terça-feira, junho 12, 2012
segunda-feira, maio 21, 2012
domingo, abril 29, 2012
SONHOS
Sem sonhos,
os monstros que nos assediam,
estejam eles alojados em nossa mente,ou no terreno social,
nos controlarão.
O objectivo fundamental dos sonhos não é o sucesso,
mas nos livrar do fantasma do conformismo.
Quem não é generoso consigo mesmo
jamais o será com os outros.
Quem cobra muito de si mesmo
é um carrasco dos outros.
A generosidade é um dos maiores sonhos
que devemos difundir
no grande "caos social".
Só dorme bem
quem aprende primeiramente
a repousar dentro de si.
É possível fugir dos monstros de fora,
mas não dos que temos dentro da mente.
Os que vendem sonhos
são como o vento:
você ouve a sua voz,
mas não sabe de onde ele vem
e nem para onde vai.
Se quiserem vender o sonho da solidariedade
terão de aprender a enxergar as lágrimas choradas,
as angústias nunca verbalizadas,
os temores que nunca contraíram
os músculos da face.
Citações do livro "O VENDEDOR DE SONHOS"
de Augusto Cury
Imagem da net
Etiquetas:
generosidade,
solidariedade,
sonho
domingo, abril 15, 2012
SILÊNCIO
Porque tudo o que sonhei
se quebrou em
querelas
e guerras sem sentido,
porque os caminhos percorridos
são hoje pertença de fantasmas
deambulando na penumbra
do dia amanhecido,
porque as coisas que vivi
se apagaram uma a uma
varridas da memória
num esquecimento encomendado,
sou agora e apenas, uma sombra
em busca da palavra amarga ou doce
que defina o porquê
do silêncio dos meus dias.
Imagem de MARIAH-(Olhares)
quarta-feira, março 21, 2012
DIA DA POESIA
Escrevo amor
e leio um sorriso
no céu da tua boca
Soletro pri ma ve ra
e vejo um imenso campo verde
semeado nos teus olhos
Digo pão
e em cada letra arde um abraço
no fogo da paixão
Sento-me na sombra do teu chão
e bebo o azul
filtrado pelo sol do meio dia
Pego numa asa do vento
e voo com ela
até ao infinito
Escrevo a palavra poesia
e sou um barco à vela que corta o mar ao meio
e se esfuma no tempo que é finito.
Foto da net
e leio um sorriso
no céu da tua boca
Soletro pri ma ve ra
e vejo um imenso campo verde
semeado nos teus olhos
Digo pão
e em cada letra arde um abraço
no fogo da paixão
Sento-me na sombra do teu chão
e bebo o azul
filtrado pelo sol do meio dia
Pego numa asa do vento
e voo com ela
até ao infinito
Escrevo a palavra poesia
e sou um barco à vela que corta o mar ao meio
e se esfuma no tempo que é finito.
Foto da net
quinta-feira, março 08, 2012
PARA NÓS, MULHERES
De uma amiga, recebi este poema lindo e tomei a liberdade de o partilhar com todas as mulheres, que, como eu, se sentem hoje mais leves e lindas.
Artur da Távola
Ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie
de mãos dadas com o ar.
Enfeite-se com margaridas e ternura e escove
a alma com leves fricções de esperança.
De alma escovada e coração estouvado,
saia do quintal
de si mesmo e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para
quem passe debaixo da sua janela.
Ponha intenções de quermesse em seus olhos
e beba licor de contos de fada.
Ande como se o chão estivesse repleto
de sons de flauta
e do céu descesse uma névoa de borboletas
cada qual trazendo uma pérola falante
a dizer frases subtis
e palavras de galanteria,
Etiquetas:
esperança jardim,
galanteria
quinta-feira, fevereiro 16, 2012
quarta-feira, fevereiro 01, 2012
BAILARINA
POR DELICADEZA
Bailarina fui
Mas nunca dansei*
Em frente das grades
Só três passos dei
Tão breve o começo
Tão cedo negado
Dansei* no avesso
Do tempo bailado
Dansarina* fui
Mas nunca bailei
Deixei-me ficar
Na prisão do rei
Onde o mar aberto
E o tempo lavado?
Perdi-me tão perto
Do jardim buscado
Bailarina fui
Mas nunca bailei
Minha vida toda
Como cega errei
Minha vida atada
Nunca a desatei
Como Rimbaud disse
Também eu direi:
"Juventude ociosa
Por tudo iludida
Por delicadeza
Perdi minha vida"
Poema POR DELICADEZA in O Nome das coisas
* sic
De Sophia de Mello Breyner Andresen
Etiquetas:
avesso,
delicadeza,
prisão
terça-feira, janeiro 17, 2012
terça-feira, janeiro 03, 2012
DIZ-ME O TEU NOME
Diz-me o teu nome - agora que perdi
quase tudo, um nome pode ser o princípio
de alguma coisa. Escreve-o na minha mão
com os teus dedos - como as poeiras se
escrevem, irrequietas, nos caminhos e os
lobos mancham o lençol de neve com os
sinais da sua fome. Sopra-mo ao ouvido,
como a levares as palavras de um livro para
dentro de outro - assim conquista o vento
o tímpano das grutas e entra o bafo do verão
na casa fria. E, antes de partires, pousa-o
nos meus lábios devagar: é um poema
açucarado que se derrete na boca e arde
como a primeira menta da infância.
Ninguém esquece um corpo que teve
nos braços um segundo - um nome sim.
Maria do Rosário Pedreira
sábado, dezembro 10, 2011
quinta-feira, novembro 17, 2011
MULHER
ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE A MULHER
Elas são as mães:
rompem do inferno, furam a treva,
arrastando
os seus mantos na poeira das estrelas.
Animais sonâmbulos,
dormem nos rios, na raiz do pão.
Na vulva sombria
é onde fazem o lume:
ali têm casa.
Em segredo, escondem
o latir lancinante dos seus cães.
Nos olhos, o relâmpago
negro do frio.
Longamente bebem
o silencio
nas próprias mãos.
O olhar
desafia as aves:
o seu voo é mais fundo.
Sobre si se debruçam
a escutar
os passos do crepúsculo.
Despem-se ao espelho
para entrarem
nas águas da sombra.
É quando dançam que todos os caminhos
levam ao mar.
São elas que fabricam o mel,
o aroma do luar,
o branco da rosa.
Quando o galo canta
Desprendem-se
para serem orvalho.
rompem do inferno, furam a treva,
arrastando
os seus mantos na poeira das estrelas.
Animais sonâmbulos,
dormem nos rios, na raiz do pão.
Na vulva sombria
é onde fazem o lume:
ali têm casa.
Em segredo, escondem
o latir lancinante dos seus cães.
Nos olhos, o relâmpago
negro do frio.
Longamente bebem
o silencio
nas próprias mãos.
O olhar
desafia as aves:
o seu voo é mais fundo.
Sobre si se debruçam
a escutar
os passos do crepúsculo.
Despem-se ao espelho
para entrarem
nas águas da sombra.
É quando dançam que todos os caminhos
levam ao mar.
São elas que fabricam o mel,
o aroma do luar,
o branco da rosa.
Quando o galo canta
Desprendem-se
para serem orvalho.
Eugénio de Andrade
Imagem recolhida na net
quinta-feira, novembro 10, 2011
AMARGURA
Canção amarga
Que importa o gesto não ser bem
o gesto grácil que terias?
- Importa amar, sem ver a quem...
Ser mau ou bom, conforme os dias.
Agora, tu, só entrevista,
quantas imagens me trouxeste!
Mas é preciso que eu resista
e não acorde um sonho agreste.
Que passes tu! Por mim, bem sei
que hei-de aceitar o que vier,
pois tarde ou cedo deverei
de sonho e pasmo apodrecer.
Que importa o gesto não ser bem
o gesto grácil que terias?
- Importa amar, sem ver a quem...
Ser infeliz, todos os dias!
David Mourão-Ferreira in "A Secreta viagem"Imagem colhida na net
terça-feira, outubro 25, 2011
ENXURRADA
Esta noite choveu no deserto que albergo no meu peito
e uma enxurrada varreu meus grãos de areia
pela encosta abaixo do meu corpo
abrindo sulcos obscenos, de uma beleza proibida
e as águas que por eles escorriam
em rio caudaloso se tornaram
arrastando consigo amores que o tempo já esquecera,
dores e alegrias, versos que escrevi,
palavras que guardei e que roubara nos livros que já lera
e erros, tantos erros em que teimosamente persisti,
as respostas que não dei e as perguntas que não fiz,
o choro que na tristeza não chorei,
e os risos que por falta de alegria não soltei.
De todas essas coisas me desfiz.
E nessas águas, que depois da queda se amansaram
eu me deixei afogar,
pois num deserto sem areia
pois num deserto sem areia
o sol nunca mais volta a brilhar.
Imagem colhida na net
segunda-feira, outubro 10, 2011
quinta-feira, setembro 22, 2011
FUGA
É na garganta
que as palavras se atropelam
e as perguntas se debatem
na ânsia de ser feitas,
é lá que tudo se enovela
e um nó de muitas pontas se agiganta
me toma por inteiro e me sufoca
Sorvendo o ar em goles diminutos
mergulho no caos da incerteza
e busco a minha essência
num regresso às origens mais profundas
que procuro sem cessar nas escuras águas
da minha inconsciência.
Sou de novo um embrião
que busca nesse fluido acolhedor
o calor e a segurança que a vida me roubou.
E adormeço, sentindo que sou parte dessa água
onde flutuo, e que o tempo já vivido
não passa de uma sombra que se esfuma.
Imagem colhida na net
segunda-feira, julho 25, 2011
NAS CURVAS DO POEMA
Nas curvas do poema
o amor insinua-se como a luz da lua
e desliza nas palavras
até chegar ao novo verso
que por ser novo se entrega por inteiro
nas mãos do poeta controverso
que ora o enfeita com as cores da aurora
ora o faz triste como uma manhã de nevoeiro
Nas curvas do poema
cabem palavras como o azul do mar
e o barco verde que o navega
cabem o céu e os pássaros que lá moram
também o sol e a luz que nos aquece
o rio que lava a terra da desgraça
a noite negra que antecede o dia
o vento que sopra e nos devassa
a mulher que chora porque a vida a ludibria
e a flor que morre para que o fruto nasça.
Imagem colhida na net
o amor insinua-se como a luz da lua
e desliza nas palavras
até chegar ao novo verso
que por ser novo se entrega por inteiro
nas mãos do poeta controverso
que ora o enfeita com as cores da aurora
ora o faz triste como uma manhã de nevoeiro
Nas curvas do poema
cabem palavras como o azul do mar
e o barco verde que o navega
cabem o céu e os pássaros que lá moram
também o sol e a luz que nos aquece
o rio que lava a terra da desgraça
a noite negra que antecede o dia
o vento que sopra e nos devassa
a mulher que chora porque a vida a ludibria
e a flor que morre para que o fruto nasça.
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terça-feira, julho 12, 2011
sábado, junho 25, 2011
SILÊNCIO E SOMBRA
O Silêncio
Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,
e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,
quando azuis irrompem
os teus olhos
e procuram
nos meus navegação segura,
é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,
pelo silêncio fascinadas.
Eugénio de Andrade, in "Obscuro Domínio"
Imagem colhida na net
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Especialmente para ti, amigo visitante



















