sexta-feira, junho 30, 2017

QUANDO O VENTO SOPRA

O VENTO

O vento sopra forte
despenteando as árvores
que se vergam, sinuosas
e se deixam embalar 
nas suas carícias caprichosas.

Nem sequer gosto do vento
mas um desejo me atormenta
e deixo-me agarrar,
quero que me sacuda, 
me entonteça,
me largue no chão duro,
para que toda a dor se parta
e o meu espírito liberto
volte a ter voz e se erga
como um canto puro.

Imagem colhida na net.



quinta-feira, março 30, 2017

NOITE

A tarde desfalece em sombras
E as horas galopam
No avanço inexorável dos instantes.
Um pássaro voa alto
Riscando de luz o céu escurecido.

Ouve-se um canto murmurado
E as palavras confundem-se
Com o rumor do mar.
O silêncio desce como um esquecimento
E fica suspenso no vazio do tempo.

O luar cresce despertando a noite
Que teima em se deitar.
Algas e búzios deslizam pela areia
Buscando a espuma branca
Que os levará de novo ao mar.

E na quietude mansa
Da noite prateada,
A minha mente divaga
E sonha com o amanhecer
De um novo dia.

Imagem da net.


quinta-feira, março 16, 2017

PROCURA



Que posso eu dizer de mim
Se tudo em minha mente
se confunde?
Se num momento me sinto azul
e transparente
e logo de seguida me visto de um cinza
escuro e triste
e num mar de destroços me torturo?

Meu pensamento corre para ti
Levado pelo vento intrépido
Que vai traçando o rumo
Através da noite escura,
Enquanto grito o teu nome
E te procuro.

Imagem obtida na net

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

PERFUME


Não me acordes, amor.
Hoje quero apagar os dias vazios
E amanhã também
E talvez depois,
Quero ficar em mim,
Deitada no chão verde
Que repousa o meu olhar
E deixar que lembranças boas
Me levem pela mão,
E do meu coração escorram
Histórias que vivi
E no tempo se apagaram.
Quero deslizar nelas como um rio
Enquanto renasço
Nas páginas do livro
Que em tempos escrevi
E que leio agora,
Deitada no chão verde
Da memória,
Onde o silêncio reverbera
E um perfume ecoa pelos ares,
Ainda húmido.

Imagem recolhida na net.

sexta-feira, setembro 30, 2016

MEDO

MEDO





Medo de te amar

E esse amor ser imperfeito.

Medo de te olhar

E não sentir um tremor no peito.



Medo ainda de acordar

E ver nos teus olhos

Os teus e os meus sonhos
Inertes e desfeitos.



Imagem colhida na net

quinta-feira, setembro 01, 2016




Há em mim um poço fundo
De águas escuras e quietas,
Onde por vezes me escondo,
Quando a vida me maltrata
E ventos maus me fustigam.

Não há lá rumor de peixes
Nem um só limo à deriva,
Há um silêncio inquietante
Nessas águas tão profundas
Sem qualquer sinal de vida.

Só o meu corpo a boiar
Nesse vazio infecundo,
Na ânsia de me lavar
Da sujidade do mundo.

Imagem colhida na net.

quinta-feira, fevereiro 25, 2016

QUANDO SAIS A MINHA PORTA

Quando sais a minha porta
Nunca olhas para trás,
P'ra me dizeres, num olhar,
O motivo por que vais
E eu fico só, sem chorar,
Sentindo a casa vazia
E o som da porta a fechar.

E a dor entrou, sorrateira,
Sem permissão nem pudor,
Dia a dia, devagar,
Até não mais encontrar
Espaço p'ra se esconder.
Eu deixei que se espalhasse
Pelos cantos todos da casa
E do meu corpo, também,
Até que ela, confiante,
No meu peito adormeceu.
                   Num rebate de coragem
Com as próprias mãos a agarrei
E num abraço sufocante

Amorosamente a matei.

Imagem recolhida na net,

Rosas

Rosas
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