quinta-feira, fevereiro 16, 2017

PERFUME


Não me acordes, amor.
Hoje quero apagar os dias vazios
E amanhã também
E talvez depois,
Quero ficar em mim,
Deitada no chão verde
Que repousa o meu olhar
E deixar que lembranças boas
Me levem pela mão,
E do meu coração escorram
Histórias que vivi
E no tempo se apagaram.
Quero deslizar nelas como um rio
Enquanto renasço
Nas páginas do livro
Que em tempos escrevi
E que leio agora,
Deitada no chão verde
Da memória,
Onde o silêncio reverbera
E um perfume ecoa pelos ares,
Ainda húmido.

Imagem recolhida na net.

sexta-feira, setembro 30, 2016

MEDO

MEDO





Medo de te amar

E esse amor ser imperfeito.

Medo de te olhar

E não sentir um tremor no peito.



Medo ainda de acordar

E ver nos teus olhos

Os teus e os meus sonhos
Inertes e desfeitos.

quinta-feira, setembro 01, 2016




Há em mim um poço fundo
De águas escuras e quietas,
Onde por vezes me escondo,
Quando a vida me maltrata
E ventos maus me fustigam.

Não há lá rumor de peixes
Nem um só limo à deriva,
Há um silêncio inquietante
Nessas águas tão profundas
Sem qualquer sinal de vida.

Só o meu corpo a boiar
Nesse vazio infecundo,
Na ânsia de me lavar
Da sujidade do mundo.

Imagem colhida na net.

quinta-feira, fevereiro 25, 2016

QUANDO SAIS A MINHA PORTA

Quando sais a minha porta
Nunca olhas para trás,
P'ra me dizeres, num olhar,
O motivo por que vais
E eu fico só, sem chorar,
Sentindo a casa vazia
E o som da porta a fechar.

E a dor entrou, sorrateira,
Sem permissão nem pudor,
Dia a dia, devagar,
Até não mais encontrar
Espaço p'ra se esconder.
Eu deixei que se espalhasse
Pelos cantos todos da casa
E do meu corpo, também,
Até que ela, confiante,
No meu peito adormeceu.
                   Num rebate de coragem
Com as próprias mãos a agarrei
E num abraço sufocante

Amorosamente a matei.

Imagem recolhida na net,

quarta-feira, outubro 07, 2015

COMO UM MANTO DE RAINHA


TEIA DE LEMBRANÇAS

Nesta teia de lembranças
que me veste, como um manto,
há mil pedaços de ti,
boiando, num mar de pranto.
Há também rumor de beijos,
afagos, risos e vozes
vindos de muito longe,
sussurrando-me ao ouvido
palavras quase esquecidas.

É um manto colorido
com um brilho quente, de fogo.
Mas há nele algumas manchas
que simbolizam ausências,
longas, tristes, doloridas.
Há saudades rendilhadas
nessa teia de lembranças,
tecida por minhas mãos
e pelas memórias, também.

Cobre-me até aos pés
como um manto de rainha.
De fora, a cabeça erguida
e uns olhos escurecidos
só pra ver nascer o sol
dia a dia, sempre à espera
da esperança renascida.

Imagem colhida na net.



segunda-feira, setembro 21, 2015

A VIDA INTEIRA



Relembrando...

NAS CURVAS DO POEMA

Nas curvas do poema,
o amor insinua-se como a luz da lua
e desliza nas palavras
até chegar ao novo verso,
que por ser novo se entrega por inteiro
nas mãos do poeta controverso,
que ora o enfeita com as cores da aurora,
ora o faz triste,
como uma manhã de nevoeiro.

Nas curvas do poema
cabem palavras como o azul do mar
e o barco verde que o navega,
cabem o céu e os pássaro que lá moram, 
também a luz do sol que nos aquece,
o rio que lava a terra da desgraça,
a noite negra que antecede o dia,
o vento que sopra e nos devassa,
a mulher que chora, porque a vida a ludibria
e a flor que morre, para que o fruto nasça.

Nas curvas do poema
cabe a vida inteira,
a tua e a minha
e também aquela 
que estiver à beira.

Imagem colhida na net

quarta-feira, agosto 19, 2015

EM CONTRAMÃO






Naquela mão cerrada
Meia dúzia de lembranças
Que não quer deixar fugir
E na garganta estrangulada
Um enxame de palavras
Que lutam para emergir.

Dentro dela um coração,
Que numa luta de gigantes,
Entre continuar a ser
E a vontade de morrer,
Bate louco, estilhaçado,
E caminha em contramão.

Imagem colhida na net

Rosas

Rosas
Especialmente para ti, amigo visitante

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