
A linha da vida
que assume
.
Dispondo do avesso
até à face
.
Ela põe e repõe
o seu destino
.
Vai mais longe
naquilo que disfarça
.
Ela ousa o coração
e reafirma
.
Bordando o arco-íris
do que é frágil
.
Maria Teresa Horta
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terça-feira, fevereiro 02, 2010
terça-feira, janeiro 19, 2010
CANÇÃO

Canção
Tu eras neve.
Branca neve acariciada.
Lágrima e jasmim
no limiar da madrugada.
Tu eras água.
Água do mar se te beijava.
Alta torre, alma, navio,
adeus que não começa nem acaba.
Eras o fruto
nos meus dedos a tremer.
Podíamos cantar
ou voar, podíamos morrer.
Mas do nome
que maio decorou,
nem a cor
nem o gosto me ficou.
Eugénio de Andrade
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quinta-feira, janeiro 07, 2010
LUAR
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domingo, dezembro 13, 2009
E JESUS PERGUNTOU

Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau
Do perú, das rabanadas.
.
-Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!
.
-Está bem, eu sei.
-E as garrafas de vinho?
.
-Já vão a caminho!
.
-Oh mãe, estou pra ver
Que prendas vou ter.
Que prendas terei?
.
-Não sei, não sei...
.
Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus -Menino
Murmura baixinho:
.
-Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
.
Senta-se a família à volta da mesa.
Não há sinal da cruz
Nem oração ou reza.
.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
Lá fora tão frio
Cá dentro tão quente!
.
Algures, esquecido
Ouve-se Jesus dorido:
-Então e Eu?
Toda a gente Me esqueceu?
.
Rasgam-se os embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papéis
Sem regras sem leis.
E Cristo-Menino
-A fazer beicinho:
Toda a gente Me esqueceu
Foi a festa do Meu Natal
E do princípio ao fim
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto!
.
Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto, no fechar da luz:
-Foi este o Natal de Jesus?
João Coelho dos Santos
in Lágrima do mar.
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sexta-feira, dezembro 04, 2009
CREPÚSCULO

Ninguém nos viu hoje à tarde de mãos dadas
enquanto a noite azul caía sobre o mundo.
.
Olhei da minha janela
a festa do poente nas encostas ao longe.
.
Às vezes como uma moeda
acendia-se um pedaço de sol nas minhas mãos.
.
Eu recordava-te com a alma apertada
por essa tristeza que tu me conheces.
.
Onde estavas então?
Entre que gente?
Dizendo que palavras?
Porque vem até mim todo o amor de repente
quando me sinto triste e te sinto tão longe?
.
Caiu o livro em que sempre pegamos ao crepúsculo,
e como um cão ferido rodou a minha capa aos pés.
.
Sempre, sempre te afastas pela tarde
para onde o crepúsculo corre apagando estátuas.
Pablo Neruda
in Vinte Poemas de Amor
e
Uma Canção Desesperada
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quarta-feira, novembro 25, 2009
PALAVRAS, PALAVRAS

Ao longo da muralha que habitamos
Há palavras de vida há palavras de morte
Há palavras imensas, que esperam por nós
E outras frágeis, que deixaram de esperar
Há palavras acesas como barcos
E há palavras homens, palavras que guardam
O seu segredo e a sua posição
.
Entre nós e as palavras, surdamente,
As mãos e as paredes de Elsenor
.
E há palavras e nocturnas palavras gemidos
Palavras que nos sobem ilegíveis À boca
Palavras diamantes palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever
Por não termos connosco cordas de violinos
Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
E os braços dos amantes escrevem muito alto
Muito além da azul onde oxidados morrem
Palavras maternais só sombra só soluço
Só espasmos só amor só solidão desfeita
.
Entre nós e as palavras, os emparedados
E entre nós e as palavras, o nosso dever falar.
Há palavras de vida há palavras de morte
Há palavras imensas, que esperam por nós
E outras frágeis, que deixaram de esperar
Há palavras acesas como barcos
E há palavras homens, palavras que guardam
O seu segredo e a sua posição
.
Entre nós e as palavras, surdamente,
As mãos e as paredes de Elsenor
.
E há palavras e nocturnas palavras gemidos
Palavras que nos sobem ilegíveis À boca
Palavras diamantes palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever
Por não termos connosco cordas de violinos
Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
E os braços dos amantes escrevem muito alto
Muito além da azul onde oxidados morrem
Palavras maternais só sombra só soluço
Só espasmos só amor só solidão desfeita
.
Entre nós e as palavras, os emparedados
E entre nós e as palavras, o nosso dever falar.
Mário Cesariny
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quarta-feira, novembro 18, 2009
DESALENTO

Eu faço versos como quem chora
De desalento...de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa...remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
.
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
.
-Eu faço versos como quem morre.
Manuel Bandeira
De desalento...de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa...remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
.
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
.
-Eu faço versos como quem morre.
Manuel Bandeira
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sexta-feira, novembro 06, 2009
SEM DESCOBRIRMOS A COR

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
Se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.
Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda.
Maria Teresa Horta
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sexta-feira, novembro 06, 2009
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segunda-feira, outubro 26, 2009
À FLOR DE UM VIDRO

O tempo passa à flor dum vidro
transparente de angústias, de alegrias,
desfeito em silêncios, em ausências.
.
Só nos sustenta a frescura lhana
das manhãs, a brisa apolínea dos estios,
porque buscamos a nudez, a despojada luz
o sonho rupestre persistente das origens.
transparente de angústias, de alegrias,
desfeito em silêncios, em ausências.
.
Só nos sustenta a frescura lhana
das manhãs, a brisa apolínea dos estios,
porque buscamos a nudez, a despojada luz
o sonho rupestre persistente das origens.
Vieira Calado
Imagem encontrada em: timblindim.wordpress.com
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segunda-feira, outubro 19, 2009
NADA SE PERDE VERDADEIRAMENTE
"...E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente.Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros.
Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram.
Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."
Miguel Sousa Tavares
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sábado, outubro 10, 2009
ENCONTRO COM A VIDA

Este é o tempo de desatar os nós
Soltar as pontas já rasgadas
No uso repetido de tantas despedidas.
É o tempo de esvaziar os olhos
Da imagem de outros olhos
E das coisas que eles viram para lá das permitidas
É tempo de emudecer as palavras
Para que não escute
Sequer o som da minha voz
De esvaziar a cabeça de memórias
Dos tempos feitos de demoras
E das conversas caladas entre nós
Deixar que a mente assim liberta
Possa enfim traçar o rumo de outra estória
Onde o novo se encontre com a vida.
Imagem tirada da net.
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sexta-feira, outubro 02, 2009
ERROS
Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar.
Clarice Lispector
Imagem tirada daqui http://nusingular.blogspot.com/2005_10_01_archive.html
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terça-feira, setembro 22, 2009
CAMINHOS

Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!
Fernando Pessoa
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!
Fernando Pessoa
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domingo, setembro 13, 2009
SOL ARDENTE

Por onde
a dor da tua ausência,
a mudez dos silêncios
o eco surdo das palavras
desfeitas na garganta?
.
.
Hoje
a plenitude de um sol ardente
que me dourava a pele e os sonhos
uma brisa leve,
tão leve como seda pura
.
E a música que escorria lenta
e se transformava em ondas
abrindo atalhos no meu peito
tão perfeitos e profundos
que o mar, ali tão perto,
me fez água
.
E com ele murmurei OHMMMMM...
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quinta-feira, setembro 03, 2009
PALAVRAS INTERDITAS
As palavras que te envio são interditasAs palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.
Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.
E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.
Eugénio de Andrade
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terça-feira, agosto 25, 2009
PENSAMENTOS
Timidez
Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...
- mas só esse eu não farei.
Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...
- palavra que não direi.
Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,
- que amargamente inventei.
E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...
e um dia me acabarei.
Cecília Meireles
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terça-feira, agosto 25, 2009
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quarta-feira, agosto 12, 2009
FLORESTA DE PALAVRAS
Quando desembarquei da minha viagem sem destino certo, deparei com um lugar sem nome, onde o ar era de tal modo rarefeito que me sufocava lentamente e o céu tinha uma cor indefenidaque aos poucos se ia tornando cor de sangue, o mesmo sangue que do meu coração vazava, ferido pelas dores que dia após dia eu sofria, enquanto ia perdendo um ente muito querido.
Agora quero que o meu pensamento se liberte e voe alto, muito alto, se inunde de beleza e tranquilidade e depois mergulhe em voo picado numa floresta densa, feita de pavras.
"Entrei pelas palavras como quem entra numa floresta densa à procura de espécies raras;
escolhia umas, afastava outras, mas algumas que escolhia, logo deitava fora, tão anónimas e sem carácter se mostravam depois. Às escondidas ia-as pondo juntas umas às outras, ora cruzadas, ora paralelas, como quem faz um muro e prefere umas pedras às outras para as casar conforme o volume e o ângulo delas.
Pouco a pouco fui encontrando ao acasol (ao acaso?),como numa revelação misteriosa, palavras raras, preciosas, brilhantes ou sombrias, umas ricas, outras pobres, sonoras ou mudas, mas todas intimamente ligadas por qualquer laço comum, como se entre elas houvesse uma predestinação ou qualquer liame invisível que as prendesse. E logo que as juntava ficavam tão unidas umas às outras que já não parecia mais possível desligá-las, tão estranhamente fundidas que cada uma perdia aquilo que antes a distinguia, para todas encontrarem nessa transmutação uma nova expressão, feita de sons, a princípio vagos, sussurrantes como num búzio, mas logo depois tomando formas musicais, ainda que entrecortadas e incompletas como os instrumentos que os músicos afinam antes de a orquestra começar um concerto.
Às vezes, caprichosamente, uma ou outra palavra fugia, escondia-se no grande cemitério das palavras mortas; e era preciso procurá-la, adivinhá-la, encontrá-la e pô-la no seu lugar próprio, ainda vazio, que só a ela pertencia. Era preciso procurá-la amorosamente, como o garimpeiro nas águas do rio busca a pepita refulgente. E assim, na densa floresta das palavras, pude escolher essa matéria prima a que o sonho deu a transcendência da criação da própria vida."
in Pablo La Noche - Marcello Matias
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quarta-feira, agosto 12, 2009
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