segunda-feira, junho 18, 2018

MADRUGADA



É urgente encontrar-me
No meio desta inércia onde vagueio.
É urgente encontrar uma saída,
Um raio de luz, um esteio,
Uma mão que me abra a porta à vida,
Ao sorriso, à alegria,
Às palavras inseguras
Que se demoram no meu peito.
Quero soltá-las, sem freio,
Para que rompam o silêncio
E iluminem as noites mais escuras.
É urgente acordar com a madrugada
E fazer do novo dia a minha estrada!

Imagem colhida na net

terça-feira, maio 01, 2018

A ÁRVORE DA MEMÓRIA


Continuo à espera
Que o meu vazio se rompa
E o silêncio que lá mora
Se quebre nas esquinas do passado,
Para que as palavras regressem
Como frutos suculentos,
Amadurecidas pelo tempo
Na árvore da memória.

Imagem colhida na net.

quarta-feira, março 21, 2018

DIA MUNDIAL DA POESIA

P'ra celebrar este dia
vou pintar um sol radioso,
amarelo e gracioso,
prendê-lo com um cordel
e pendurá-lo à janela
p'ra me inspirar todo o dia,
enquanto busco as palavras
que voam por aí à solta
e vou alinhar num papel,
de maneira desenvolta,
em forma de poesia!

Falarão de muitas coisas...
De risos e gargalhadas,
de tristezas e lamentos,
de noites de amor, intensas,
de momentos de paixão
e dias de desalento.
Horas de pura emoção,
de beijos leves de amor,
de uma doçura envolvente...

Depois de bem arrumadas,
ao sabor da inspiração,
as palavras encontradas
falarão do meu sentir
em dia de celebração!

Imagem colhida na net.

sábado, março 03, 2018

PRIMAVERA



Acordo envolta em medos
Presa nos pesadelos que me invadem
Nas noites mal dormidas,
Em que as horas emudecem
E a paz me foge por entre dedos.

O dia nasce frágil e indeciso
E o azul que por direito
Seria a sua cor
Veste-se de cinzento
E perde todo o seu frescor.


Mas a primavera não demora
E a penumbra do inverno está por pouco.
Nos meus olhos já dançam andorinhas
E o azul e o verde que já brotam
Fazem a paisagem colorir-se, pouco a pouco.


Imagem colhida na net.

quarta-feira, janeiro 17, 2018

NAS MANHÃS CLARAS

Porque as lembranças boas que guardei
Foram cortadas
Como se de cepos inúteis se tratasse,
Hoje pesa-me na memória
O vazio imenso que lá mora.

Como um tronco inerte,
Num mar de águas profundas,
Onde os gritos de protesto se afogaram,
O meu corpo vagueia, sem ruído
E o meu pensamento flutua, entorpecido.

É quando um vento inesperado
Traz até mim o som da tua voz
E nos meus olhos nascem as paisagens
De uma nova primavera,
Onde brotam tapetes de flores e de folhagem.

Chamo por ti, porque sei que tu virás
E trarás contigo nas manhãs claras
A melodia dos azuis
E o verde dos caminhos
Que cobrirão de luz a minha escuridão.

Imagem colhida na net.

sábado, agosto 26, 2017

QUANDO O FOGO SE APAGAR















Desolada, busco na memória
a lembrança do que foi o toque
da tua pele na minha,
quando me enlaçaste
na primeira dança
e como num crescendo
nos electrizámos
e um fogo alastrou na nossa pele
e se entranhou em nós,
até ardermos por inteiro
enquanto entontecidos
deslizávamos pelo salão.

Quando por fim a música parou
entreabri os olhos e ao buscar-te,
vi-te ainda ardendo numa chama
que se extinguia devagar.


Mergulhei nela sem pensar
e fui ardendo sempre
para a alimentar,
até um dia ser apenas cinza
Quando o fogo se apagar.


Foto colhida na net.

sexta-feira, agosto 04, 2017

OLHOS POSTOS NA TERRA, TU VIRÁS


Olhos postos na terra, tu virás
no ritmo da própria primavera
e como as flores e os animais
abrirás nas mãos  de quem te espera.

De Eugénio de Andrade
"As mãos e os frutos"

Imagem da net.

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