sexta-feira, junho 10, 2011

COMO ASAS




Quando eu morrer

Quando eu  morrer,não digas a ninguém que foi por ti.
Cobre o meu corpo frio com um desses lençóis
que alagámos de beijos quando eram outras horas
nos relógios do mundo e não havia ainda quem soubesse
de nós; e leva-o depois para junto do mar, onde possa
ser apenas mais um poema - como esses que eu escrevia
assim que a madrugada se encostava aos vidros e eu
tinha medo de me deitar só com a tua sombra. Deixa

que nos meus braços pousem então as aves (que, como eu,
trazem entre as penas a saudades de um verão carregado
de paixões). E planta à minha volta uma fiada de rosas
brancas que chamem pelas abelhas, e um cordão de árvores
que perfurem a noite - porque a morte deve ser clara
como o sal na bainha das ondas, e a cegueira sempre
me assustou (e eu já ceguei de amor, mas não contes
a ninguém que foi por ti). Quando eu morrer, deixa-me

a ver o mar do alto de um rochedo e não chores, nem
toques com os teus lábios a minha boca fria. E promete-me
que rasgas os meus versos em pedaços tão pequenos
como pequenos foram sempre os meus ódios; e que depois
os lanças na solidão de um arquipélago e partes sem olhar
para trás nenhuma vez: se alguém os vir de longe brilhando
na poeira, cuidará que são flores que o vento despiu, estrelas
que se escaparam das trevas, pingos de luz, lágrimas de sol,
ou penas de um anjo que perdeu as asas por amor.

M.do Rosário Pedreira
Imagem encontrada na net

18 comentários:

Vanuza Pantaleão disse...

Belíssimo poema, Baby!
Um anjo que perdeu as asas por amor...
Um doce final de semana!
Beijos

valquiria calado disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Manuel Luis disse...

A morte é uma coisa indigna! Não quero que morras por mim.
Quando eu morrer quero que cantes uma ao teu gosto.
Uma flor com um beijo.

retrato disse...

magnífica alusão ao amor.

será que ainda há "gente" que não sabe amar? há, e muita. não por ignorância, porque não sabem como se vive em amor, mas sim porque para eles não é importante, não tem valor, aliás, outros valores se levantam.
gente fria que nem de si própria, apenas um pingo que seja, sente o quanto o amor nos faz crescer com desejos, e tantos outros momentos que só o amor sabe definir, e nos faz sentir.
amar-me-ei eternamente e só assim posso amar alguém.

repito...
magnífica alusão ao amor.

linda escolha, sabes o que é amar!

Impressões de um cotidiano triste disse...

que coisa linda, do saudoso, do romantico e eterno amor.

Álvaro Lins disse...

Não é preciso dizer! Excelente escolha:)
Abraço

C Valente disse...

belo, belíssimo, e a canção tambem
Saudações amigas

Dois Rios disse...

Gosto da M.R.Pedreira, Baby!

Aliás, gosto de poetas que falem por nós, sintam por nós, e que versem por nós.

Saudades de ti!

Beijo,

Inês

Secreta disse...

Lindo lindo este poema!
Desejo-te uma boa semana.
Beijito.

Vieira Calado disse...

Olá, amiga!

E é bem belo

este poema!



* Amanhã, às 21 horas,
há uma manifestação cultural, debaixo duma figueira, na Praia da Luz (mesmo junto à Guarda Fiscal).
Comparecem autores de 5 Poetas de Lagos e é organizada pelo Deodato e pelo arq. Santa Rita.

Obviamente que a sessão é para quem queira lá ir.

aqui lhe deixo a informação.


Bjsss

Fernando Santos (Chana) disse...

Belo poema...Espectacular....
Cumprimentos

Luiz Caio disse...

Oi Baby, como vai?

Contato: Facebook, Luiz Caio.

Beijos.

Thiago disse...

Oi Baby!

Lindo poema! A tempos não via tanta beleza nas palavras. Amores assim são o que faltam no mundo. Se sacrificar por aqueles que amamos. Parabéns!

Beijo,

Thiago

Secreta disse...

Venho deixar um beijito e desejar bom fim de semana.

Dois Rios disse...

Minha querida,

Voltei só pra te agradecer as sempre suaves e carinhosas palavras que deixas nos meus rios.

Beijos ternos,
Inês

Nilson Barcelli disse...

Já conhecia o poema e a tua escolha foi excelente.
Minha amiga Baby, tem um bom fim de semana.
Beijos.

Canto da Boca disse...

Baby, querida, eu tão somente me lancei no vácuo, junto com o poema...

Deixo-te um beijo e um obrigada por sua sempre querida presença no Canto!

Álvaro Lins disse...

Baby, sentem-se saudades:)!
Abraço

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