sexta-feira, maio 14, 2021

AS PALAVRAS

 


Quis escrever-te amor,

Mas ao buscar as palavras

Que no meu peito eu guardava,

Encontrei-as apagadas,

Dormindo, muito abraçadas,

num desalinho perfeito.

 

Rasguei o peito em pedaços

Para que o sol lá entrasse

E elas se alvoroçassem,

Mas continuaram inertes,

Mudas e desinteressadas

E eu perguntei o porquê!

 

Falta de amor, me disseram,

Num sussurro apagado.

Um tempo longo de espera

Sem ver a luz, sem esperança,

Entregues à solidão

Onde o desamor impera.

 

Pedi perdão e chorei

Contando-lhes as minhas mágoas.

Das primaveras perdidas,

Dos dias tristes, sem sol

E das noites sem luar,

Das saudades acendidas!

 

Por fim, fizemos as pazes

E abraçamo-nos com ternura.

Demos as mãos e fizemos

Da vida, uma iluminura!


IMAGEM DA NET.


segunda-feira, março 08, 2021

 



NO TEU POEMA

 

No teu poema

É onde eu moro,

Às escondidas.

É lá que sonho

Meus sonhos loucos

Nas noites mal dormidas.

 

No teu poema

Cabe o sol inteiro

há perfume e cor

e o ar que se respira

cheira a prado

e a flores recém colhidas.

 

No teu poema

As palavras chegam

Como um aguaceiro,

e um tumulto me assola

e a emoção transborda

pelo corpo inteiro!

 

No teu poema

Eu moro,

Eu vivo,

Eu choro.


Imagem da net


quarta-feira, fevereiro 10, 2021


 UM POEMA FEITO RIO

 

No reverso de cada verso

Há sempre uma dor escondida

Feita de mágoa e de pranto

Que escorre nas minhas veias

Como seiva anoitecida.

 

Todos juntos, esses versos

Seriam como um poema,

Um poema feito rio

E eu a barca que o sulcava

Da nascente até ao mar.

 

No seu bojo levaria

O azul do céu e as estrelas

E as coisas que eram minhas

E das quais não conseguia

Nem queria me apartar.

 

sexta-feira, janeiro 08, 2021

AMANHÃ


No coração a esperança

De manhã à noite sonhada,

De que tudo vai mudar,

Nesta difícil caminhada.

 

O amanhã vai despontar

Claro e luminoso

E os caminhos, ontem incertos,

Vão abrir-se, largos e floridos

A prometer mudanças

E sonhos encobertos.

 

A mente, liberta,

Ecoa, como um grito

E as palavras soltas

São como um canto renovado

Que o vento transporta nos seus ombros

E vai semear em terreno desbravado.

 

E o sol e a lua suceder-se-ão

Noite e dia,

Sem interrupção

E os abraços prometidos,

E os beijos esquecidos

Dar-se-ão, sem contenção.

 

sábado, novembro 21, 2020




Um olhar trocado

Uma palavra não dita

 um sorriso esboçado

e quase escondido

e eis que no peito

um alvoroço se instala

e o coração dispara

e bate de um jeito

que o sangue enlouquece

e ondula nas veias

como seara batida 

pelos ventos de leste.


E são olhos que riem

sonhos que renascem

mãos que procuram

bocas que prometem.


É o amor  que desponta

cá dentro do peito

e nos abre as portas 

a um mundo perfeito.

segunda-feira, outubro 19, 2020

 

Rebuscando no baú...

O meu amor é como um barco na tormenta,

Tanto busca o absoluto

Na crista da mais alta onda,

como mergulha no negrume

de um mundo feito de silêncio e sombra.

Mas lá no fundo desse mundo,

há peixes coloridos e muitos, muitos limos

e no meio desses limos,

o mar é mais verde e mais fecundo

 e é lá que eu vou ficar

à espera de sonhar...

Sonhar que sou um lindo peixe verde,

com um brilho estonteante no olhar

e no peito uma vontade imensa

de voltar a acreditar!


Imagem da net



quarta-feira, agosto 26, 2020

MARCOS DE PEDRA



As lembranças já não doem,
São como marcos de pedra
Nas esquinas do passado.
Lá dentro, não há mais nada
Só uma vida em pedaços.

Há pedaços de mil cores,
Rutilantes de riso e alegria.
Há outros de negra cor
Que destroçaram meu ser
E me mataram de dor.

Hoje,
Não passam
de uma memória escondida…

Na minha casa vazia,
Cheia de sombras caladas,
De quando em vez abro a porta
Desses marcos esquecidos.
Um rio escorre de lá,
Esse rio da minha vida,
E nessas águas passadas,
Mergulho ao cair da noite
E perco-me a deslizar
Pelos aromas escondidos.

Imagem colhida na  net.

sexta-feira, julho 24, 2020

ROSA ENCARNADA







Ao ver-te caída no chão
Ainda brilhante e viçosa
Imagino o desalento
De quem te largou da mão.

Rosa vermelha, de sangue,
Que simboliza a paixão,
Quem renunciou a ti,
Estava ferido de traição.

Em breve serás pisada
E o cetim das tuas pétalas
Tingirá de rubro as pedras
Que compõem a calçada.

Outras rosas brotarão,
Não fiques desanimada.
As paixões vêm e vão
E rosas serão trocadas.


Imagem da net

sexta-feira, junho 19, 2020

A VIDA


PARTILHANDO CONVOSCO UM BELO POEMA DE DAVID MOURÃO FERREIRA

ESCADA SEM CORRIMÃO

É uma escada em caracol
E que não tem corrimão.
Vai a caminho do Sol
Mas nunca passa do chão.
Os degraus, quanto mais altos,
Mais estragados estão,
Nem sustos nem sobressaltos
Servem sequer de lição.
Quem tem medo não a sobe
Quem tem sonhos também não.
Há quem chegue a deitar fora
O lastro do coração.
Sobe-se numa corrida.
Corre-se perigos em vão.
Adivinhaste: é a vida
A escada sem corrimão.




domingo, maio 17, 2020

SAUDADE

QUADRAS SOLTAS E A SAUDADE

As palavras que não dizes
Eu oiço-as com o coração,
As que dizes são tão falsas
Que não lhes dou atenção.

Eu sei que a tua saudade
É tão grande como a minha,
Ela foge do teu peito,
Vem ter comigo à noitinha.

E dormimos abraçadas,
eu, a tua e a minha,
De manhã, já acordada,
Elas partem, fico sozinha.

As manhãs, são sempre curtas,
Não dão tempo p'ra pensar,
As tardes já são diferentes,
E as noites são p´ra sonhar...

Imagem tirada da net

domingo, abril 19, 2020

PARAÍSO

PARAÍSO

Deixa ficar comigo a madrugada
Para que a luz do sol me não constranja.
Numa taça de sombra, estilhaçada,
Deita sumo de lua e de laranja.

Arranja uma pianola, um disco, um posto
onde eu ouça o estertor de uma gaivota...
Crepite, em derredor, o mar de Agosto...
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!

Depois podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
Entre os lençóis o lume do teu peito...

Podes partir. De nada mais preciso
Para a minha ilusão do paraíso.

De: David Mourão Ferreira

Imagem da net

terça-feira, março 17, 2020

MEDO




O MEDO

Vazio de esperança
O amanhecer chega devagar,
Triste e obscuro,
Traz no seu ventre
Promessa de mais mortes
Que um inimigo invisível
Cospe para o ar.

O mundo, acoitado,
Fechas as portas na terra,
No mar e também no ar
E a vida quase que para,
Porque o medo nos agarra,
E a ansiedade nos tolhe
E nos impede de sonhar.

Clamo por um tempo puro,
Que nos devolva o riso
E a paz perdida,
Que se ouçam de novo as vozes
Nas ruas e nas calçadas nuas
E que as flores desabrochem,
Coloridas,
Nesta Primavera conturbada.




segunda-feira, fevereiro 17, 2020




SEM NOME

Enquanto a noite cresce
Longa e solitária,
Eu procuro, em vão,
As palavras certas,
Que possam dizer-te
O que me vai no coração,
Pois é lá que a verdade habita,
Para além do tempo e da desdita.

Procuro, mas nada encontro.
Apenas o teu nome,
Guardado na memória,
Me grita no escuro,
Rasgando o silêncio
E cantando vitória.

Mas as palavras que buscava,
Afinal estão mortas,
Esmagadas pelo esquecimento
E pela longa caminhada
E o poema, sem nome, nem estrofes,
Morre também,
Sem esperar que rompa a madrugada.

Imagem da net

quinta-feira, janeiro 09, 2020

O TEMPO



O cinza que escorre dos meus olhos
Cobre de penumbra o chão onde me sento.
Meu pensamento vagueia, num desnorte
Na garganta, as palavras gritam
E atropelam-se, numa luta de morte.

O tempo escorre, devagar,
mas o silêncio, que, como uma teia, me abraçava
rompeu-se, num estrondo,
o sol acendeu-se no horizonte
e encheu de luz o meu olhar.

Pouco a pouco o céu
Era uma tela colorida
e a tarde partia devagar
Lenta e luminosa,
Numa fogueira de sons e cores ardida.

A noite chega, redonda como um vaso
E nela me deito, para enfim descansar.
As pernas enrolo e as mãos desdobro
Para com elas me tapar.
Regresso a mim mesma, sonho e extravaso.




quinta-feira, novembro 07, 2019

A VIDA

MAGNIFICAT


Ai, a vida!
Quanto mais me magoa, mais a canto.
Mais exalto este espanto
de viver.
Este absurdo humano,
quotidiano,
dum poeta cansado
de sofrer.
E a fazer versos como um namorado,
sem namorada que lhos queira ler.
Cego de luz e sempre a olhar o sol
num aturdido
deslumbramento.
Cada breve momento
recebido
como um dom concedido
que se não merece.
Ai, a vida
Como dói ser vivida
e como a própria dor a quer e agradece!

De Miguel Torga

Imagem colhida na net.

domingo, outubro 06, 2019

COMO PÁSSAROS



Recordo o tempo
Em que de asas nos vestíamos
E ao romper do dia,
Num ímpeto, partíamos,
Esvoaçando na brancura da manhã.

Os dias eram feitos de esplendor,
Quando o amor escorria dos teus olhos,
Como água que brota de uma fonte
E sobre mim se derramava
Como um manto protector.

Eram escassas as palavras murmuradas,
Mas o som da tua voz ainda ecoa em mim
E ondula no meu peito,
Como pássaros deslizando
Em luminosas e quentes alvoradas.

Imagem da net.

quinta-feira, setembro 05, 2019

MADRUGADAS





Preciso romper o silêncio
Que me amordaça
E sem qualquer temor,
Rasgar o meu peito e numa taça
Despejar a minha dor,
Até que ela transborde
E no chão se espalhe
Com um grito acusador.

E no vazio desse peito,
Deixado a descoberto,
As palavras brotarão
Como  madrugadas promissoras,
Haverá grandes alegrias,
Noites calmas e acolhedoras,
E a paz tão desejada
Será a essência dos meus dias.

Imagen da net

terça-feira, julho 09, 2019

ESPERA


Sê paciente; espera
que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça.

De EUGÉNIO DE ANDRADE

Com este poema de Eugénio de Andrade, venho a pedir a todos os que me visitam, um tempo de reflexão, quiçá de amadurecimento. Sinto que não tenho estado suficientemente presente, como merecem!
Espero voltar, como as marés.

Foto colhida na net.

sexta-feira, junho 07, 2019

DE FRENTE PARA O MAR




Este é o tempo de sonhar
E quando me sento, pequenina,
De frente para o mar,
Invento um barco e parto a navegar
De olhos fechados e coração aberto
A tudo o que encontrar.

Não quero saber se é noite ou dia,
Se o vento é forte ou se é mar de calmaria,
Sei que tudo à minha volta 
É uma estrada aberta,
sem metas, nem geografia,
que percorro, em busca de paz e alegria.

De dia o sol é rei e o mar cintila
Com lampejos de azul
que tingem meu olhar.
De noite é a luz da lua
Que me envolve por inteiro
Me ilumina e apazigua.

Para trás ficaram as cinzas
E as sombras que me tolhiam.
Meus olhos limpos,
Acordam devagar
E abrem-se para um mundo novo
E a outros sonhos que nasciam.

Imagem colhida na net


sábado, maio 04, 2019

EM DIA DE ANIVERSÁRIO


SAUDADES


Saudades de quem eu era,
Alegre e inquieta como toda a primavera,
Vivia a vida sem pressa
E da sua seiva me alimentava.

Os dias eram claros e ousados
E na minha ânsia de descobrir o mundo,
Abria de par em par as portas que encontrava,
Para ver o outro lado, com olhar fecundo.

Respirava o interior das coisas
E urdia histórias que depois escrevia,
Com lampejos de cor e toques de magia,
como quem compunha uma melodia.

A vida era uma sucessão de sonhos
E deslizava célere através do tempo,
Riscando o espaço num fluir constante
De amanhãs risonhos.

Mas a chama que alimentava a tocha
Foi perdendo o brilho e morrendo aos poucos
E as cinzas que no fim ficaram



Não passam hoje de uma pequena rocha
De onde brota, às vezes, um resquício de água,
Para que eu mate a sede de subtis memórias.

Imagem obtida na net

Rosas

Rosas
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