sábado, setembro 03, 2022

 


SETEMBRO

 

Setembro,

Tão doce e sensível,

Morno e sossegado,

És a brisa suave

que não despenteia,

és o voo da ave

que brilha no céu

mas não encandeia,

Tu embrulhas os dias

Num manto de paz

Que a todos envolve,

Acalmas a gente

Num abraço tão doce

Que tudo dissolve…


IMAGEM COLHIDA NA NET




 



segunda-feira, agosto 01, 2022

 


SONHOS

 

No chão da minha memória

Jazem mil pedaços de ti,

Uns enfeitados de mil cores

Outros só a preto e branco,

Mas todos contam histórias,

Mesmo aqueles que varri,

Afogados no meu pranto.

 

Todos os sonhos perdidos

São hoje pétalas secas,

Falta-lhes o brilho e a cor,

Do tempo em que eram flor.

Cabem todas numa mão,

Mas guardo-as, bem escondidas,

Num canto do coração.

 

Abro as portas e olho o céu

Que me inunda de azul

E me sabe a despedida.

Sinto o coração a pulsar

E a minha alma acendida.

Rasgo o peito, sem pensar

E solto os sonhos, aturdida.


Imagem da net

 


segunda-feira, abril 04, 2022


DEVANEIO


Num dia melancólico,
em que o infinito do mar 
contemplava,
um poeta escreveu:
"Qualquer dia roubo um barco"
que ideia louca, eu pensei,
mas logo outra ideia 
em mim se agigantava
e sem delongas
um barco fui roubar
e decidi
Amanhã embarco!

Como se algo ou alguém
eu procurasse.
Um amor perdido,
mas nunca esquecido.
Lugares que na memória guardo
e onde um dia fui feliz,
quando os dias eram claros
e a vida era para sempre.
E se um dia lá chegar,
Num grito de alma, direi:
Valeu a pena, tanto mar que atravessei!

Imagem da net

domingo, fevereiro 27, 2022

UMA CASA GRANDE


 

O presente pra mim é hoje

Tal qual uma folha em branco,

Pois que, por dentro e fora me lavei,

Nas imensas águas, onde,

Por longo tempo naveguei.

 

Dia e noite, noite e dia

Fui desatando o nó

Que a garganta me apertava

E deixei que do meu peito se soltasse

Toda a mágoa acumulada.

 

Uma a uma, desfolhava,

Como flor que já não era

 E nas águas afundava,

Como pétalas sem história,

Buscando sombra e morada.

 

Rumei enfim, para a margem

Em busca de uma casa onde houvesse

Muitas portas e janelas,

Por onde o sol sempre entrasse

E também risos e falas.

 

Uma casa grande, grande,

Pra que o mundo lá coubesse.


Foto encontrada na net.

 


quarta-feira, agosto 25, 2021

 


A BARCA DO TEMPO

 

Não vou fechar a porta,

Vou encosta-la devagarinho,

Para que o vazio não estremeça

E as palavras que lá moram

Não se assustem e percam

O calor que lhes dá forma…

Vou pedir tempo ao tempo

E esperar que ele seja a minha barca,

Me leve para longe a navegar

E me traga de volta,

Quando um dia me encontrar!


IMAGEM DA NET

segunda-feira, julho 12, 2021

FUGA


 

É na garganta

Que as palavras se atropelam

E as perguntas se debatem

Na ânsia de ser feitas,

É lá que tudo se enovela

E um nó de muitas pontas se agiganta

Me toma por inteiro e me sufoca

 

Sorvendo o ar em goles diminutos

Mergulho no caos da incerteza

E busco a minha essência

Num regresso às origens mais profundas

Que procuro sem cessar nas escuras águas

Da minha inconsciência.

 

Sinto-me de novo um embrião

Que busca nesse fluido acolhedor

O calor e a segurança que a vida me roubou.

E adormeço, sentindo que sou parte dessa água

Onde flutuo, e que o tempo

Não passa de uma sombra que se esfuma.

 

 

Imagem colhida na net

quarta-feira, junho 09, 2021

SONHO

 





Como um veleiro,

tenho minha vela erguida

e sulco,

não os mares,

mas os sonhos que há na vida,

rasgo ao meio aqueles que são feios,

mas lanço ferro e pernoito

se me enleio naqueles que tu teces...

Durmo com eles

e sonho um outro sonho!

Já não sou veleiro,

sou apenas sonho,

um sonho que tu sulcas

com a tua vela erguida.

~Imagem da net

sexta-feira, maio 14, 2021

AS PALAVRAS

 


Quis escrever-te amor,

Mas ao buscar as palavras

Que no meu peito eu guardava,

Encontrei-as apagadas,

Dormindo, muito abraçadas,

num desalinho perfeito.

 

Rasguei o peito em pedaços

Para que o sol lá entrasse

E elas se alvoroçassem,

Mas continuaram inertes,

Mudas e desinteressadas

E eu perguntei o porquê!

 

Falta de amor, me disseram,

Num sussurro apagado.

Um tempo longo de espera

Sem ver a luz, sem esperança,

Entregues à solidão

Onde o desamor impera.

 

Pedi perdão e chorei

Contando-lhes as minhas mágoas.

Das primaveras perdidas,

Dos dias tristes, sem sol

E das noites sem luar,

Das saudades acendidas!

 

Por fim, fizemos as pazes

E abraçamo-nos com ternura.

Demos as mãos e fizemos

Da vida, uma iluminura!


IMAGEM DA NET.


segunda-feira, março 08, 2021

 



NO TEU POEMA

 

No teu poema

É onde eu moro,

Às escondidas.

É lá que sonho

Meus sonhos loucos

Nas noites mal dormidas.

 

No teu poema

Cabe o sol inteiro

há perfume e cor

e o ar que se respira

cheira a prado

e a flores recém colhidas.

 

No teu poema

As palavras chegam

Como um aguaceiro,

e um tumulto me assola

e a emoção transborda

pelo corpo inteiro!

 

No teu poema

Eu moro,

Eu vivo,

Eu choro.


Imagem da net


quarta-feira, fevereiro 10, 2021


 UM POEMA FEITO RIO

 

No reverso de cada verso

Há sempre uma dor escondida

Feita de mágoa e de pranto

Que escorre nas minhas veias

Como seiva anoitecida.

 

Todos juntos, esses versos

Seriam como um poema,

Um poema feito rio

E eu a barca que o sulcava

Da nascente até ao mar.

 

No seu bojo levaria

O azul do céu e as estrelas

E as coisas que eram minhas

E das quais não conseguia

Nem queria me apartar.

 

sexta-feira, janeiro 08, 2021

AMANHÃ


No coração a esperança

De manhã à noite sonhada,

De que tudo vai mudar,

Nesta difícil caminhada.

 

O amanhã vai despontar

Claro e luminoso

E os caminhos, ontem incertos,

Vão abrir-se, largos e floridos

A prometer mudanças

E sonhos encobertos.

 

A mente, liberta,

Ecoa, como um grito

E as palavras soltas

São como um canto renovado

Que o vento transporta nos seus ombros

E vai semear em terreno desbravado.

 

E o sol e a lua suceder-se-ão

Noite e dia,

Sem interrupção

E os abraços prometidos,

E os beijos esquecidos

Dar-se-ão, sem contenção.

 

sábado, novembro 21, 2020




Um olhar trocado

Uma palavra não dita

 um sorriso esboçado

e quase escondido

e eis que no peito

um alvoroço se instala

e o coração dispara

e bate de um jeito

que o sangue enlouquece

e ondula nas veias

como seara batida 

pelos ventos de leste.


E são olhos que riem

sonhos que renascem

mãos que procuram

bocas que prometem.


É o amor  que desponta

cá dentro do peito

e nos abre as portas 

a um mundo perfeito.

segunda-feira, outubro 19, 2020

 

Rebuscando no baú...

O meu amor é como um barco na tormenta,

Tanto busca o absoluto

Na crista da mais alta onda,

como mergulha no negrume

de um mundo feito de silêncio e sombra.

Mas lá no fundo desse mundo,

há peixes coloridos e muitos, muitos limos

e no meio desses limos,

o mar é mais verde e mais fecundo

 e é lá que eu vou ficar

à espera de sonhar...

Sonhar que sou um lindo peixe verde,

com um brilho estonteante no olhar

e no peito uma vontade imensa

de voltar a acreditar!


Imagem da net



quarta-feira, agosto 26, 2020

MARCOS DE PEDRA



As lembranças já não doem,
São como marcos de pedra
Nas esquinas do passado.
Lá dentro, não há mais nada
Só uma vida em pedaços.

Há pedaços de mil cores,
Rutilantes de riso e alegria.
Há outros de negra cor
Que destroçaram meu ser
E me mataram de dor.

Hoje,
Não passam
de uma memória escondida…

Na minha casa vazia,
Cheia de sombras caladas,
De quando em vez abro a porta
Desses marcos esquecidos.
Um rio escorre de lá,
Esse rio da minha vida,
E nessas águas passadas,
Mergulho ao cair da noite
E perco-me a deslizar
Pelos aromas escondidos.

Imagem colhida na  net.

sexta-feira, julho 24, 2020

ROSA ENCARNADA







Ao ver-te caída no chão
Ainda brilhante e viçosa
Imagino o desalento
De quem te largou da mão.

Rosa vermelha, de sangue,
Que simboliza a paixão,
Quem renunciou a ti,
Estava ferido de traição.

Em breve serás pisada
E o cetim das tuas pétalas
Tingirá de rubro as pedras
Que compõem a calçada.

Outras rosas brotarão,
Não fiques desanimada.
As paixões vêm e vão
E rosas serão trocadas.


Imagem da net

sexta-feira, junho 19, 2020

A VIDA


PARTILHANDO CONVOSCO UM BELO POEMA DE DAVID MOURÃO FERREIRA

ESCADA SEM CORRIMÃO

É uma escada em caracol
E que não tem corrimão.
Vai a caminho do Sol
Mas nunca passa do chão.
Os degraus, quanto mais altos,
Mais estragados estão,
Nem sustos nem sobressaltos
Servem sequer de lição.
Quem tem medo não a sobe
Quem tem sonhos também não.
Há quem chegue a deitar fora
O lastro do coração.
Sobe-se numa corrida.
Corre-se perigos em vão.
Adivinhaste: é a vida
A escada sem corrimão.




domingo, maio 17, 2020

SAUDADE

QUADRAS SOLTAS E A SAUDADE

As palavras que não dizes
Eu oiço-as com o coração,
As que dizes são tão falsas
Que não lhes dou atenção.

Eu sei que a tua saudade
É tão grande como a minha,
Ela foge do teu peito,
Vem ter comigo à noitinha.

E dormimos abraçadas,
eu, a tua e a minha,
De manhã, já acordada,
Elas partem, fico sozinha.

As manhãs, são sempre curtas,
Não dão tempo p'ra pensar,
As tardes já são diferentes,
E as noites são p´ra sonhar...

Imagem tirada da net

domingo, abril 19, 2020

PARAÍSO

PARAÍSO

Deixa ficar comigo a madrugada
Para que a luz do sol me não constranja.
Numa taça de sombra, estilhaçada,
Deita sumo de lua e de laranja.

Arranja uma pianola, um disco, um posto
onde eu ouça o estertor de uma gaivota...
Crepite, em derredor, o mar de Agosto...
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!

Depois podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
Entre os lençóis o lume do teu peito...

Podes partir. De nada mais preciso
Para a minha ilusão do paraíso.

De: David Mourão Ferreira

Imagem da net

terça-feira, março 17, 2020

MEDO




O MEDO

Vazio de esperança
O amanhecer chega devagar,
Triste e obscuro,
Traz no seu ventre
Promessa de mais mortes
Que um inimigo invisível
Cospe para o ar.

O mundo, acoitado,
Fechas as portas na terra,
No mar e também no ar
E a vida quase que para,
Porque o medo nos agarra,
E a ansiedade nos tolhe
E nos impede de sonhar.

Clamo por um tempo puro,
Que nos devolva o riso
E a paz perdida,
Que se ouçam de novo as vozes
Nas ruas e nas calçadas nuas
E que as flores desabrochem,
Coloridas,
Nesta Primavera conturbada.




segunda-feira, fevereiro 17, 2020




SEM NOME

Enquanto a noite cresce
Longa e solitária,
Eu procuro, em vão,
As palavras certas,
Que possam dizer-te
O que me vai no coração,
Pois é lá que a verdade habita,
Para além do tempo e da desdita.

Procuro, mas nada encontro.
Apenas o teu nome,
Guardado na memória,
Me grita no escuro,
Rasgando o silêncio
E cantando vitória.

Mas as palavras que buscava,
Afinal estão mortas,
Esmagadas pelo esquecimento
E pela longa caminhada
E o poema, sem nome, nem estrofes,
Morre também,
Sem esperar que rompa a madrugada.

Imagem da net

Rosas

Rosas
Especialmente para ti, amigo visitante

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